quinta-feira, maio 14, 2026

Comissão quer federalizar investigações sobre mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips

A comissão temporária que investiga os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, no dia 5 de junho, aprovou nesta quarta-feira (6) o relatório sobre a diligência em Atalaia do Norte (AM) e Tabatinga (AM), feita na semana passada. Com base no relatório, a comissão vai pedir à Justiça Federal e ao Ministério Público a federalização das investigações.

O colegiado também defenderá que a apuração sobre o assassinato do funcionário da Funai Maxciel Pereira, em 2019, sejam anexados à investigação, assim como dados sobre as ameaças relatadas desde o início do ano no Vale do Javari, onde ocorreram as mortes de Bruno e Don. De acordo com o relator da comissão, Nelsinho Trad (PSD-AM), que recentemente se reuniu com o procurador-geral da República, Augusto Aras, o Ministério Público Federal tem o mesmo entendimento sobre a federalização das investigações.

Segundo o vice-presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES), que assumiu a relatoria após Trad apresentar sintomas de covid, a comissão está atenta especialmente, à eventual coordenação de mandantes nas mortes de Dom e Bruno.

— Há uma gritante ausência do Estado brasileiro na região, cuja economia é em grande parte dominada pelo poder do tráfico de drogas e da exploração ilegal dos recursos naturais das terras indígenas, como minerais, madeira, pescado e caça. O crime exerce um controle de fato sobre as atividades, que envolvem o financiamento de expedições, cujos elevados custos com combustível, embarcações, mantimentos e outros insumos são demasiadamente caros para que possam ser suportados pelos humildes habitantes daquele local. Mesmo a morte e o ocultamento dos corpos e pertences de Dom e Bruno envolveram os esforços de várias pessoas, o que desperta um justificado receio de que tenha havido coordenação e um mandante — disse Contarato.

Na próxima semana, a comissão vai se reunir com familiares de Bruno e Dom e com o subprocurador-geral da República Carlos Frederico, indicado para a investigação do caso.

O presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que os senadores constataram pessoalmente o abandono do Vale do Javari pelo Estado brasileiro. Uma situação que traduz, segundo ele, uma política deliberada do atual governo de desmonte das estruturas de fiscalização na Amazônia.

— Ficamos particularmente impressionados com as ameaças que existem aos povos indígenas isolados e aos povos indígenas como um todo. O Estado, por opção, deixou de existir no Vale do Javari. Não existe Ibama, os indigenistas são ameaçados, o contingente da Polícia Federal é pequeno. A Amazônia foi liberada para todos os tipos de crimes, foi entregue a criminosos — lamentou Randolfe.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mostra Estadual de Ciências e Tecnologia terá etapas regionais para ampliar participação de estudantes

Em 2026, a XVIII Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI), promovida pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT), será...

Comitê da Sedec debate plano nacional de fertilizantes e aprova comissão de fertilidade do solo

O Comitê Gestor de Fertilizantes e Bioinsumos de Mato Grosso, presidido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), realizou, nesta terça-feira (12.5), a 2ª reunião...

IPVA com desconto de 3% para veículos com placas finais 8, 9 e 0 pode ser pago até dia 20 de maio

Proprietários de veículos com placas com finais 8, 9 e 0 têm até o dia 20 de maio para pagar o Imposto sobre Propriedade...

Governo de MT realiza obras para recuperar asfalto da Avenida Jurumirim em Cuiabá

O Governo de Mato Grosso recupera o asfalto da Avenida Jurumirim, em Cuiabá. As obras já estão em andamento e recebem um investimento de...