sexta-feira, abril 24, 2026

Veja como foi o 3° dia de julgamento de Flordelis

Flordelis e mais quatro réus são julgados no Tribunal do Júri, em Niterói
Pedro Ivo/Agência O Dia

Flordelis e mais quatro réus são julgados no Tribunal do Júri, em Niterói

O terceiro dia de julgamento de Flordelis e outros quatro réus pela morte do pastor Anderson do Carmo , que ocorreu nesta quarta-feira (10), contou com o depoimento de outras quatro testemunhas, sendo: Raquel da Silva, neta da ex-deputada e também filha de Carlos Ubiraci, um dos envolvidos no crime e já julgado; Dayane Freires, filha adotiva, que trabalhava como tesoureira na igreja; Daniel dos Santos de Souza, filho adotivo; e Luana Vedovi Rangel Pimenta, nora de Flordelis e casada com Wagner Pimenta, também conhecido como Misael, filho adotivo. A sessão terminou por volta das 21h, e um pouco antes, a filha biológica da pastora, Simonte Santos, ré no processo, passou mal e saiu do júri carregada por dois policiais militares, sendo atendida por uma equipe do Serviço Móvel de Urgência (Samu) logo em seguida.

Além de Flordelis e da filha biológica, também estão sendo julgados Rayane dos Santos Oliveira, neta; e Marzy Teixeira da Silva e André Luiz de Oliveira, filhos adotivos.  O julgamento também foi marcado por um conflito entre a defesa dos réus e o Ministério Público (MPRJ).

O júri precisou ficar em pausa porque a advogada de defesa Janira Rocha pediu para incluir a jornalista autora do livro “O Plano Flordelis: Bíblia, filhos e Sangue”, Vera Araújo, como testemunha, e a juíza teve que redigir a inclusão. Foi neste momento, que a filha biológica da ex-parlamentar passou mal.

A autora foi convocada pela defesa de Flordelis, após o promotor Décio Viegas, que faz parte da banca do MPRJ, usar trecho do livro em que a advogada Janira é citada: “A advogada conta que, com a ajuda de Paula do Vôlei, usou a própria experiência de vida para persuadir algumas das “filhas” de Flordelis a tornar públicas as investidas supostamente promovidas pelo pastor. Para criar empatia, a advogada abordava o assunto com elas revelando que havia sofrido abuso por parte do avô aos 8 anos”, dizia o trecho.

A advogada, no entanto, se pronunciou e alegou que o que o MPRJ sugeriu que ela poderia está influenciando a testemunha, o que não seria verdade. A juíza, no entanto, indeferiu a convocação da jornalista Verá Araújo e também decretou uma multa de 15 salários mínimos para toda a equipe de defesa da Flordelis. A juíza Nearis finalizou sua decisão dizendo que, caso houvesse a dissolução da defesa, os réus teriam cinco dias para apresentar uma nova equipe de advogados. Caso contrário, a justiça iria indicar a Defensoria Pública.

Depois da fala da magistrada, a advogada Janira Rocha, pivô da confusão, pediu a palavra e negou a dissolução da equipe. No fim, ela ainda afirmou que o juízo estava sendo parcial.

Durante os depoimentos desta quarta (9) Flordelis se manteve, a maior parte do tempo, de cabeça baixa e com a mão na boca. Estiveram no Fórum, a mãe da pastora Calmozina Motta e o namorado Allan Soares, com quem assumiu o namoro em junho de 2021, semana antes de ser presa, ele é 25 anos mais jovem que a ex-deputada. Depoimentos

O primeiro depoimento do dia foi o de Luana Vedovi Rangel Pimenta, mulher de Wagner Pimenta, o Misael, filho adotivo da ex-deputada. Em sua oitiva, a testemunha de acusação afirmou que a sogra exercia grande influência sobre os familiares e que conseguiu fazer com que grande parte deles a apoiassem durante as investigações do crime e do processo.

A segunda testemunha a depor, foi Daniel dos Santos de Souza, filho adotivo de Flordelis. Ele relatou que, no dia do crime, ouviu cerca de seis tiros disparados em um pequeno intervalo de tempo e que escutou a ex-deputada gritando que teriam matado seu marido. Daniel também descreveu a atitude da mãe ao saber da morte do marido: “Ela não teve reação, foi mais um teatro”. Enquanto relatava os acontecimentos, a ex-deputada chorava e cobria o rosto, sendo amparada pelos advogados em vários momentos da oitiva. O depoimento foi realizado por videoconferência, pois ele alegou possuir sentimentos pelos réus.

A terceira testemunha a depor foi a filha adotiva do casal Dayane Freires, que trabalhava como tesoureira na igreja da ex-deputada. Ela falou sobre a relação da família e citou uma situação de abuso sexual que supostamente teria sido cometida pelo pastor contra Kelly, outra filha adotiva. Dayane contou ainda que Flordelis sabia que o marido alisava as meninas.

A última testemunha a depor nesta quarta-feira (9) foi a neta de Flordelis, Raquel Silva, também filha de Carlos Ubiraci, um dos envolvidos no crime e já julgado. Em depoimento, ao ser questionada pelo Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), sobre como foi o comportamento da ex-deputada após o falecimento do pastor Anderson do Carmo, ela alegou que foi de fingimento, pois a avó parecia estar satisfeita com a situação: “Ela estava bem calma. A cara dela, aliás, era de satisfação. Teve até umas ligações que ela fez, em que ela fingiu choro e depois ficava tudo normal”, lembrou.

Na terça-feira (8), durante segundo dia de oitivas, prestaram depoimento o inspetor da DHNSGI, Tiago Vaz de Souza, que atuou nas investigações quando o delegado Allan Duarte assumiu o caso, e os filhos adotivos Alexsander Felipe Matos Mendes, o Luan, e Wagner Pimenta, batizado por ela como Misael.

Já durante o primeiro dia de julgamento, nesta segunda-feira (7), foram ouvidos a delegada Bárbara Lomba, que iniciou as investigações quando era titular da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), o delegado Allan Duarte, responsável pela conclusão do inquérito e Regiane Ramos Cupti Rabello, chefe de Lucas dos Santos de Souza, um dos filhos adotivos da pastora, já condenado por participação no crime.

Novos depoimentos serão colhidos nesta quinta-feira (10). Isso porque das 29 testemunhas arroladas, apenas 10 já foram ouvidas. Esse número pode aumentar ou diminuir, com base nas estratégias dos advogados.

Acusações

Flordelis é acusada de ser a mandante do crime e poderá responder por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

Já a filha biológica, Simone dos Santos Rodrigues, e os filhos adotivos Marzy Teixeira da Silva e André Luiz de Oliveira poderão responder por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa armada. Enquanto, a neta Rayane dos Santos Oliveira, por homicídio triplamente qualificado e associação criminosa armada.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Política

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Alunos de projeto social do CBMMT conquistam nove medalhas em campeonato estadual de Jiu-Jitsu

Alunos do projeto social Bom-Jitsu, iniciativa do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (CBMMT), conquistaram nove medalhas no Campeonato Mato-grossense 2026 de Jiu-Jitsu (GI),...

Arena Pantanal recebe segunda rodada do FIFA Series de futebol feminino nesta terça-feira (14)

A Arena Pantanal, em Cuiabá, recebe, nesta terça-feira (14.4), a segunda rodada do FIFA Series, com confrontos do futebol feminino internacional. A programação começa...

Sine Estadual oferta mais de 2.537 vagas de trabalho nesta semana

O Sistema Nacional de Emprego (Sine-MT), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), está ofertando 2.537 vagas de emprego...

Sejus articula ações com instituições para ampliar vagas e fortalecer sistema prisional em Mato Grosso

A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) sediou, nesta segunda-feira (13.4), uma reunião institucional com representantes do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e...