domingo, novembro 1, 2026

Gestação sem embrião: do diagnóstico ao aborto

Por meio deste exame, é possível identificar a falta do embrião
FreePik

Por meio deste exame, é possível identificar a falta do embrião

A gestação anembrionada (GA), também conhecida como “ovo cego”, ocorre quando um óvulo fertilizado se implanta no útero, mas não se desenvolve (ou para de se desenvolver), é reabsorvido pelo organismo da mãe e deixa o saco gestacional vazio. Ou seja, uma gravidez sem bebê.

Entre no canal do iG Delas no Telegram e fique por dentro de todas as notícias sobre beleza, moda, comportamento, sexo e muito mais!

“Muitas vezes, ocorre tão cedo que a mulher nem chega a saber que estava grávida”, afirma Carlos Moraes, ginecologista e obstetra pela Santa Casa/SP, membro da FEBRASGO e especialista em Perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein.

O que ocorre na gestação anembrionada

Quando uma mulher engravida, o óvulo fertilizado se liga à parede uterina. Ao redor de cinco ou seis semanas de gravidez, um embrião deve estar presente. Nesse momento, o saco gestacional (onde o feto se desenvolve) tem cerca de 18 milímetros de largura. Na GA, o saco gestacional se forma e cresce, mas o embrião não se desenvolve.

No entanto, a gestante tem os mesmos sinais e sintomas de uma gravidez normal: teste de gravidez positivo, atraso na menstruação, náuseas, sonolência, vômitos, entre outros.

“Isso acontece porque há produção do HGC (gonadotrofina coriônica), hormônio produzido pela placenta após a implantação. A placenta pode crescer por um breve período de tempo, mesmo quando um embrião não está presente”, frisa Carlos Moraes, que também é especialista em Infertilidade e Ultrassom em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO, e médico nos hospitais Albert Einstein, São Luiz e Pro Matre.

O que causa a gestação anembrionada

Não há uma causa específica para a GA, embora alguns fatores podem contribuir para a condição: alterações cromossômicas do óvulo fertilizado, baixa qualidade do esperma ou do óvulo, divisão celular anormal e causas genéticas. Em um determinado momento, o corpo reconhece essa anormalidade e interrompe a gravidez.

Sintomas

Quando a produção de HCG é interrompida, a gestante pode apresentar sinais de abortamento:

– Cólicas abdominais moderadas a intensas

– Sangramento vaginal de leve a moderado

– Interrupção dos sintomas gestacionais (náuseas, tontura, sonolência)

Segundo o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, 20% dos abortos espontâneos estão associados à gestação anembrionada. “Vale lembrar que nem todo sangramento no primeiro trimestre termina em aborto. Portanto, não deixe de consultar o seu médico imediatamente se tiver algum destes sinais”, alerta Carlos Moraes.

Diagnóstico e procedimentos

A gravidez anembrionada é diagnosticada logo nas primeiras semanas de gestação, no início do pré-natal, quando é solicitado o ultrassom transvaginal. Por meio deste exame, é possível identificar a falta do embrião e da vesícula vitelínica no interior do saco gestacional.

O ultrassom transvaginal é normalmente realizado a partir da 7ª semana de gestação. Em caso de suspeita da GA, o exame deve ser repetido após 7 ou 10 dias para confirmar o diagnóstico.

O procedimento deve sempre ser discutido entre paciente e médico. “Algumas mulheres optam por realizar a dilatação do colo uterino e posterior curetagem ou a aspiração a vácuo (remoção do conteúdo uterino), com eficácia próxima a 100%. A complicação mais frequente é a infecção, que pode estar presente em até 10% dos casos”, explica Carlos Moraes.

Segundo o ginecologista, há também a opção de uso do misoprostol. No entanto, o medicamento pode levar vários dias para o corpo expulsar todo o tecido gestacional, além de causar mais sangramento e efeitos colaterais, como dores abdominais intensas.

Acompanhe também perfil geral do Portal iG no Telegram !

“Há ainda quem prefira optar pela conduta expectante, quando o corpo expulsa o tecido por si só. Após o aborto, o médico pode recomendar que você espere, pelo menos, de um a três ciclos menstruais antes de tentar engravidar novamente, dependendo do procedimento escolhido na GA. Por fim, é importante a mulher entender que não fez nada de errado para causar esse aborto e, provavelmente, não poderia ter evitado”, finaliza Carlos Moraes.

Fonte: Mulher

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Obras da estação do BRT em frente ao Shopping Pantanal entram em fase final

A construção da estação do Sistema BRT em frente ao Shopping Pantanal, em Cuiabá, está na fase final. A estrutura faz parte do conjunto...

PM e PRF apreendem mais de 40 quilos de entorpecentes escondidos em fundo falso de caminhonete

Uma ação integrada entre policiais militares do 13º Comando Regional e a Polícia Rodoviária Federal resultou na apreensão de 43 quilos de entorpecentes diversos,...

Seduc intensifica ações do Projeto Pré-Enem Digit@l MT na reta final para o Exame Nacional do Ensino Médio

A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) prepara uma programação de aulas intensivas para estudantes da 3ª série do Ensino Médio...

Escola de Governo realiza consulta para definir cursos de 2027 e 2028

A Escola de Governo abriu uma consulta aos servidores públicos do Executivo Estadual para identificar e definir cursos de formação e desenvolvimento para 2027...