domingo, novembro 1, 2026

Ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán pede demissão

Ministro deixou cargo por razões políticas
Divulgação/Ministério da Economia da Argentina

Ministro deixou cargo por razões políticas

Depois de muitos meses de desgaste político, devido à crise que atravessa o governo de Alberto Fernández, o ministro da Economia, Martín Guzmán, renunciou ao cargo que ocupava desde o fim de 2019. Na tarde deste sábado (2), Guzmán postou no Twitter uma longa carta endereçada ao presidente.

“Com a profunda convicção e confiança em minha visão do caminho que a Argentina deve seguir, continuarei trabalhando e agindo por uma Pátria mais justa, livre e soberana”, disse ele na carta.

Ele ainda lista os avanços conquistados ao longo de 30 meses no governo, destacando o acordo para sanar o rombo da dívida externa externa, além das medidas adotadas no primeiro ano da pandemia e o crescimento da Argentina em 2021.

Agradece repetidamente ao presidente pela parceria e esforços, mas deixa claro que seu desembarque tem razões políticas.

“O momento pede que quem o Senhor designe assuma as rédeas do Ministério que até hoje tive a honra de comandar. Com base na experiência que tive, considero ser primordial que trabalhe em um acordo político dentro da coalizão governante para que quem me substituir, e que terá essa alta responsabilidade, conte com uma gestão centralizada e com os instrumentos de política macroeconômica necessários para consolidar os avanços descritos e fazer frente aos desafios que virão”, explicou.

Complementando que “isso ajudará a quem me suceder a levar adiante projetos condizentes ao progresso econômico e social com o apoio político que é necessário para que sejam efetivos”.

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Guzman, um economista da Ivy League de 39 anos que conduziu pesquisas na Universidade de Columbia pelo ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, perdeu o apoio este ano da ala de extrema esquerda da coalizão controlada pela vice-presidente Cristina Fernandez de Kirchner. Parlamentares leais a ela no Congresso votaram contra o acordo do FMI que ele negociou, embora o financiamento para o acordo tenha sido aprovado pelo legislativo com amplo apoio.

Kirchner x Fernández 

O momento em que o ex-ministro optou por tornar pública sua decisão coincidiu com o discurso que Cristina Kirchner fazia na cidade de Ensenada, na província de Buenos Aires, renovando suas críticas ao rumo econômico.

A renúncia de Guzmán é uma clara derrota política do presidente Alberto Fernández, em sua disputa permanente e cada vez mais pública e feroz com a vice-presidente. Há menos de um mês, em meio a pressões do kirchnerismo, Fernández afastou o ex-ministro da Produção, Matias Kulfas, que foi substituído pelo ex-embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli.

Tanto Kulfas como Guzmán vinham sendo questionados por Cristina e seus aliados, que culparam a equipe econômica pela derrota do governo nas eleições legislativas de 2021. Com a saída de Guzmán, enquanto os argentinos lutam contra a inflação elevada de mais de 60%, surgem sérias dúvidas sobre a sustentabilidade de Fernández, faltando um ano e três meses para as eleições presidenciais de 2023.

Fonte: IG ECONOMIA

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