sábado, maio 16, 2026

Anatel vai rever aprovação da venda da Oi Móvel para Claro, TIM e Vivo


source
null
Reprodução/ Época

undefined


A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai rever a  aprovação da venda da rede de telefonia móvel da Oi para as operadoras Claro, TIM e Telefônica (dona da marca Vivo), de acordo com fontes a par da operação.

A avaliação é que a decisão, no último dia 01 de fevereiro, possa não ter validade legal. Por isso, a anuência prêvia para a compra de R$ 16,5 bilhões deverá ser considera nula.

Não há uma data ainda para que o Conselho Diretor do órgão regulador se reúna para decidir o futuro da venda da Oi Móvel. Ou seja, uma decisão oficial ainda deve levar tempo.

Mas já é certo que o processo tende a atrasar e ficar para depois do primeiro trimestre deste ano, fora do prazo original estipulado pela 7ª Vara Empresarial da Justiça do Rio para encerrar o processo de recuperação judicial da tele carioca.

Em paralelo, o Cade, que regula a concorrência no país, também analisa o processo. Fontes dizem que na semana passada as teles enviaram nova proposta ao órgão que regula a concorrência para evitar que o negócio seja rejeitado.

O imbróglio começou na última quinta-feira quando a Copel enviou à Anatel uma petição pedindo que a anuência prévia dada ao negócio seja “anulada”. Segundo o documento ao qual O GLOBO teve acesso, a Copel argumenta que as reuniões são ilegais.

Copel aponta coleção de problemas formais

São vários impasses, destacam as fontes. Primeiro, no dia 28 de janeiro, quando foi marcada a primeira reunião no Conselho da Anatel para tratar da Oi, o conselheiro Emmanoel Campelo, na condição de presidente interino da agência, deveria ter convocado a superintente mais antiga ( Elisa Leonel) para presidir a sessão, o que não foi feito.

Depois, no dia 31, Campelo deveria ter convocado para a reunião outro conselheiro, Wilson Diniz Wellisch, que já havia sido nomeado presidente interino da Anatel, e também não foi feito.

Além disso, outro ponto de discussão é que a reunião do dia 31 de janeiro, que havia sido suspensa após um pedido de vista pelo conselheiro Vicente Bandeira de Aquino Neto e adiada para 10 de fevereiro, acabou sendo convocada para o dia 1º de fevereiro pelo próprio Campelo, quando o processo foi aprovado por unanimidade.

No documento assinado por Adriana Losito, gerente jurídica da Copel Telecom, a empresa diz que as reuniões do Conselho “ocorreram apenas com os Conselheiros Emmanoel Campelo de Souza Pereira, Carlos Manuel Baigorri, Vicente Bandeira de Aguino Neto e Moíses Queiroz Moreira. De modo que, como se vê, o novo Conselheiro da Anatel Wellish não participou das deliberações e das votações correspondentes”.

A tele diz ainda que “de forma mais grave o conselheiro Emmanoel Campelo de Souza Pereira exerceu a função de presidente maculando de ilegalidade irremediavelmente as deliberações e decisões do Colegiado nessas ocasiões”.

Anatel diz que atos ‘permanecem válidos’

Em nota divulgada por volta das 20h desta segunda-feira, a Anatel disse que sempre se pautou pela legalidade e transparência de seus atos.

Leia Também

Afirmou ainda que, “até que haja a decisão final sobre o citado caso, todos os atos praticados pela Anatel presumem-se legais e permanecem válidos”.

Movimentação do empresário Nelson Tanure

Por trás da investida da Copel Telecom no negócio está o empresário Nelson Tanure, que é um investidor na companhia através do fundo Bordeaux.

Além da Copel, o fundo também controla a Sercomtel. Ambas as empresas foram adquiridas pelo fundo em 2020. Há alguns anos, o empresário tentou, como acionista minoritário, assumir o controle da Oi, mas não obteve sucesso.

O pleito da Copel caiu como uma “bomba” dentro do governo. Isso porque a avaliação junto a fontes a par do assunto é de que muito provavelmente Nelson Tanure ganhe essa disputa.

Especialistas do setor ouvidos pelo GLOBO são unânimes em concordar com a nulidade das deliberações lideradas por Campelo. Segundo uma fonte ligada ao governo, o conselheiro Campelo “deveria ter convocado o substituto, mas não fez”.

Por isso, a leitura de que as reuniões da Anatel não valeram. Dentro do órgão regulador já está claro que a decisão não terá validade, disse outra fonte.

Negócio de Elon Musk deve ser suspenso

Segundo fontes a par do processo, a reavaliação do caso envolvendo a Oi deve demorar. Isso porque as partes terão de ser notificadas, um novo relator terá de ser nomeado e terá que se discutir quais as ilegalidades cometidas pelo conselheiro Campelo.

Segundo uma fonte, o episódio foi visto como uma grande “confusão”. Com isso, também pode ser anulada a aprovação dos direitos de exploração de satélites da SpaceX, comandada pelo bilionário Elon Musk, e da empresa Swarm.

Dentro da Anatel, a avaliação é que a venda da operação móvel da Oi foi feita com base na “lei de telecomunicações”, o que não deve gerar grandes impasses.


Porém, fontes vêm mostrando preocupação com o parecer do Ministério Público Federal (MPF) no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que deu um parecer contrário ao negócio .

O MPF recomendou a abertura de processo administrativo para apurar se houve conduta concertada entre as empresas, com a exclusão de outras companhias interessadas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Governo de MT sanciona lei e mantém congelamento do Fethab até dezembro

O governador Otaviano Pivetta sancionou a lei que mantém até 31 de dezembro de 2026 o congelamento dos valores do Fundo Estadual de Transporte...

Força Tática prende mulher com 11 tabletes de supermaconha em General Carneiro

Policiais militares da Força Tática do 5º Comando Regional prenderam, nesta sexta-feira (15.5), uma mulher de 22 anos, suspeita por tráfico ilícito de drogas,...

Polícia Militar forma 25 militares no 10º Curso de Operações Rotam em Cuiabá

A Polícia Militar de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (14.5), a formatura de 25 policiais militares que concluíram o 10º Curso de Operações Rotam...

Politec disponibiliza pagamento via Pix para emissão de documentos e certidões

A Pericia Oficial e Identificação Técnica (Politec) passou a disponibilizar o pagamento via PIX para emissão de documentos e certidões, trazendo mais agilidade e...