quinta-feira, maio 21, 2026

Italianos vão à Justiça contra cidadania honorária dada a Bolsonaro


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Presidente Jair Bolsonaro (PL)
Isac Nóbrega/PR

Presidente Jair Bolsonaro (PL)

Poucos meses após o pequeno município de Anguillara Veneta, no norte da Itália, conceder a cidadania honorária para o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro , moradores da cidade e membros do Partido Europa Verde recorreram à Justiça contra a homenagem.

A informação foi divulgada neste sábado (5) pelo jornalista Jamil Chade, do portal ” UOL “, que teve acesso ao documento de 23 páginas protocolado no Tribunal de Padova no final de janeiro pelos advogados Donato Lettieri, Lucia Colangelo e Giovanni Colangelo, ligados ao partido Europa Verde.

O grupo apresentou uma ação popular em que pede a anulação da honraria e denuncia a prefeita de direita Alessandra Buoso e oito vereadores que fazem parte de seu governo.

Ainda de acordo com a reportagem, a ação pede que a resolução n.27, com a qual foi concedida a cidadania honorária a Bolsonaro, seja considerada “ilegítima ou nula, pois a identidade e imagem da prefeitura foram lesados após terem sido associadas a expressão de valores conflitantes com os valores históricos, tradicionais e culturais do município de Anguillara Veneta”.

Em outubro de 2021, Buoso propôs a homenagem a Bolsonaro justificando a medida pelo fato de um bisavô do presidente ter nascido na cidade. Na ocasião, a ideia recebeu nove votos a favor e três contrários na Câmara Municipal.

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De acordo com a prefeita, a cidadania foi “conferida de fato ao presidente, como delegado de um povo e eleito democraticamente pelo povo que ele representa, mas é conferida simbolicamente a toda uma nação”.

A sessão da Câmara Municipal para discutir a cidadania honorária havia sido convocada no mesmo dia da leitura do relatório da CPI da Covid no Senado Federal, que pedia o indiciamento de Bolsonaro sob as acusações de epidemia com resultado morte, infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, entre outros crimes.

Apesar disso, a cerimônia oficial na Itália ocorreu em 1º de novembro e contou com a presença do presidente brasileiro, enquanto paralelamente chefes de governo de todo o mundo estavam na Cúpula da ONU sobre Mudanças Climáticas em Glasgow negociando medidas para o futuro do planeta.

Na época, a presença de Bolsonaro provocou diversos protestos, incluindo a pichação da sede da Prefeitura de Anguillara Veneta, que amanheceu com a frase “Fora Bolsonaro” e vandalizada com esterco por um grupo ambientalista que era contra a homenagem.

Além disso, conselheiros regionais de oposição no Vêneto também pediram a revogação da cidadania honorária. A região é uma das mais ricas da Itália e é governada pelo partido de ultradireita Liga, cujo secretário federal, o ex-ministro do Interior e senador Matteo Salvini, é aliado de Bolsonaro. (ANSA)

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