sexta-feira, novembro 6, 2026

Em comissão, governo anuncia R$ 1,6 bi para medicamentos contra hemofilia

A coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde (MS), Joice Aragão, anunciou durante audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) sobre o Dia Mundial da Hemofilia (17 de abril) que a pasta dispõe de R$ 1,6 bilhão para a compra de medicamentos procoagulantes, usados no tratamento de pacientes que sofrem da doença. A hemofilia é um distúrbio genético e hereditário que afeta a coagulação do sangue. 

O anúncio foi comemorado pelo presidente da CDH, Paulo Paim (PT-RS), e pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Para Paim, o simples anúncio desse orçamento no auxílio aos brasileiros que lutam contra a doença “já justifica a ocorrência desta audiência”. Já Damares lembrou que foi ministra durante o governo Jair Bolsonaro e, “por conhecer as dificuldades da gestão”, também considera uma vitória o Estado poder investir o valor anunciado  na compra dos medicamentos.

— Seu anúncio traz esperança para milhares de famílias. Torço muito para que o ministério tenha sucesso nessa missão, contem com a CDH sempre no reforço orçamentário, porque o que importa é atender as milhares de famílias que precisam destes medicamentos — frisou a senadora.

Aragão acrescentou que o tratamento das hemofilias realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é considerado um programa-modelo para países em desenvolvimento. Os remédios são comprados e distribuídos mensalmente aos serviços estaduais de tratamento, que acompanham os pacientes do diagnóstico até o apoio aos familiares. A técnica acrescentou que uma recente publicação do Haemophilia Journal mostrou a queda da mortalidade de pacientes com hemofilia no Brasil nos últimos anos, “o que provavelmente reflete a instituição dessas ações”, disse.

Melhora de cenário

A presidente da Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), Tania Pietrobelli, destacou que desde 1976 a entidade atua em parceria com o ministério e a comunidade científica para a melhoria da política nacional de atenção e tratamento das mais de 28 mil pessoas com coagulopatias hereditárias.

De acordo com ela, o quadro atual de tratamento, ainda que enfrente “enormes desafios”, apresenta incrementos em comparação a 2010. Há cerca de 15 anos, disse, era frequente o desabastecimento de remédios nos hemocentros. Mas políticas adotadas a partir de 2011 relacionadas à imunotolerância, por exemplo, reduziram custos do governo e diminuíram o risco de sequelas em pacientes.

Tania também destacou o incremento das políticas de profilaxia primária, que previne a ocorrência de sangramentos, preservando os músculos e articulações de deformidades físicas e outras complicações. 

Em relação às políticas de profilaxia secundária e terciária, o abastecimento dos medicamentos está garantido com o estoque disponível de Fatores VIII e IX, que previnem a ocorrência de sangramentos, preservando os músculos e articulações das deformidades físicas em pacientes maiores de quatro anos.

Segundo a presidente da FBH, a fundação luta agora pela inclusão de novas terapias para hemofilia A e hemofilia B que sejam de longa duração, monoclonais e com terapias gênicas.

A importância da profilaxia

O representante da Federação Mundial de Hemofilia (FMH), Cesar Garrido, disse que mais de 75% das cerca de 800 mil pessoas que vivem com hemofilia em todo o mundo não são diagnosticadas. E a grande maioria dos diagnosticados, afirmou, não tem acesso ao tratamento e atenção integral. Apesar do cenário, novas terapias revolucionarão o tratamento nos próximos anos, criando oportunidades, “mas também disparidades potencialmente maiores”, segundo Garrido.>

O representante da FMH detalhou que, ao contrário da terapia sob demanda, que é uma resposta reativa à interrupção de um sangramento, a profilaxia é administrada para prevenir o problema.

— O tratamento profilático causa 30% menos danos articulares, 73% menos dias de trabalho ou escola perdidos, 74% menos doentes adultos em situação de desemprego, 89% de redução nas emergências médicas, 83% na redução das hospitalizações e 74% de redução no custo anual de tratamento por paciente — concluiu Garrido.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Obras da estação do BRT em frente ao Shopping Pantanal entram em fase final

A construção da estação do Sistema BRT em frente ao Shopping Pantanal, em Cuiabá, está na fase final. A estrutura faz parte do conjunto...

PM e PRF apreendem mais de 40 quilos de entorpecentes escondidos em fundo falso de caminhonete

Uma ação integrada entre policiais militares do 13º Comando Regional e a Polícia Rodoviária Federal resultou na apreensão de 43 quilos de entorpecentes diversos,...

Seduc intensifica ações do Projeto Pré-Enem Digit@l MT na reta final para o Exame Nacional do Ensino Médio

A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) prepara uma programação de aulas intensivas para estudantes da 3ª série do Ensino Médio...

Escola de Governo realiza consulta para definir cursos de 2027 e 2028

A Escola de Governo abriu uma consulta aos servidores públicos do Executivo Estadual para identificar e definir cursos de formação e desenvolvimento para 2027...