segunda-feira, outubro 26, 2026

Gasolina cara faz motoristas de app e táxis desligarem ar-condicionado


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Clientes reclamam de calor na viagem
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Clientes reclamam de calor na viagem

A alta da gasolina acabou com um dos poucos subterfúgios para fugir das altas temperaturas: o ar-condicionado no táxi ou na corrida por aplicativo de Uber ou 99. Na internet, multiplicam-se os relatos em cidades como Cuiabá, Natal e principalmente no Rio, de quem buscava, além do transporte, um refresco e aquela sensação de isolamento do trânsito.

Mas a rotina para quem recorre ao serviço tem sido de calorão ao som do engarrafamento a plena potência. Foi o caminho encontrado pelos motoristas para fazer a gasolina a R$ 8 caber no orçamento.

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As justificativas dos motoristas são várias: o aparelho está quebrado, as regras do aplicativo ou da prefeitura determinam andar com vidros abertos por causa da pandemia. Os clientes ponderam, porém, que parte dos profissionais já não usa máscara (especialmente em cidades onde já foram liberadas).

Motoristas da Uber relatam que, com o atual preço da gasolina, os carros da categoria X não ligam mais o ar-condicionado, mas a informação não consta no aplicativo. Procurada, a Uber não respondeu até o fechamento desta edição.

No Rio, táxi tem que ligar o ar

No caso do Rio, a Secretaria Municipal de Transportes esclarece que ônibus e táxis licenciados devem ligar o ar-condicionado sempre que solicitado pelo passageiro. E que a inoperância ou mau funcionamento é uma infração média. 

Em relação aos aplicativos, a secretaria explica que a atividade não é regulamentada, portanto, em caso de insatisfação, o usuário deve reclamar com as empresas.

O aplicativo Táxi.Rio Cidades corrobora a autorização da prefeitura e afirma que é facultado apenas ao passageiro a opção das janelas abertas. A 99 informou, por nota, que os motoristas podem usar o ar-condicionado, mas não deixou clara a orientação no caso de o passageiro solicitar que o aparelho seja ligado.

O calorão, obviamente, não é só do lado do passageiro. Muitos motoristas agora rodam com o tanque na reserva e alguns afirmam que pensam em desistir do trabalho em razão do aumento de custos. As empresas reviram suas práticas diante da escalada dos preços nas bombas. 

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A Uber deu reajuste de 6,5%, e a 99 vai pagar aos motoristas um adicional de R$ 0,10 a mais por quilômetro a cada real de aumento da gasolina. Os motoristas, porém, afirmam que o auxílio não cobre o aumento de despesa.

Mas, no fim das contas, suportar o calorão faz tanta diferença no bolso? No máximo, 10%. Segundo Renato Passos, engenheiro mecânico especializado na gestão e manutenção de frotas, o que consome mais é ficar ligando e desligando a toda hora.

Para entender o impacto no bolso, ele dá o exemplo de uma corrida de 30 quilômetros em um carro de passeio, ano 2015, que faz 11,5km por litro de gasolina, a R$ 7,73 (média do Rio): — Sem ar, o preço da viagem ficaria em R$ 19,17. Com ar, R$ 20,17. Diferença de apenas R$ 1.






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