sexta-feira, outubro 30, 2026

Baixo acesso à internet reforça desigualdades sociais, diz pesquisador

Fabio Storino participou de live do iGDeias nesta terça-feira
Reprodução

Fabio Storino participou de live do iGDeias nesta terça-feira

Atualmente,  18% dos domicílios brasileiros ainda não têm acesso à internet , de acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2021, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). O problema se torna ainda maior quando percebemos que, mesmo dentre aqueles que têm acesso, ainda há muita desigualdade na qualidade.

“Dentro dos 82% de brasileiros conectados, ainda têm aqueles que deixam de fazer alguma coisa porque acabam os dados no meio do mês ou porque a velocidade de internet não permite”, exemplifica Fabio Storino, coordenador da pesquisa TIC Domicílios e analista de informações do Cetic.br|NIC.br, em live realizada pelo portal iG nesta terça-feira (28).

Fabio analisa que o Brasil têm atualmente dois grandes desafios: o primeiro é conectar todas as pessoas à internet, e o segundo é garantir que o acesso chegue a todos com qualidade. “Para chegar a 100% dos brasileiros conectados, nós temos o caminho ainda de garantir a universalização do acesso. Mas o que a pesquisa vem percebendo é que, para além de ter ou não acesso, cada vez mais há uma diferença de qualidade desse acesso entre os que já têm conexão”, comenta.

Na opinião do especialista, a desigualdade na qualidade do acesso à internet “acaba reforçando outras desigualdades sociais” já presentes. Se uma pessoa tem um celular com pouca memória, por exemplo, ela terá menos acesso a aplicativos de serviços governamentais do que outra que tem um celular topo de linha.

Além disso, diferentes pacotes de dados podem dar mais ou menos acesso à internet às pessoas. Quem só tem o WhatsApp, por exemplo, pode estar mais suscetível a cair em redes de desinformação do que quem tem acesso a toda a internet e pode checar as informações recebidas em outras fontes. “Esse tipo de limitação no uso da internet pode ter efeitos muito perigosos na nossa sociedade”, afirma Fabio.

O coordenador da pesquisa ainda comenta que, durante a pandemia de Covid-19, notou-se um aumento no acesso à internet. Em 2019, 71% dos lares brasileiros estavam conectados, taxa que subiu para 82% em 2021. “Mas parte da população, ainda assim, não foi capaz de se conectar”, ressalta Fábio. “Quando a gente pergunta na pesquisa para aqueles que não têm conexão qual é o motivo de não ter, há muitos anos a principal barreira continua sendo o preço”.

Para ouvir a entrevista completa a respeito da desigualdade no acesso à internet no Brasil, confira o episódio do iGDeias no YouTube ou via podcast:



Fonte: IG TECNOLOGIA

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