sexta-feira, outubro 30, 2026

Medalhista paralímpico crê em mais pódios na bocha nos Jogos de Paris


A divisão dos atletas por gênero nas disputas individuais é a principal novidade da bocha paralímpica no ciclo dos Jogos de Paris (França), em 2024. Até a Paralimpíada de Tóquio (Japão), a separação se dava apenas por classe, com homens e mulheres competindo juntos. Uma mudança que, para o medalhista paralímpico Maciel Santos, será positiva para o Brasil.

“Antes, tínhamos direito a sete medalhas [quatro no individual e três por equipes/pares]. Agora, aumentou [para 11]. Abriram-se novas possibilidades”, disse o cearense de 36 anos, que teve paralisia cerebral no nascimento e foi eleito o melhor atleta da bocha em 2021 no Prêmio Paralímpicos, à Agência Brasil.

A bocha paralímpica é praticada por atletas com grau severo de comprometimento físico-motor. São quatro classes. A BC1 e a BC2 reúnem pessoas que jogam com as mãos ou com os pés. Na BC1 é permitido que um auxiliar entregue as bolas. Na BC3, os jogadores têm apoio de uma calha para direcionar os arremessos e podem usar instrumentos específicos para empurrar a esfera. Na BC4, estão os competidores com lesão medular.

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor-técnico da Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande), Leonardo Baideck, explicou que a World Boccia (federação internacional da modalidade) decidiu dividir os atletas por gênero após observar que os resultados masculinos nas classes em que bola é lançada com a mão eram melhores que os femininos. Em Tóquio, as medalhas individuais das quatro categorias foram para homens. Duas para o Brasil, ambas de prata, com José Carlos Chagas (BC1) e o próprio Maciel (BC2).

Antes da divisão por gêneros, a única brasileira em um top-10 mundial era Evelyn Oliveira, sexta na classe BC3. Depois da mudança, o Brasil passou a ter cinco mulheres entre as dez melhores nas respectivas categorias: Natali de Faria (terceira) na BC2, Evelyn (segunda) e Evani Calado (quarta) na BC3 e Ercileide da Silva (sexta) na BC4.

No masculino, o país tem um top-10 em cada classe. José Carlos é o mais bem colocado, na vice-liderança da BC1. Maciel está em terceiro na BC2. Na BC3, Mateus Carvalho era o 13º antes da divisão por gêneros e subiu para oitavo com o novo ranking. Na BC4, Eliseu dos Santos aparece em quarto lugar.

Campeão nos Jogos de Londres (Reino Unido), em 2012, e prata em Tóquio, Maciel cita a Copa América realizada em dezembro do ano passado, em São Paulo, como exemplo do potencial que o Brasil tem para ir ao pódio no novo formato. Os atletas do país conquistaram dez medalhas individuais: cinco no masculino e cinco no feminino. Ao todo, foram quatro de ouro, três de prata e três de bronze.

“Foi a primeira competição pós-Tóquio nesse novo sistema, mas deu para ver a evolução. Tenho certeza que para o Mundial deste ano, no Rio de Janeiro, chegaremos preparados para buscar o maior número de vagas para Paris 2024”, afirmou Maciel, que já vive a expectativa pela competição marcada para o período de 3 a 14 de dezembro, no Parque Olímpico da Barra, na zona oeste da capital fluminense.

“É muito mais gostoso jogar em casa, mas também a responsabilidade aumenta. Quando entrarmos no Parque Olímpico, virá toda a memória dos Jogos do Rio. Contamos com o apoio da torcida, como foi em 2016”, encerrou o medalhista paralímpico.

Edição: Fábio Lisboa

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Obras da estação do BRT em frente ao Shopping Pantanal entram em fase final

A construção da estação do Sistema BRT em frente ao Shopping Pantanal, em Cuiabá, está na fase final. A estrutura faz parte do conjunto...

PM e PRF apreendem mais de 40 quilos de entorpecentes escondidos em fundo falso de caminhonete

Uma ação integrada entre policiais militares do 13º Comando Regional e a Polícia Rodoviária Federal resultou na apreensão de 43 quilos de entorpecentes diversos,...

Seduc intensifica ações do Projeto Pré-Enem Digit@l MT na reta final para o Exame Nacional do Ensino Médio

A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) prepara uma programação de aulas intensivas para estudantes da 3ª série do Ensino Médio...

Escola de Governo realiza consulta para definir cursos de 2027 e 2028

A Escola de Governo abriu uma consulta aos servidores públicos do Executivo Estadual para identificar e definir cursos de formação e desenvolvimento para 2027...