domingo, abril 19, 2026

Quem não tem plano de saúde recorre até à ‘vaquinha’ para cirurgia

Vaquinha on-line para cirurgia e seguro para doenças graves a R$ 5, as soluções para quem não tem plano de saúde
Redação 1Bilhão Educação Financeira

Vaquinha on-line para cirurgia e seguro para doenças graves a R$ 5, as soluções para quem não tem plano de saúde

Vaquinha on-line para cirurgia, pacote de consultas médicas virtuais, conta digital para gastos com saúde e seguro para doenças graves a partir de R$ 5. De olho nos 74% dos brasileiros que estão fora da saúde suplementar , novos negócios surgem para oferecer alternativas com a ajuda da tecnologia. Segundo pesquisa da Associação Nacional de Administradoras de Benefícios (Anab), 76% dos quem não têm plano gostariam de ter, mas não podem pagar.

Depois de mais de um ano sofrendo com uma hérnia inguinal, sem nenhuma perspectiva de cirurgia no SUS, o cabeleireiro Thiago Carrasco, de 31 anos, morador de São Bernardo do Campo (SP), viabilizou a operação com uma “vaquinha” virtual, um financiamento coletivo do qual participaram mais de 30 amigos dele. A ferramenta que ele usou foi criada pela healthtech (como são chamadas as startups da área de saúde) Vidia.

Entre no  canal do Brasil Econômico no Telegram e fique por dentro de todas as notícias do dia. Siga também o  perfil geral do Portal iG

“Estava no meio da pandemia, sem renda, já tinha buscado até o hospital público de outra cidade, mas diziam que só operariam se a hérnia estrangulasse. Não aguentava mais sentir dor. Meu marido viu o anúncio de financiamento para cirurgia, mas só mesmo com a opção da “vaquinha” on-line foi viável fazer a operação.”

A Vidia aproveita a ociosidade dos centros cirúrgicos, que chega a 60% em alguns hospitais, para viabilizar procedimentos mais baratos nos horários em que as instalações estão desocupadas. A empresa fecha com hospitais parceiros pacotes com preços fixos para cirurgias de baixa complexidade, como a de Carrasco.

O valor médio — do pré ao pós-operatório — é de R$ 8 mil, que pode ser parcelado em até 24 vezes com cartão de crédito, boletos ou por meio de um financiamento coletivo. 

Desde a fundação, em janeiro de 2021, em São Paulo, a startup já realizou 300 cirurgias com parceiros como o Hospital Oswaldo Cruz e o infantil Sabará. Recentemente, a Vidia chegou ao Rio por meio de uma parceria com a Casa de Saúde São João de Deus, hospital da operadora Samoc.

“Para quem não tem plano havia opção para consultas e exames, mas não para cirurgias. Nosso público é a classe C, mas tem pessoas das classes D e E usando a facilidade de pagamento, contando com a ajuda de amigos para poder sair da fila do SUS. A maioria dos clientes não tem plano de saúde, mas há casos de quem está em período de carência ou quer fazer o procedimento em um hospital com mais estrutura que o oferecido pelo plano”, diz Thiago Bonini, CEO e cofundador da Vidia.

Reserva para saúde

Para Bruno Scaf, diretor Administrativo do grupo Samoc, o modelo abre uma nova fonte de recursos e aumenta o uso das instalações médicas:

“A Samoc tem uma rede verticalizada, que atende exclusivamente clientes da operadora. Com a parceria, abrimos uma nova fonte de receita, o que é sempre importante, prestando serviços para os quais já estamos preparados.”

A healthtech pernambucana Exmed tem outra proposta. O cliente faz aportes em uma conta digital, remunerada com 100% do CDI, para pagamento de consultas médicas, serviços de diagnóstico e procedimentos. Na rede credenciada, chega a pagar um terço do valor da tabela para atendimento particular.

O dinheiro depositado não é carimbado, o consumidor pode sacar e usar para outro fim, mas estimula a formação de uma reserva de emergência. O recomendado pela plataforma é fazer aportes mensais na faixa de R$ 200.

“Já começamos a credenciar rede em São Paulo, na Bahia e no Rio, onde pretendemos chegar até setembro. Em Recife, há mais de mil médicos, três hospitais de referência e grandes redes de diagnóstico credenciadas. Já temos três mil pessoas usando o aplicativo”, diz Sérgio Bivar, CEO da Exmed, que atuou na Saúde Excelsior, operadora regional de saúde vendida para a Amil.

No aplicativo da Exmed, é possível contratar um seguro para cobertura de despesas hospitalares de até R$ 200 mil. A assinatura do app dá direito ainda a consultas virtuais ilimitadas com clínico geral ou pediatra, aproveitando o baixo custo da telemedicina, cujo desenvolvimento foi acelerado pela pandemia. O pacote mensal para uma pessoa de 30 anos começa em R$ 84,96.

À margem da regulação

A seguradora Azos foca no público entre 30 e 45 anos que não tem plano, ainda está na fase de constituir patrimônio, mas já tem responsabilidades familiares. Para esse perfil, a seguradora lançou apólices para doenças graves, que podem ser contratadas separadamente a partir de R$ 5, para cobertura de até R$ 10 mil.

“Na maioria das apólices, você só pode sacar a indenização, por exemplo, se tiver um câncer agressivo. No nosso caso, há um escalonamento de 30%, 50% e 100%, de acordo com a gravidade. Nosso tíquete médio é de R$ 100, o que corresponde a um capital segurado de cerca de R$ 300 mil. É um dinheiro que pode auxiliar no tratamento ou complementar a renda (em caso de doença grave)”, explica Mateus Nicolau, diretor comercial da Azos. 

Na avaliação Adriano Londres, da consultoria Arquitetos da Saúde, o sucesso das iniciativas alternativas aos planos de saúde deixa claro que o consumidor está em busca de produtos mais acessíveis, mas grandes operadoras não têm.

“O consumidor não consegue pagar um plano da maneira que está segmentado. Precisamos refletir sobre isso e discutir uma revisão da segmentação de planos de saúde que caibam no bolso, dar escolhas, ou continuaremos expulsando beneficiários do setor.”

Londres alerta que os novos produtos estão à margem da regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), não devem ser confundidos com planos de saúde:

“É fundamental o consumidor ter clareza do serviço que está contratando.”

A pandemia estimulou o crescimento do hub de saúde das farmácias Pague Menos. Há menos de dois meses a rede relançou um programa que oferece telemedicina com médicos credenciados, apoio nas pequenas clínicas criadas em 906 lojas e cashback para a compra de medicamentos. 

A rede percebeu uma oportunidade de negócios na lacuna de serviços médicos para as classes C e D, autônomos e moradores das regiões Norte e Nordeste, que têm menos opções no setor privado. O programa Sempre Bem Saúde tem três planos mensais, de R$ 9,90 a R$ 34,90.

O mais básico dá acesso a telemedicina ilimitada, que pode ser feita em casa ou na drogaria, com a ajuda do farmacêutico e a infraestrutura da loja. Os outros dois incluem acesso com desconto a 4 mil médicos em clínicas credenciadas e R$ 300 que podem ser gastos em remédios por ano. O mais caro cobre até quatro pessoas.

“Na pandemia, percebemos que a farmácia era o ponto de entrada na saúde para muitas pessoas que não sabiam para onde ir ou tinham medo de ir ao hospital. A partir dessa jornada fizemos um mapeamento para dar mais acesso à saúde”, diz o diretor de Serviços Farmacêuticos da Pague Menos, Albery Dias.

Atrativo para lojas

O plano da rede agora é ampliar o número de especialidades e serviços em conexão com outro projeto da empresa, chamado Clinic Farma. É voltado para testes como os de detecção de Covid-19, dengue, malária, entre outros. Existe desde 2015, mas naturalmente cresceu na pandemia.

Apesar do custo baixo, o vice-presidente de Experiência do Consumidor da rede, Renato Camargo, diz que o programa é lucrativo ao cumprir o principal objetivo: aumentar o movimento nas lojas. Segundo ele, o cliente do Clinic Farma compra 3,6 mais na rede que os demais consumidores:

“Nosso ganho é no tráfego gerado nas lojas, pois o cliente vai circular mais. A gente quer ser um ecossistema de saúde, então temos que ajustar ganhos e equilibrá-los para que o cliente fique com a gente.”


Fonte: IG ECONOMIA

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Alunos de projeto social do CBMMT conquistam nove medalhas em campeonato estadual de Jiu-Jitsu

Alunos do projeto social Bom-Jitsu, iniciativa do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (CBMMT), conquistaram nove medalhas no Campeonato Mato-grossense 2026 de Jiu-Jitsu (GI),...

Arena Pantanal recebe segunda rodada do FIFA Series de futebol feminino nesta terça-feira (14)

A Arena Pantanal, em Cuiabá, recebe, nesta terça-feira (14.4), a segunda rodada do FIFA Series, com confrontos do futebol feminino internacional. A programação começa...

Sine Estadual oferta mais de 2.537 vagas de trabalho nesta semana

O Sistema Nacional de Emprego (Sine-MT), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), está ofertando 2.537 vagas de emprego...

Sejus articula ações com instituições para ampliar vagas e fortalecer sistema prisional em Mato Grosso

A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) sediou, nesta segunda-feira (13.4), uma reunião institucional com representantes do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e...