sexta-feira, outubro 30, 2026

Veja quando a mentira deixa de ser saudável e se torna uma doença

Veja quando a mentira deixa de ser saudável e se torna uma doença
Redação EdiCase

Veja quando a mentira deixa de ser saudável e se torna uma doença

No dia 01 de abril, é celebrado o “Dia da Mentira”. Trata-se de uma tradição entre os países ocidentais, como o Brasil, e a data é dedicada a pregar peças e brincadeiras em outras pessoas por meio da mentira. No entanto, apesar da diversão, o ato de mentir pode tornar-se um hábito prejudicial à saúde. De acordo com o neurocirurgião e neurocientista Dr. Fernando Gomes, existe um circuito cerebral responsável por esta ação que é capaz de criar um fato e, ao mesmo tempo, ter a noção do perigo dessa inverdade.

A psiquiatra Dra. Jéssica Martani, especialista em comportamento humano, explica que a mentira é um comportamento normal das pessoas e, muitas vezes, até necessária para a vida em sociedade. Porém, afirma que também pode esconder doenças psíquicas em alguns casos.

Ação do senso crítico na mentira

Para o Dr. Fernando Gomes, os lobos frontais no cérebro são os grandes responsáveis pela manipulação dos pensamentos, que representam uma importante aquisição neurobiológica da espécie humana. “É nesta região onde a decisão de omitir um fato, criar uma história ou mentir, acontece. Bem perto dali, o nosso senso crítico, famoso juízo ou bom senso, também habita, nos mesmos lobos frontais, e nos permite escutar o nosso bom senso”, explica.

Claro que existem pessoas que vivem mais no mundo da fantasia e criam tantas mentiras que acabam acreditando nelas. É aí que mora o perigo. “De fato, usar o cérebro para aumentar e imaginar histórias ajuda a aumentar a criatividade, mas é importante fazer isso com cautela. Brincar de mentir é saudável, só não pode ultrapassar as barreiras e acreditar naquilo que não existe de verdade”, completa o neurocirurgião.

Mentiras sociais

Para a psiquiatra Dra. Jéssica Martani, as chamadas “mentiras sociais” são aquelas, por exemplo, que falam que o cabelo da amiga ficou ótimo quando, na verdade, não ficou, e não são problemas de saúde psíquica , desde que não tragam danos sérios para outras pessoas. A especialista ainda explica que a mentira é um comportamento normal, por isso não se pode considerar todas as mentiras da mesma forma e com o mesmo peso.

“No entanto, como qualquer outro comportamento, se for excessivo e se causar prejuízo ou sofrimento (ao mentiroso ou ao outro), pode-se dizer que o mentir é patológico. Além disso, deve-se levar em consideração os sentimentos, pensamentos e propósitos que acompanham a mentira”, diz a psiquiatra.

Mentiras compulsivas

O mentiroso compulsivo sempre sabe, no fundo, que o que ele diz não é totalmente verdadeiro, embora não possua consciência plena da intenção de cada conto. “A mentira patológica ou mitomania tem como principal característica a tendência incontrolável de contar mentiras, desde pequenos detalhes a histórias fantasiosas. No caso do mitômano, as mentiras não são para ‘levar vantagem’ ou ‘enganar’ a mentira do mitômano, muitas vezes elas também podem esconder doenças psíquicas e uma personalidade fragilizada que precisa de ajuda médica”, alerta a Dra. Jéssica Martani.

Motivos que levam uma pessoa a mentir

Na infância

Devido à imaturidade mental, as crianças podem mentir com alguma recorrência, e muitas apresentam dificuldade de enfrentar frustrações e críticas. Por isso, acabam mentindo para os pais na tentativa de preservar sua autoimagem. Essa característica só assume um caráter patológico quando a criança é inclinada à mitomania e constata que sua mentira pode ser entendida como verdade sem nenhuma consequência negativa associada.

Por outro lado, um sentimento de prazer e de poder pode facilmente incitá-la a repetir o mesmo comportamento. À medida que os colegas acreditam em suas histórias e ela começa a se sentir aceita e interessante, o mitômano passa a contar cada vez mais histórias incríveis e a tornar disso um hábito com a repetição do comportamento de mentir sem nenhuma finalidade específica. Esse distúrbio pode ter origem na baixa autoestima da criança e na supervalorização de suas crenças, com o não enfrentamento da angústia ou a frustração associada a uma situação.

Na vida adulta

Durante a maturidade, as pessoas podem mentir por diferentes motivos e existem vários tipos de inverdades, como:

  • Mentira convencional: é aquela que faz as pessoas dizerem “bom dia” às outras sem que se esteja realmente desejando que elas tenham um bom dia;
  • Mentira carinhosa: faz os adultos inventarem histórias como o Papai Noel para alegrar as crianças;
  • Mentira bondosa: consola um familiar à beira da morte, com um “vai ficar tudo bem!”;
  • Mentira do bem : quando, por exemplo, alguém pergunta se a outra pessoa gostou do seu novo corte de cabelo e essa diz que sim, mesmo não tendo gostado. Nesse caso, a verdade seria uma tremenda grosseria e não traria benefício nenhum.

Além dessas mentiras sociais, também existem aqueles que floreiam uma história ao contá-las, para torná-la mais engraçada ou atrair a atenção dos espectadores. Todas essas mentiras são comuns e não são consideradas ruins, justamente por serem esporádicas e não causarem prejuízo ao outro.

Por Mayra Barreto Cinel

Fonte: Saúde

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