quinta-feira, junho 11, 2026

Pelé comprou guerra contra Congresso e defendeu negros na política

Pelé e FHC lado a lado em 1995
Reprodução

Pelé e FHC lado a lado em 1995

Em novembro de 1995, o Rei Pelé defendeu que os eleitores brasileiros votassem em candidatos negros para serem deputados, senadores, prefeitos, governadores e vereadores. À época, o ex-jogador ocupava o cargo de Ministro dos Esportes do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Edson Arantes do Nascimento recebeu em seu gabinete membros do Movimento Marcha contra o Racismo e debateu políticas públicas para que jovens negros ocupassem mais espaço na sociedade através do esporte. Durante a conversa, o maior atleta de futebol da história evidenciou sua opinião sobre ter pessoas pretas participando da discussão pública.

Sem papas na língua, Pelé chegou a dizer que “sinônimo de político hoje no Brasil é corrupto” e que “o negro não carrega essa marca”. Por isso garantiu que lutaria para que mais pessoas pretas fossem eleitas para defender projetos em favor da diversidade do país.

“É bem mais fácil você eleger um negro para discutir o problema do negro”, afirmou na ocasião ao conversar com jornalistas da CBN. “Se o negro quer que tenha uma melhora na sua posição social e uma melhora do Brasil de uma maneira geral, temos de botar gente no Congresso para defender a nossa raça”.

Fala de Pelé repercutiu e causou revolta em um grupo de políticos

O posicionamento de Pelé repercutiu em todo o país e representantes do movimento negro ficaram bem satisfeitos com a postura o então Ministro dos Esportes. Porém, houve reação negativa de deputados e senadores. Muitos não gostaram da frase do ex-jogador.

Luís Eduardo Guimarães, que era presidente da Câmara na ocasião, soube poucos minutos depois das falas do rei do futebol e demonstrou incômodo. Ele garantiu que iria enfrentá-lo, mas não explicou na época como combateria o posicionamento do antigo atleta.

“Não acredito que ele (Pelé) tenha dito isso. Mas se disse, vou fazer uma guerra”, esbravejou. Apesar da irritação do deputado, o ex-jogador não se desculpou e sobrou para FHC resolver o problema.

O então presidente da República convidou lideranças do Congresso para conversar e explicou a declaração de Pelé.  Ele o manteve no cargo e deixou claro que estava satisfeito com o posicionamento do rei do futebol.

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Fonte: IG Política

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