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Juros altos: Haddad diz que comunicado do Copom foi ‘muito ruim’

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em audiência no Senado
Lula Marques/ Agência Brasil – 27/04/2023

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em audiência no Senado

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou nesta quinta-feira (22) o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que manteve a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (21).

Para Haddad, o comunicado foi “muito ruim” por não ter sinalizado que o ciclo de corte de juros será iniciado na próxima reunião do Copom, marcada para o início de agosto.

“O comunicado, como de hábito, é o quarto comunicado muito ruim. Todos foram ruins. E às vezes ele [Copom] corrige na ata, mas não alivia a situação. Há um descompasso entre o que está acontecendo com o dólar, com a curva de juros, com a atividade econômica. É um claro sinal de que podíamos sinalizar um corte na taxa Selic”, disse Haddad a jornalistas em Paris, na França, onde acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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A ata do Copom será publicada na próxima terça-feira (27), e é mais completa do que o breve comunicado publicado ontem, podendo indicar posicionamentos futuros do colegiado.

Haddad disse também que a manutenção da Selic em patamar elevado – descontada a inflação, a taxa de juros brasileira é a mais alta do mundo – pode aumentar a inflação e a carga tributária futura. “Nós estamos contratando um problema com essa taxa de juros. É isso que essa decisão significa. Está contratando inflação futura e aumento da carga tributária futura. É isso que está sendo contratado”, disse o ministro.

“Eu estou muito preocupado com o que vai acontecer com a vida das pessoas. Nós estamos fazendo um esforço gigantesco de reversão de expectativas desde o começo do ano”, acrescentou Haddad, citando ações da equipe econômica do governo federal, como o arcabouço fiscal e a reforma tributária.

O ministro também citou indicativos positivos da economia brasileira, como a expectativa da agência de classificação de risco S&P, que elevou de estável para positiva a perspectiva para a nota de crédito do Brasil pela primeira vez desde 2019.

“Eu não consigo entender [a decisão do Copom]. Com tudo o que aconteceu esse mês? Eu não vou levantar hipótese sobre a subjetividade das pessoas, o que eu digo é o seguinte: na técnica, eu não consigo entender esse comunicado”, disse Haddad.

Fonte: Economia

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