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	<title>Arquivos climatico - FATO MT</title>
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	<title>Arquivos climatico - FATO MT</title>
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		<title>Lula critica FMI e pede que banco Brics tenha viés social e climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Apr 2023 15:16:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ricardo Stuckert Ex-presidente assumiu o posto formalmente nesta quinta-feira (13) Na posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB na sigla em inglês), em Xangai, na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao modelo tradicional de financiamento de instituições financeiras internacionais. O NDB, também conhecido como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><meta name="robots" content="noindex"><mreta name="googlebot" content="noindex"></p>
<div class="Noticia_Foto fato">
<figure class="foto-legenda" style="position: relative">
<div class="foto-legenda-img"> <img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/0l/s2/lq/0ls2lqi5jjt6d2fn0q9kygudk.jpg" width="906" height="509" alt="Ex-presidente assumiu o posto formalmente nesta quinta-feira (13)" title="Ex-presidente assumiu o posto formalmente nesta quinta-feira (13)"> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Ricardo Stuckert</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">Ex-presidente assumiu o posto formalmente nesta quinta-feira (13)</div>
</figcaption></figure>
</p>
</div>
<p class="">Na posse de  <a href="https://economia.ig.com.br/2023-04-13/dilma-brics-financiamentos-inovadores.html" data-mce-href="https://economia.ig.com.br/2023-04-13/dilma-brics-financiamentos-inovadores.html">Dilma Rousseff</a> como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB na sigla em inglês), em Xangai, na China, o presidente <a href="https://economia.ig.com.br/2023-04-13/lula-dolar-moeda-brics.html" data-mce-href="https://economia.ig.com.br/2023-04-13/lula-dolar-moeda-brics.html">Luiz Inácio Lula da Silva </a> não poupou críticas ao modelo tradicional de financiamento de instituições financeiras internacionais. O NDB, também conhecido como Banco do Brics (bloco econômico composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), não tem a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou instituições financeiras de países de fora do grupo. Fato destacado por Lula.</p>
<p>“Pela primeira vez um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido sem a participação de países desenvolvidos em sua fase inicial. Livre, portanto, das amarras e condicionalidades impostas pelas instituições tradicionais às economias emergentes. E mais, com a possibilidade de financiamento de projetos em moeda local”.</p>
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<p>Lula continuou exaltando o papel do banco como um instrumento de combate à desigualdade. Para ele, o NDB deve atender os mais afetados por questões climáticas e econômicas, ajudando-os em uma recuperação. “A mudança do clima, a pandemia e os conflitos armados impactam negativamente as populações mais vulneráveis. Muitos países em desenvolvimento acumulam dívidas impagáveis. É nesse contexto que a criação do NDB se impõe”.</p>
<p>Em uma solenidade recheada de deputados e ministros brasileiros, integrantes da comitiva de Lula nesta viagem à China, o presidente brasileiro não poupou de críticas o FMI, a quem acusou de “asfixiar” a Argentina. Para ele, os bancos devem ter “paciência” e ter em mente a palavra tolerância ao renovar seus acordos de financiamento.</p>
<p>“Nenhum governante pode trabalhar com uma faca na garganta porque está devendo”, disse. “Não cabe a um banco ficar asfixiando as economias dos países como está fazendo com a Argentina o Fundo Monetário Internacional”, completou.</p>
<p>Por fim, Lula fez um aceno à comunidade internacional. Em um tom mais abrangente, pediu mais generosidade para as pessoas. “Não podemos ter uma sociedade sem solidariedade, sem sentimento. Temos que voltar a ser generosos. Vamos ter que aprender a estender a mão outra vez. Nós precisamos derrotar o individualismo que está tomando conta da humanidade”.</p>
<h3>Dilma</h3>
<p>Em seu discurso de posse, Dilma Rousseff também viés social do banco e assumiu o compromisso do NDB com a proteção ambiental, infraestrutura social e digital. Sinalizando o em toda sua fala o apoio às comunidades mais pobres e a necessidade de ajudá-las a garantir moradia e condições mais dignas, a ex-presidente da República pediu “prosperidade comum” a todos.</p>
<p>“Assumir à presidência do NDB é uma oportunidade de fazer mais para os países dos Brics, mas também para os países emergentes e os países em desenvolvimento”, disse. “Estou confiante de que juntos podemos realizar nossa visão de desenvolvimento. Queremos que a prosperidade seja comum a todos os países”, acrescentou.</p>
<h3>Desafios</h3>
<p>Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a futura presidente do Banco do Brics terá oportunidade de ampliar a inserção internacional na instituição, mas enfrentará dois grandes desafios: impulsionar projetos ligados ao meio ambiente e driblar o impacto geopolítico das retaliações ocidentais à Rússia, um dos sócios-fundadores.</p>
<div>
<aside class="leiaTambem-container">
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</ul>
</aside>
</div>
<p class="">Criado em dezembro de 2014 para ampliar o financiamento para projetos de infraestrutura e de projetos de desenvolvimento sustentável no Brics e em outras economias emergentes, o NDB atualmente tem cerca de US$ 32 bilhões em projetos aprovados. Desse total, cerca de US$ 4 bilhões estão investidos no Brasil, principalmente em projetos de rodovias e portos.</p>
<p>Em 2021, o Banco do Brics teve a adesão dos seguintes países: Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos e Uruguai.</p>
<p id="infocoweb_fonte" class="infocoweb_fonte">Fonte: <a target="_blank" href="http://economia.ig.com.br/2023-04-13/lula-dilma-banco-brics-vies-social.html#16db1397-5c6a-4a65-ba29-d17593314668" rel="noopener">Economia</a></p>
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		<title>Especialista climático: &#8220;Toda vez que converso sobre proteção ao meio ambiente, uso Mato Grosso como Exemplo&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Nov 2022 16:45:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[climatico]]></category>
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		<category><![CDATA[especialista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Renomado especialista climático global, o presidente do Center for Climate and Energy Solutions (C2ES), Nat Keohane, afirmou que Mato Grosso é um exemplo da junção de produção de alimentos em larga escala com preservação das florestas. Nat esteve reunido com o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, na manhã desta segunda-feira (14.11), na 27ª Conferência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Renomado especialista climático global, o presidente do Center for Climate and Energy Solutions (C2ES), Nat Keohane, afirmou que Mato Grosso é um exemplo da junção de produção de alimentos em larga escala com preservação das florestas.</p>
<p style="text-align: justify">Nat esteve reunido com o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, na manhã desta segunda-feira (14.11), na 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-27), em Sharm El Sheik, no Egito.</p>
<p style="text-align: justify">&#8220;Toda vez que eu converso com as pessoas sobre proteção do meio ambiente, eu uso como exemplo o estado de Mato Grosso, que aumenta a produção preservando o meio ambiente e reduzindo as emissões de Co²&#8221;, afirmou.</p>
<p style="text-align: justify">Durante a reunião, Mauro Mendes convidou Nat para visitar Mato Grosso e ser um dos porta-vozes da nova economia verde praticada no estado.</p>
<p style="text-align: justify">&#8220;Queremos fazer ainda mais pelo meio ambiente e sempre respeitando as premissas mundiais sobre proteções das florestas. Nosso objetivo é estreitar as relações e criar uma cooperação com os organismos públicos e privados que trabalhem pela redução das emissões&#8221;, destacou o governador.</p>
<p>Nas palestras dadas por Nat ao redor do mundo, o cientista tem destacado Mato Grosso como exemplo de políticas ambientais que visam a preservação das florestas tropicais e afirma que o modelo do estado é um &#8220;sucesso total&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify">PHD em Harvard, economista e assistente especial para Energia e Meio Ambiente na Casa Branca no Governo Obama, Keohane mencionou que Mato Grosso, há algumas décadas, era um dos maiores poluidores de carbono do mundo e conseguiu reverter o jogo, reduzindo em 85% o desmatamento ilegal.</p>
<p style="text-align: justify">Também participaram da reunião com o especialista climático a primeira-dama Virginia Mendes; os secretários de Estado Rogério Gallo (Casa Civil), Mauren Lazzaretti (Casa Civil) e César Miranda (Desenvolvimento Econômico); e o diretor da PCI (Produzir, Conservar e Incluir), Fernando Sampaio.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>COP-27</strong></p>
<p style="text-align: justify">Juntamente com outros representantes do Estado e do setor produtivo e ambiental de Mato Grosso, o governador Mauro Mendes participa da COP-27, com a missão de fortalecer a imagem de Mato Grosso como a região do planeta que mais produz com preservação.</p>
<p style="text-align: justify"><img decoding="async" alt="" src="https://www.urgentenews.com.br/wp-content/uploads/2022/11/14/f0729c2549dd5ec8791ce8d2453c420d.jpg"></p>
<p style="text-align: justify">Atualmente, Mato Grosso mantém 62% de seu território inteiramente preservado, mesmo sendo o principal produtor de commodities do país. Os principais estados produtores dos outros países líderes em produção não preservam nem perto disso.</p>
<p style="text-align: justify">O Estado é líder na produção de soja, milho, algodão e biodiesel e carne bovina. Possui meta ousada para neutralizar as emissões de carbono até 2035, 15 anos antes da perspectiva global, por meio de um plano de ação colocado em campo desde 2019, via programa Carbono Neutro MT.</p>
<p style="text-align: justify">Somente o que Mato Grosso já reduziu em emissões de carbono desde 2004 (3,5 gigatons) tem valor estimado de R$ 173 bilhões no mercado de carbono.</p>
<p style="text-align: justify">Mesmo com o aumento da produção, Mato Grosso também tem reduzido substancialmente o desmatamento. Somente no bioma amazônico, o desmatamento foi reduzido em 85% nos últimos 20 anos.</p>
<p style="text-align: justify">De janeiro a setembro deste ano, conforme os dados do INPE, a queda total no desmatamento em todo o estado foi de 47%, se comparado com o mesmo período de 2021.</p>
<p id="infocoweb_fonte" class="infocoweb_fonte">Fonte: <a target="_blank" href="http://www.mt.gov.br/-/22966391-especialista-climatico-toda-vez-que-converso-sobre-protecao-ao-meio-ambiente-uso-mato-grosso-como-exemplo-#f15b4c07-16c0-4668-9910-a13e44f02ce3" rel="noopener">GOV MT</a></p>
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		<title>Especialista climático elogia ações que MT levará à COP 27: &#8220;O Estado é modelo de proteção florestal&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 16:40:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[climatico]]></category>
		<category><![CDATA[elogia]]></category>
		<category><![CDATA[especialista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presidente do Center for Climate and Energy Solutions (C2ES) e renomado especialista climático global, Nat Keohane, elogiou as ações realizadas em Mato Grosso no âmbito do desenvolvimento sustentável e afirmou que o Estado é hoje um “modelo de desenvolvimento econômico e proteção florestal”. Este modelo de proteção ambiental aliada à produção, com metas ousadas [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://fatomt.com.br/especialista-climatico-elogia-acoes-que-mt-levara-a-cop-27-o-estado-e-modelo-de-protecao-florestal/">Especialista climático elogia ações que MT levará à COP 27: &#8220;O Estado é modelo de proteção florestal&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://fatomt.com.br">FATO MT</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente do Center for Climate and Energy Solutions (C2ES) e renomado especialista climático global, Nat Keohane, elogiou as ações realizadas em Mato Grosso no âmbito do desenvolvimento sustentável e afirmou que o Estado é hoje um “modelo de desenvolvimento econômico e proteção florestal”.</p>
<p>Este modelo de proteção ambiental aliada à produção, com metas ousadas de redução de carbono, será apresentado pelo governador Mauro Mendes na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022 (COP-27), que ocorrerá em Sharm El-Sheikh, no Egito, nas próximas semanas.</p>
<p>Nat Keohane usou Mato Grosso como exemplo de políticas ambientais que visam a preservação das florestas tropicais, durante palestra na plataforma TED (Technology, Entertainment and Design), que está disponível no Youtube.</p>
<p>“Mato Grosso é um estado brasileiro que é tão grande quanto o Texas e um pedaço da Califórnia juntos, e um dos maiores produtores mundiais de carne bovina e soja. Mato Grosso é hoje um modelo de desenvolvimento econômico e proteção florestal”, disse ele.</p>
<p>PHD em Harvard, economista e assistente especial para Energia e Meio Ambiente na Casa Branca no Governo Obama, Keohane mencionou que Mato Grosso, há algumas décadas, era um dos maiores poluidores de carbono do mundo e conseguiu reverter o jogo, reduzindo em 85% o desmatamento ilegal.</p>
<p>“Mato Grosso não reduziu as emissões paralisando a agricultura. Em vez disso intensificou a fiscalização contra grileiros ilegais, empoderou comunidades locais e populações indígenas para proteger seus territórios. Trabalhou com produtores e comerciantes agrícolas em toda a cadeia de suprimentos para investir em métodos de produção novos e mais sustentáveis. Esses esforços foram apoiados por uma ampla gama de ONGs, empresas e organizações indígenas”, disse.</p>
<p>Conforme o especialista, essa política foi reforçada durante a gestão do governador Mauro Mendes, que “imediatamente afirmou seu compromisso com a redução do desmatamento”.</p>
<p>“Porque ele [governador] viu como essas novas políticas estavam atraindo novos investimentos e lançando as bases para o crescimento sustentável. Se quisermos evitar a catástrofe climática, o mundo precisa de muito mais Mato Grossos”, relatou.</p>
<p>Para Keohane, a política florestal praticada no Estado é um “sucesso total” e é possível ser implementada em outras regiões do mundo, uma vez que Mato Grosso continuou expandindo sua produção ao mesmo tempo em que reduziu o desmatamento ilegal.</p>
<p>“Em Mato Grosso, a produção de soja mais que dobrou e o gado aumentou em mais de um quarto, mesmo com a queda do desmatamento”, pontuou.</p>
<p>Confira a palestra <a href="https://www.ted.com/talks/nat_keohane_a_new_economic_model_for_protecting_tropical_forests">AQUI.</a></p>
<p><strong>COP 27</strong></p>
<p>Juntamente com outros representantes do Estado e do setor produtivo e ambiental de Mato Grosso, o governador Mauro Mendes participará da COP-27, com a missão de fortalecer a imagem de Mato Grosso como a região do planeta que mais produz com preservação.</p>
<p>Atualmente, Mato Grosso mantém 62% de seu território inteiramente preservado, mesmo sendo o principal produtor de commodities do país. Os principais estados produtores dos outros países líderes em produção não preservam nem 1/3 disso.</p>
<p>O Estado é líder na produção de soja, milho, algodão e biodiesel e carne bovina. Possui meta ousada para neutralizar as emissões de carbono até 2035, 15 anos antes da perspectiva global, por meio de um plano de ação colocado em campo desde 2019, via programa Carbono Neutro MT.</p>
<p>Mesmo com o aumento da produção, Mato Grosso tem reduzido substancialmente o desmatamento. Somente no bioma amazônico, o desmatamento foi reduzido em 85% nos últimos 20 anos.</p>
<p>De janeiro a setembro deste ano, conforme os dados do INPE, a queda total no desmatamento em todo o estado foi de 47%, se comparado com o mesmo período de 2021.</p>
<p id="infocoweb_fonte" class="infocoweb_fonte">Fonte: <a target="_blank" href="http://www.mt.gov.br/-/22902061-especialista-climatico-elogia-acoes-que-mt-levara-a-cop-27-o-estado-e-modelo-de-protecao-florestal-#f7fc7d00-ac15-4dff-8bf7-39aa91de2cbc" rel="noopener">GOV MT</a></p>
<p>O post <a href="https://fatomt.com.br/especialista-climatico-elogia-acoes-que-mt-levara-a-cop-27-o-estado-e-modelo-de-protecao-florestal/">Especialista climático elogia ações que MT levará à COP 27: &#8220;O Estado é modelo de proteção florestal&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://fatomt.com.br">FATO MT</a>.</p>
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		<item>
		<title>Marina Silva diz que país precisa de uma autoridade de risco climático</title>
		<link>https://fatomt.com.br/marina-silva-diz-que-pais-precisa-de-uma-autoridade-de-risco-climatico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Aug 2022 17:05:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[autoridade]]></category>
		<category><![CDATA[climatico]]></category>
		<category><![CDATA[marina]]></category>
		<category><![CDATA[precisa]]></category>
		<category><![CDATA[risco]]></category>
		<category><![CDATA[silva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reprodução/YouTube &#8211; 19.08.2022 Marina Silva falou sobre os problemas climáticos do Brasil Nesta sexta-feira (19), Marina Silva (Rede Sustentabilidade), candidata a deputada federal por São Paulo, defende a criação de uma autoridade nacional de risco climático no Brasil. A ex-ministra do Meio Ambiente, que assistiu a sabatina feita pelo Estadão, em parceria com a Fundação [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><meta name="robots" content="noindex"><mreta name="googlebot" content="noindex"></p>
<div class="Noticia_Foto">
<figure class="foto-legenda">
<div class="foto-legenda-img"> <img decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/cf/61/cd/cf61cd6ldl9pt4ltslk198wti.jpg" width="906" height="509" alt="Marina Silva falou sobre os problemas climáticos do Brasil" title="Marina Silva falou sobre os problemas climáticos do Brasil"> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Reprodução/YouTube &#8211; 19.08.2022</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">Marina Silva falou sobre os problemas climáticos do Brasil</div>
</figcaption></figure>
</p>
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<p class="">Nesta sexta-feira (19), Marina Silva (Rede Sustentabilidade), candidata a deputada federal por São Paulo, defende a criação de uma autoridade nacional de risco climático no Brasil. A ex-ministra do Meio Ambiente, <a href="https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2022-08-19/marina-silva-critica-bolsonaro-e-se-esquiva-de-apoio.html" data-mce-href="https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2022-08-19/marina-silva-critica-bolsonaro-e-se-esquiva-de-apoio.html">que assistiu a sabatina feita pelo Estadão, em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP)</a> , diz que o país tem perdido muito dinheiro por não saber cuidar da natureza.  </p>
<p>“A gente vai precisar criar uma autoridade nacional de risco climático no Brasil. Nós temos uma autoridade para questão nuclear, talvez seja o caso de criar uma autoridade nacional para risco climático. As pessoas não sabem, mas o Brasil teve um prejuízo de 700 milhões de reais no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul em função de um fenômeno. Diminuímos o período de chuvas, lá são 27 dias. Você imagina alguém pegando 71 milhões de reais e botando fogo? Ninguém faz isso. Mas quando a gente destrói a floresta, a temperatura aumenta e diminui o regime de chuva, a gente tá tocando fogo em dinheiro. Temos que considerar o risco climático”, afirma Marina ao IG.</p>
<p>A ex-ministra relembra que vários pontos do Brasil, como Petrópolis, Sul da Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco, enfrentaram problemas de enchentes. “É um risco climático grave. O Brasil é vulnerável. Por isso é preciso criar uma autoridade para o risco climático. A destinação correta de 70 milhões de hectares de área de floresta pública na Amazônia, que está sendo invadida e grilada, como é o caso do Vale do Javari”, explica.</p>
<p>Marina critica o governo Bolsonaro, apontando inúmeros equívocos, na visão dela, que estão prejudicando o meio ambiente. “O Brasil perdeu controle aéreo, terrestre, tá perdendo o controle pelos rios da Amazônia, que é nosso território. E o que tem acontecido? Tráfico de drogas e armas, pesca ilegal, garimpo ilegal e exploração de madeira”, pontua.</p>
<p>“Por isso é fundamental destina de forma correta esses 70 milhões de hectares. De que forma? Demarcação de terras indígenas, criar unidade integral de uso sustentável, faz a destinação de concessão de florestas públicas, que é o caso de manejo florestal. Tínhamos uma agenda, que funcionou durante o governo Lula, mas foi perdendo força e acabou sendo enfraquecida no governo Temer. Agora foi destruída pelo Bolsonaro”, conclui.</p>
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		<title>Twitter proíbe anúncios com negacionismo climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Apr 2022 00:05:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Ignacio Twitter O Twitter informou que n&#227;o permitir&#225; mais em seu site anunciantes que estejam contr&#225;rios ao consenso cient&#237;fico sobre as mudan&#231;as clim&#225;ticas. O an&#250;ncio foi feito ontem, coincidindo com o Dia Internacional da Terra, e ocorreu pouco depois de a Uni&#227;o Europeia firmar um novo acordo exigindo que as&#160;grandes empresas de tecnologia examinassem [&#8230;]</p>
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<div class="foto-legenda-citacao-text">Twitter </div>
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<p class="">O Twitter informou que n&atilde;o permitir&aacute; mais em seu site anunciantes que estejam contr&aacute;rios ao consenso cient&iacute;fico sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. O an&uacute;ncio foi feito ontem, coincidindo com o Dia Internacional da Terra, e ocorreu pouco depois de a Uni&atilde;o Europeia firmar um novo acordo exigindo que as&nbsp;grandes empresas de tecnologia examinassem seus pr&oacute;prios sites&nbsp;mais detalhadamente, em busca de &ldquo;discurso de &oacute;dio, desinforma&ccedil;&atilde;o e outros conte&uacute;dos nocivos&rdquo;, segundo a Associated Press. </p>
<h3 class="">Entre no&nbsp; <a href="https://t.me/iGBrasilEconomico" target="_blank" rel="noopener" data-mce-href="https://t.me/iGBrasilEconomico">canal do Brasil Econ&ocirc;mico no Telegram</a> e fique por dentro de todas as not&iacute;cias do dia</h3>
<p>&ldquo;Os an&uacute;ncios n&atilde;o devem prejudicar conversas importantes sobre a crise clim&aacute;tica&rdquo;, disse a empresa em comunicado, descrevendo sua nova pol&iacute;tica.  </p>
<p>As medidas v&atilde;o na esteira de a&ccedil;&otilde;es adotadas por outras das chamadas &ldquo;big techs&rdquo; (grandes empresas de tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o), como o Google, que j&aacute; havia anunciado provid&ecirc;ncia similar. </p>
<p class="">Segundo a AP, n&atilde;o houve indica&ccedil;&atilde;o de que a mudan&ccedil;a afetaria o que os usu&aacute;rios publicam na rede social, que, junto com o Facebook, tem sido alvo de grupos que buscam promover alega&ccedil;&otilde;es enganosas sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. O Twitter disse que fornecer&aacute; mais informa&ccedil;&otilde;es nos pr&oacute;ximos meses sobre como planeja oferecer &ldquo;contexto confi&aacute;vel para as conversas clim&aacute;ticas&rdquo; de seus usu&aacute;rios.  </p>
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<p class="">Os relat&oacute;rios do painel cient&iacute;fico, apoiado pela ONU, sobre as causas e efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas fornecem a base &agrave;s negocia&ccedil;&otilde;es internacionais para conter os efeitos adversos da a&ccedil;&atilde;o humana no meio ambiente.&nbsp; </p>
<p>A empresa j&aacute; tem um t&oacute;pico dedicado ao clima em seu site e entregou um documento durante a confer&ecirc;ncia clim&aacute;tica da ONU, do ano passado, no qual afirma&nbsp;combater a desinforma&ccedil;&atilde;o em torno das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.&nbsp;  </p>
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<div id="infocoweb_rodape" class="infocoweb_rodape">Fonte: <a target="_blank" href="http://tecnologia.ig.com.br/2022-04-23/twitter-proibe-anuncios-mudancas-climaticas.html#263" rel="noopener">IG TECNOLOGIA</a></div>
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		<title>YouTube ganha dinheiro e desobedece regras com negacionismo climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Mar 2022 20:35:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Unsplash YouTube mant&#233;m v&#237;deos com desinforma&#231;&#227;o clim&#225;tica Por&#160;Laura Scofield e Matheus Santino Quem busca por &#8220;aquecimento global&#8221; na barra de pesquisa do YouTube recebe como retorno v&#237;deos negacionistas e desinformativos sobre a mudan&#231;a clim&#225;tica, mesmo que o tema j&#225; seja consenso entre cientistas da &#225;rea e a pr&#243;pria plataforma j&#225; reconhe&#231;a que as atividades humanas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/REC-html40/loose.dtd"><br />
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<div class="foto-legenda-citacao-text">YouTube mant&eacute;m v&iacute;deos com desinforma&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica</div>
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<p class="">
<p> <em>Por&nbsp;Laura Scofield e Matheus Santino</em>  </p>
<p>Quem busca por &#8220;aquecimento global&#8221; na barra de pesquisa do YouTube recebe como retorno v&iacute;deos negacionistas e desinformativos sobre a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, mesmo que o tema j&aacute; seja consenso entre cientistas da &aacute;rea e a pr&oacute;pria plataforma j&aacute; reconhe&ccedil;a que as atividades humanas contribuem para o fen&ocirc;meno. Dentre os respons&aacute;veis pelas fake news clim&aacute;ticas, destacam-se bolsonaristas e ruralistas, como revela uma investiga&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita da Ag&ecirc;ncia P&uacute;blica. </p>
<p>A reportagem simulou uma busca na plataforma por meio da ferramenta YouTube Data Tools e obteve dados diretamente do algoritmo de recomenda&ccedil;&atilde;o da rede. Dos 121 v&iacute;deos analisados, 37 apresentaram informa&ccedil;&otilde;es que contradizem o consenso cient&iacute;fico sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas potencializadas pela a&ccedil;&atilde;o humana, o que representa 30,5% da amostra. Destes, ao menos 15 v&iacute;deos s&atilde;o monetizados, ou seja, geram dinheiro para seus publicadores e para o YouTube por meio da dissemina&ccedil;&atilde;o de mentiras sobre o clima.&nbsp; </p>
<p>Boa parte do conte&uacute;do que nega a exist&ecirc;ncia do aquecimento global &eacute; respaldado pelos argumentos de dois cientistas, Ricardo Fel&iacute;cio e Luiz Carlos Molion, que aparecem em 70% dos v&iacute;deos negacionistas da amostra. Os dois pesquisadores que contradizem a ci&ecirc;ncia j&aacute; foram financiados pelo agroneg&oacute;cio brasileiro.&nbsp; </p>
<p>De acordo com as pr&oacute;prias regras do YouTube, esses conte&uacute;dos n&atilde;o deveriam enriquecer seus produtores. Em 2020, a ONG Avaaz solicitou &agrave; plataforma que deixasse de recomendar conte&uacute;dos &#8220;t&oacute;xicos&#8221; e barrasse a monetiza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos ligados ao negacionismo clim&aacute;tico. Em outubro de 2021, a rede se comprometeu apenas com uma das reivindica&ccedil;&otilde;es e proibiu a monetiza&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do e an&uacute;ncios que &#8220;contradizem o consenso cient&iacute;fico sobre a exist&ecirc;ncia e as causas das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas&#8221;, o que inclui &#8220;material que se refere &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es no clima como se fossem mentira ou um golpe, com afirma&ccedil;&otilde;es negando que as tend&ecirc;ncias de longo prazo mostram um aumento na temperatura global, e dizendo que as emiss&otilde;es de gases do efeito estufa ou as atividades humanas n&atilde;o contribuem para esse cen&aacute;rio&#8221;. </p>
<p>Mas os conte&uacute;dos persistem. Entre as contradi&ccedil;&otilde;es mais frequentes encontradas na busca est&atilde;o a nega&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia humana ou a apresenta&ccedil;&atilde;o do tema como se ainda houvesse debate entre os cientistas sobre as causas do aquecimento global. &Eacute; o caso do v&iacute;deo monetizado intitulado &#8220;O aquecimento global &eacute; uma farsa? E se for verdade?&#8221;, do canal Fatos Desconhecidos, que foi publicado em abril de 2017 e atualmente conta com mais de 320 mil visualiza&ccedil;&otilde;es. Nele, o apresentador traz argumentos dos &#8220;dois lados&#8221; para que o p&uacute;blico chegue a uma conclus&atilde;o sobre o &#8220;suposto aquecimento global&#8221;. O canal tem hoje mais de 18 milh&otilde;es de inscritos. </p>
<p>&#8220;O YouTube est&aacute; basicamente incentivando as pessoas a disseminarem desinforma&ccedil;&atilde;o&#8221;, avalia Joachim Allgaier, pesquisador e doutor em comunica&ccedil;&atilde;o e sociedade digital na universidade alem&atilde; Hochschule Fulda. Em 2019, Allgaier estudou a preval&ecirc;ncia do negacionismo clim&aacute;tico no YouTube e identificou que &#8220;a maioria dos v&iacute;deos&#8221; analisados trazia &#8220;vis&otilde;es de mundo opostas ao consenso cient&iacute;fico&#8221;, incluindo a nega&ccedil;&atilde;o do aquecimento global antropog&ecirc;nico e teorias de conspira&ccedil;&atilde;o.&nbsp; </p>
<p>Para o pesquisador, v&iacute;deos como o publicado pelo canal Fatos Desconhecidos criam uma &#8220;falsa equival&ecirc;ncia&#8221;. &#8220;Geram a impress&atilde;o de que a opini&atilde;o de alguns cientistas minorit&aacute;rios &eacute; t&atilde;o importante quanto a opini&atilde;o de muitos, muitos e muitos milhares de cientistas especialistas no tema&#8221;, explicou &agrave; reportagem. Um estudo publicado em 2013 na Environmental Research Letter mostra que 97,1% dos artigos que abordaram a influ&ecirc;ncia humana nas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em 20 anos de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica garantiram que ela afeta o clima mundial.&nbsp; </p>
<p>Outro conte&uacute;do monetizado encontrado no levantamento &eacute; o v&iacute;deo &#8220;Como REFUTAR o aquecimento global antropog&ecirc;nico? PARA LEIGOS!&#8221;, do canal Ci&ecirc;ncia Sem Fronteiras &ndash; Thiago Maia Oficial, que soma 57 mil inscritos. Em suas redes sociais, Maia afirma ser embaixador da Am&eacute;rica do Sul da Clintel, organiza&ccedil;&atilde;o internacional que defende que n&atilde;o existe emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica. O canal de Maia &eacute; o que mais aparece na amostra analisada pela P&uacute;blica: o youtuber j&aacute; publicou nove v&iacute;deos sobre o aquecimento global, todos negando a exist&ecirc;ncia do fato cient&iacute;fico. Ao menos quatro s&atilde;o monetizados. Somados, os nove conte&uacute;dos chegaram a mais de 217 mil visualiza&ccedil;&otilde;es, 22 mil curtidas e 1.435 coment&aacute;rios. De acordo com a ferramenta SocialBlade, o canal de Maia, que existe desde 2011, rende entre US$ 17 e US$ 269 por m&ecirc;s, o que na cota&ccedil;&atilde;o atual do real (4,82) equivale a R$ 82 e R$ 1.299 por m&ecirc;s. O youtuber mant&eacute;m ainda outros tr&ecirc;s canais sobre ci&ecirc;ncia na rede. </p>
<p>Com 290 mil visualiza&ccedil;&otilde;es, o v&iacute;deo &#8220;Ricardo Fel&iacute;cio: Aquecimento global serve para mascarar os problemas da humanidade&#8221;, publicado pelo canal P&acirc;nico Jovem Pan em 23 de julho de 2019, tamb&eacute;m se destaca. Nele, o meteorologista critica o relat&oacute;rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) por supostamente mostrar apenas &#8220;o pior&#8221; cen&aacute;rio &#8220;para amea&ccedil;ar as pessoas&#8221;. Nos &uacute;ltimos anos, a Jovem Pan tem sido criticada pelo alinhamento ao bolsonarismo e pela dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es falsas sobre a pandemia de Covid-19. A monetiza&ccedil;&atilde;o do canal do P&acirc;nico gera entre US$ 5,2 mil e US$ 82,4 mil, o equivalente a R$ 25 mil e R$ 398 mil por m&ecirc;s. </p>
<p>Felicio &mdash; para quem a pandemia de Covid-19, que j&aacute; matou 656 mil brasileiros, &eacute; uma &#8220;fraudemia&#8221; &mdash; aparece em diversos v&iacute;deos negacionistas analisados pela reportagem, como alguns do canal de Maia. No in&iacute;cio do governo de Jair Bolsonaro, ele chegou a ser cotado para o cargo de ministro do Meio Ambiente.&nbsp; </p>
<p>Al&eacute;m de manter an&uacute;ncios em conte&uacute;dos com mentiras sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o algoritmo do YouTube parece n&atilde;o conseguir identificar nem mesmo quais v&iacute;deos abordam o tema. Dos 37 v&iacute;deos que propagam ideias negacionistas sobre o clima, apenas 15 apresentam o chamado &#8220;painel informativo com contexto do assunto&#8221;, uma medida aplicada pela rede desde 2018 para &#8220;temas propensos &agrave; desinforma&ccedil;&atilde;o&#8221;, de forma a apresentar ao usu&aacute;rio informa&ccedil;&otilde;es apuradas e contradizer mentiras que podem estar circulando na plataforma. No painel, a rede explica que &#8220;as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o transforma&ccedil;&otilde;es a longo prazo nos padr&otilde;es de temperatura e clima, principalmente causadas por atividades humanas, especialmente a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis&#8221;, e leva o p&uacute;blico ao site da ONU.&nbsp; </p>
<p>A plataforma aplica o painel em alguns conte&uacute;dos, mas n&atilde;o esclarece os crit&eacute;rios que utiliza na sele&ccedil;&atilde;o. O v&iacute;deo &#8220;Ricardo Fel&iacute;cio desmente farsa do aquecimento global I Identidade Geral&#8221;, que somou 140 mil visualiza&ccedil;&otilde;es pelo canal Revista Novo Tempo, &eacute; um dos que n&atilde;o apresentam o texto. Escrever &#8220;farsa do aquecimento global&#8221; no t&iacute;tulo n&atilde;o foi o suficiente para que o algoritmo da rede pudesse identificar o tom negacionista do conte&uacute;do e alertar seus usu&aacute;rios.&nbsp; </p>
<p>Por meio de sua assessoria de imprensa, o Youtube afirmou que &#8220;em geral, nossos sistemas n&atilde;o recomendam ou deixam em evid&ecirc;ncia conte&uacute;do que apresente desinforma&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas&#8221; e que age &#8220;rapidamente&#8221; sobre conte&uacute;dos em desacordo com suas pol&iacute;ticas. O Youtube tamb&eacute;m afirmou que exige que todos os canais monetizados cumpram suas regras. <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2022/03/retorno-negacionismo-climatico-yt-page-0001.pdf" target="_blank" rel="noopener" data-mce-href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2022/03/retorno-negacionismo-climatico-yt-page-0001.pdf">Leia a resposta na &iacute;ntegra</a> . </p>
<h3>Bolsonaristas e ruralistas tentam emplacar negacionismo clim&aacute;tico no YouTube</h3>
<p>&#8220;Climatologista contesta aquecimento global e inocenta a boiada&#8221; &eacute; o t&iacute;tulo de um dos v&iacute;deos negacionistas que circulam no YouTube desde 3 de dezembro de 2015, data de sua publica&ccedil;&atilde;o. Dispon&iacute;vel no canal DBO Play, focado em &#8220;neg&oacute;cios da agropecu&aacute;ria&#8221;, o conte&uacute;do passou de 23 mil visualiza&ccedil;&otilde;es e 1.600 curtidas, al&eacute;m de ter recebido 119 coment&aacute;rios.&nbsp; </p>
<p>Durante 14 minutos, o jornalista Richard Jakubaszko entrevista Ricardo Fel&iacute;cio, que repete o discurso desmentido pela ci&ecirc;ncia e sugere que os pecuaristas e agricultores &#8220;reajam contra a religi&atilde;o ambientalista, fazendo lobby da mesma maneira que os adeptos do clima&#8221;. Para ele, a inten&ccedil;&atilde;o dos ambientalistas &eacute; &#8220;minar &eacute; o agroneg&oacute;cio&#8221; para &#8220;minar toda a economia do pa&iacute;s&#8221;. Seu entrevistador, o jornalista Jakubaszko, &eacute; um dos autores do livro &#8234;&#8221;CO2&#8236;, aquecimento e &#8234;mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas&#8236;: est&atilde;o nos enganando?&#8221;, publicado pela editora DBO. De acordo com o ranking da Amazon, a obra ocupa o 41&ordm; lugar de cem entre os livros mais vendidos da lista de &#8220;direitos ambientais e de recursos naturais profissional e t&eacute;cnico&#8221;. </p>
<p>Al&eacute;m deste, existem outros conte&uacute;dos na amostra analisada pela P&uacute;blica nos quais representantes do agroneg&oacute;cio defendem o discurso contr&aacute;rio &agrave; ci&ecirc;ncia. No canal AgroPapo, que tem mais de 2 mil inscritos, o v&iacute;deo &#8220;Aquecimento global &eacute; uma mentira, assegura jornalista-escritor&#8221; segue a mesma linha, mas inverte os pap&eacute;is: traz Jakubaszko como entrevistado.&nbsp; </p>
<p>De acordo com Meghie Rodrigues, doutoranda no Departamento de Pol&iacute;tica Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica da Unicamp, onde pesquisa o negacionismo clim&aacute;tico no YouTube, a defesa do negacionismo clim&aacute;tico no Brasil &eacute; feita com mais intensidade pelo agroneg&oacute;cio, mesmo que isso coloque em risco a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia do setor, e independe de quem esteja no poder. &#8220;N&atilde;o &eacute; uma coisa s&oacute; desse governo, em todos os governos da democracia recente. O agroneg&oacute;cio &eacute; uma for&ccedil;a pol&iacute;tica expressiva da democracia brasileira&#8221;, explica.&nbsp; </p>
<p>Mesmo que a situa&ccedil;&atilde;o se estenda para al&eacute;m do bolsonarismo, o levantamento da reportagem mostra que os defensores do atual presidente &mdash; que j&aacute; chamou a discuss&atilde;o sobre o tema de &#8220;jogo comercial&#8221; e mentiu sobre o desmatamento da Amaz&ocirc;nia, importante para a regula&ccedil;&atilde;o do clima global, em discurso na Assembleia Geral da ONU &mdash; tamb&eacute;m aparecem com frequ&ecirc;ncia negando a ci&ecirc;ncia.&nbsp; </p>
<p>Para Bernhard Rieder, pesquisador da Universidade de Amsterd&atilde; e criador do YouTube Data Tools, ferramenta que extrai e colhe dados diretamente do c&oacute;digo da plataforma, isso n&atilde;o surpreende, j&aacute; que a rede se destaca por &#8220;encontrar um p&uacute;blico para atores que, tradicionalmente, t&ecirc;m dificuldades de encontrar um p&uacute;blico, como a extrema direita&#8221;. Dessa forma, &#8220;o YouTube &eacute; muito atrativo e essas pessoas v&atilde;o investir muito tempo nesta plataforma para se comunicar com o p&uacute;blico e para ganhar dinheiro. Por isso h&aacute; muitas incita&ccedil;&otilde;es para fazer v&iacute;deos com esse conte&uacute;do na plataforma&#8221;. </p>
<p>&Eacute; o caso de Fl&aacute;vio Morgenstern, criador do podcast Guten Morgen e do site Senso Incomum, citado pela CPI da Pandemia como propagador de desinforma&ccedil;&atilde;o sobre a Covid-19. No epis&oacute;dio 39 do podcast, tamb&eacute;m dispon&iacute;vel no YouTube e recomendado pela rede a quem busca sobre aquecimento global, Morgenstern afirma que n&atilde;o acredita no fen&ocirc;meno e que n&atilde;o existe consenso cient&iacute;fico, o que &eacute; mentira. &#8220;V&aacute;rios estudos que tentaram provar o aquecimento global e n&atilde;o conseguiram, ao contr&aacute;rio do que voc&ecirc; vai ver na grande m&iacute;dia&#8221;. </p>
<p>A conex&atilde;o da extrema direita com o negacionismo clim&aacute;tico se repete mundialmente, apontou Allgaier, que encontrou a mesma liga&ccedil;&atilde;o em seus estudos sobre o tema na Alemanha. A narrativa, entretanto, varia: &#8220;N&atilde;o existe apenas uma hist&oacute;ria, eles [os negacionistas] se utilizam de mensagens bem espec&iacute;ficas para atingir a audi&ecirc;ncia. Do ponto de vista da comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, eles est&atilde;o fazendo um &oacute;timo trabalho, porque est&atilde;o chegando a muitas pessoas com sucesso. As pessoas assistem aos v&iacute;deos e conhecem seus argumentos. Por&eacute;m, do ponto de vista da ci&ecirc;ncia, &eacute; um desastre, &eacute; muito ruim&#8221;, avalia.&nbsp; </p>
<h3>Canais de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos disseminam mentiras sobre o clima</h3>
<p>No YouTube, a contesta&ccedil;&atilde;o do consenso cient&iacute;fico acerca da influ&ecirc;ncia humana na intensifica&ccedil;&atilde;o do aquecimento global n&atilde;o est&aacute; somente em canais de influenciadores de extrema direita ou pesquisadores abertamente negacionistas. Tr&ecirc;s dos v&iacute;deos que tratam da quest&atilde;o como se ainda fosse um tema em debate &mdash; o que &eacute; falso &mdash;&nbsp; s&atilde;o do Senado Federal, cujo canal n&atilde;o &eacute; monetizado. Os conte&uacute;dos figuram tamb&eacute;m entre as indica&ccedil;&otilde;es da plataforma para quem quer saber mais sobre o tema.&nbsp; </p>
<p>O v&iacute;deo &#8220;Aquecimento global n&atilde;o &eacute; causado por a&ccedil;&atilde;o do homem, defendem debatedores no Senado&#8221; foi publicado pela TV Senado, &oacute;rg&atilde;o oficial de comunica&ccedil;&atilde;o da casa, em 29 de maio de 2021. Trata-se de um resumo das discuss&otilde;es de um evento promovido pelas Comiss&otilde;es de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores (CRE) e de Meio Ambiente (CMA) no primeiro ano de governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). &#8220;Nesta ter&ccedil;a-feira (28), os convidados declararam n&atilde;o acreditar no aquecimento global. Para eles, isso &eacute; um movimento para impedir o crescimento de pa&iacute;ses em desenvolvimento&#8221;, resume a TV Senado na descri&ccedil;&atilde;o. O YouTube n&atilde;o fez nenhum alerta, j&aacute; que o v&iacute;deo n&atilde;o apresenta o painel informativo de contexto.&nbsp; </p>
<p>Com quatro minutos e meio, o v&iacute;deo come&ccedil;a com uma narra&ccedil;&atilde;o do locutor: &#8220;Os cientistas apontam o aquecimento global como o vil&atilde;o para o que pode vir pela frente. Quem j&aacute; n&atilde;o ouviu falar do efeito estufa, [que quanto] maior a quantidade de di&oacute;xido de carbono na atmosfera, mais quente [se torna] o nosso planeta. Ser&aacute;?&#8221;. O rep&oacute;rter ent&atilde;o reproduz a opini&atilde;o dos especialistas convidados, que afirmam que n&atilde;o h&aacute; comprova&ccedil;&atilde;o de que a a&ccedil;&atilde;o humana aquece a Terra. O conte&uacute;do negacionista respaldado pelo Senado chegou a 7.415 visualiza&ccedil;&otilde;es, 299 curtidas e 30 coment&aacute;rios.&nbsp; </p>
<p>Al&eacute;m de Ricardo Fel&iacute;cio, participou da audi&ecirc;ncia Luiz Carlos Molion, professor associado aposentado do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que defende as mesmas ideias negacionistas. De acordo com o site do Senado, os especialistas foram convocados pelo senador M&aacute;rcio Bittar (MDB-AC), que afirmou ao programa de r&aacute;dio da emissora que a cren&ccedil;a de que as a&ccedil;&otilde;es do homem provocam o aquecimento global n&atilde;o foi comprovada cientificamente e tem um vi&eacute;s ideol&oacute;gico.&nbsp; </p>
<p>O v&iacute;deo &#8220;Especialistas divergem sobre causas do aquecimento global&#8221;, publicado pelo mesmo canal e tamb&eacute;m com cenas do evento, segue uma linha parecida. Os dois s&atilde;o apenas um recorte de outro maior, de nome &#8220;CRE/CMA &ndash; Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e aquecimento global &ndash; TV Senado ao vivo &ndash; 28/05/2019&#8221;, que foi transmitido ao vivo durante o evento e tamb&eacute;m se encontra dispon&iacute;vel. O conte&uacute;do de tr&ecirc;s horas de dura&ccedil;&atilde;o obteve ainda mais visualiza&ccedil;&otilde;es: 38.305. A &iacute;ntegra do debate foi curtida 1.500 vezes e chegou a 126 coment&aacute;rios.&nbsp; </p>
<p>A pesquisadora Meghie Rodrigues argumenta que, quando pesquisadores como Fel&iacute;cio e Molion ganham esse tipo de espa&ccedil;o, &#8220;parece que [as ideias que defendem] s&atilde;o parte do debate cient&iacute;fico, parte do que a comunidade cient&iacute;fica est&aacute; falando, mas na verdade n&atilde;o &eacute;, porque &eacute; uma parcela m&iacute;nima e residual&#8221;. &#8220;Dar palco para esse tipo de discurso faz parecer que ele &eacute; maior do que ele &eacute;, mas na verdade eles est&atilde;o ali servindo claramente interesses de pessoas que querem ouvir aquilo que eles falam, que os levam l&aacute; pra poder dar uma roupagem de legitimidade a um debate que n&atilde;o &eacute; leg&iacute;timo&#8221;, afirma. </p>
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<h3>Leia Tamb&eacute;m</h3>
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<p>Al&eacute;m da TV Senado, a TV Brasil, tamb&eacute;m financiada com dinheiro p&uacute;blico, mant&eacute;m em seu perfil uma s&eacute;rie de tr&ecirc;s v&iacute;deos que propagam informa&ccedil;&otilde;es que se chocam com o consenso cient&iacute;fico e criam a sensa&ccedil;&atilde;o de que existe um debate sobre o aquecimento global e suas causas. Assim como o da TV Senado, o canal n&atilde;o &eacute; monetizado. Publicados em mar&ccedil;o de 2010, cada um dos v&iacute;deos tem cerca de 10 minutos e faz parte da entrevista do programa 3a1, com o pesquisador Luiz Carlos Molion, que defende suas ideias negacionistas sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Juntos, os conte&uacute;dos somam mais de 142 mil visualiza&ccedil;&otilde;es, 5.291 curtidas e 201 coment&aacute;rios.&nbsp; </p>
<p>Em junho de 2017, a entrevista foi republicada pelo canal monetizado do ex-bolsonarista Nando Moura, quando este ainda apoiava o presidente. No v&iacute;deo que alcan&ccedil;ou mais de 283 mil visualiza&ccedil;&otilde;es, 29.071 curtidas e 543 coment&aacute;rios, Moura afirma que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o uma inven&ccedil;&atilde;o: &#8220;&Eacute; imposs&iacute;vel acreditar nisso quando voc&ecirc; v&ecirc; os dados&#8221;. Depois, o m&uacute;sico indicou a entrevista do Molion para a TV Brasil como conte&uacute;do para &#8220;estudar e acreditar nesse tema&#8221;. </p>
<p>Os v&iacute;deos publicados diretamente pela TV Brasil e pela TV Senado n&atilde;o apresentam o painel informativo com contexto sobre o tema, o que, para Meghie Rodrigues, representa mais um problema. &#8220;&Eacute; importante ter mecanismos que regulem, que alertem e que pelo menos sinalizem &agrave;s pessoas que aquele conte&uacute;do est&aacute; errado, que aquilo &eacute; um neg&oacute;cio que n&atilde;o &eacute; cient&iacute;fico&#8221;, diz a pesquisadora. </p>
<p>Em retorno, a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), que responde pela TV Brasil, afirmou que os v&iacute;deos &#8220;t&ecirc;m mais de 12 anos&#8221; e que &#8220;o programa em quest&atilde;o n&atilde;o integra a grade da TV Brasil desde 2014&#8221;. J&aacute; a assessoria do Senado afirmou que &#8220;a TV Senado tem entre suas obriga&ccedil;&otilde;es gravar e transmitir as sess&otilde;es plen&aacute;rias e as reuni&otilde;es das comiss&otilde;es do Senado Federal sem edi&ccedil;&atilde;o&#8221;, al&eacute;m de realizar &#8220;a cobertura jornal&iacute;stica dos eventos legislativos&#8221;. </p>
<p>O Senado afirmou tamb&eacute;m que &#8220;o tema &#8216;Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas&#8217; vem sendo amplamente debatido&#8221; e que &#8220;nenhum ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o do Senado propaga desinforma&ccedil;&atilde;o&#8221;. &#8220;Observamos que o Senado Federal tem compromisso com o combate &agrave;s chamadas fake news. Nesse sentido, realiza campanhas de divulga&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o em todos os seus ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e nas redes sociais; e mant&eacute;m o servi&ccedil;o &#8216;Senado Verifica: Fato ou Fake?'&#8221;. </p>
<h3>Dois cientistas est&atilde;o em 70% dos v&iacute;deos mentirosos&nbsp;</h3>
<p>Em 2018, quando saiu a not&iacute;cia de que Bolsonaro estaria pensando no negacionista Ricardo Fel&iacute;cio para a cadeira do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, alguns apoiadores do presidente se animaram. Luiz Camargo, que mant&eacute;m um canal de extrema direita no YouTube com mais de meio milh&atilde;o de inscritos, &eacute; um deles. </p>
<p>&#8220;Bolsonaro est&aacute; cogitando ningu&eacute;m menos que o Ricardo Fel&iacute;cio, o climatologista professor da USP que foi pioneiro no Brasil em nos revelar todas as fal&aacute;cias dos movimentos ambientalistas na grande m&iacute;dia&#8221;, afirmou, em 7 de dezembro de 2018, em v&iacute;deo com mais de 122 mil visualiza&ccedil;&otilde;es. De acordo com Camargo, &#8220;existe o lado dos aquecimentistas e os que negam o aquecimento&#8221;, e ele se encaixa no segundo, porque acredita que &#8220;a a&ccedil;&atilde;o do homem pode causar uma altera&ccedil;&atilde;o local do clima, e n&atilde;o global como os aquecimentistas tentam nos enfiar goela abaixo&#8221;. Para ele, os estudos cient&iacute;ficos se resumem a &#8220;previs&otilde;es alarmistas&#8221; para gerar medo.&nbsp; </p>
<p>&#8220;Mesmo que o escolhido n&atilde;o seja Ricardo Fel&iacute;cio, tenho certeza que ter&aacute; pensamento semelhante. De repente pode ser o professor Luiz Carlos Molion, quem sabe, seria &oacute;timo tamb&eacute;m&#8221;, aventou em previs&otilde;es que nunca se concretizaram. Ainda assim, os nomes s&atilde;o relevantes no cen&aacute;rio do negacionismo: mesmo que n&atilde;o ocupem o minist&eacute;rio, os dois pesquisadores respaldam boa parte da desinforma&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica no Brasil. Juntos, aparecem em ao menos 26 dos 37 v&iacute;deos mapeados pela reportagem. </p>
<p>Os dois professores s&atilde;o pr&oacute;ximos de parte do agroneg&oacute;cio brasileiro. Em 2021, reportagem da BBC News Brasil mostrou que eles participaram de diversos eventos e palestras financiados pela Aprosoja Mato Grosso, a principal associa&ccedil;&atilde;o de produtores de soja e milho do estado. Nos eventos, negavam a influ&ecirc;ncia do homem nas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas para plateias formadas por estudantes de agronomia, fazendeiros e produtores rurais.&nbsp; </p>
<p>Allgaier explica que os negacionistas clim&aacute;ticos n&atilde;o s&atilde;o os primeiros cientistas a emprestar sua credibilidade para negar o consenso de seus pares. O mesmo teria acontecido quando a ci&ecirc;ncia descobriu que o cigarro causa c&acirc;ncer &mdash; e as empresas de tabaco contrataram pesquisadores que negassem os fatos. &#8220;Eles ganham dinheiro, e basicamente sua &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o &eacute; usar seu t&iacute;tulo e background para basicamente destruir o consenso em qualquer tema, como mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas&#8221;, afirmou o pesquisador. </p>
<p>Ricardo Fel&iacute;cio se apoia em sua gradua&ccedil;&atilde;o e mestrado na &aacute;rea de meteorologia e ci&ecirc;ncias atmosf&eacute;ricas e no doutorado em geografia pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) para dar credibilidade &agrave;s suas afirma&ccedil;&otilde;es. Ele &eacute; professor de climatologia na universidade, onde, segundo relatos de alunos, n&atilde;o deu aulas desde o in&iacute;cio da pandemia e continuou recebendo sal&aacute;rio. Em 2018, Fel&iacute;cio foi candidato a deputado federal pelo PSL, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro, mas n&atilde;o foi eleito, tendo apenas 11 mil votos. Quando ainda era pr&eacute;-candidato, colocava entre suas propostas a retirada da &#8220;abordagem ideol&oacute;gica&#8221; na educa&ccedil;&atilde;o ambiental do ensino superior do pa&iacute;s.&nbsp; </p>
<p>J&aacute; Luiz Molion se apoia em seu PhD em meteorologia na Universidade de Wisconsin e na alcunha de professor aposentado da Ufal. Molion tamb&eacute;m tem rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima ao canal Not&iacute;cias Agr&iacute;colas &ndash; Oficial, que traz atualiza&ccedil;&otilde;es e conte&uacute;dos sobre o &#8220;mundo agro&#8221;. Nos v&iacute;deos, o professor aparece dando previs&otilde;es de clima e tempo, levando em considera&ccedil;&atilde;o os per&iacute;odos de colheita. Em um dos v&iacute;deos, ele contesta o relat&oacute;rio de 2021 do IPCC e classifica o documento como &#8220;terrorismo clim&aacute;tico&#8221;. </p>
<p>Questionado pela reportagem, Molion respondeu que trabalha como consultor para o Not&iacute;cias Agr&iacute;colas. Segundo o professor, que negou ser financiado pelo agroneg&oacute;cio, &#8220;o CO2 &eacute; o g&aacute;s da vida&#8221; e sua maior concentra&ccedil;&atilde;o na atmosfera aumenta a &#8220;produtividade vegetal&#8221;.&nbsp; </p>
<p>Quatro meses depois do an&uacute;ncio das novas pol&iacute;ticas do Youtube sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, em de fevereiro de 2022, Fel&iacute;cio parou de publicar em seu canal no YouTube Ricardo Fel&iacute;cio &ndash; Oficial, onde tem 161 mil inscritos, afirmando que a plataforma encerrou as atividades com os membros do canal e tirou sua monetiza&ccedil;&atilde;o. Fel&iacute;cio acusou o site de censura e convidou seus seguidores a se inscreverem em um novo canal no Youtube, o RF Brasil &ndash; Embaixada do Reino, onde j&aacute; uniu mais de 11 mil interessados a acompanhar suas atividades enquanto busca por uma nova plataforma.&nbsp; </p>
<p>A migra&ccedil;&atilde;o para redes com menos monitoramento &eacute; comum entre aqueles retirados de plataformas tradicionais. Uma das alternativas do pesquisador &eacute; a canadense Rumble, que j&aacute; conta com quase 3 mil inscritos. A Rumble &eacute; conhecida por abrigar criadores de conte&uacute;do que acusam o YouTube de censura e figuras da extrema direita. Ap&oacute;s afirmar que a exist&ecirc;ncia de um partido nazista deveria ser tolerada no Brasil, o influenciador Monark, criador do Flow Podcast, comemorou a chegada da Rumble no pa&iacute;s, como uma &#8220;plataforma que respeita a liberdade de express&atilde;o e n&atilde;o vai censurar ningu&eacute;m&#8221;, sinalizando ser seu novo destino. </p>
<p>A P&uacute;blica tamb&eacute;m entrou em contato com Fel&iacute;cio e outros canais citados pela reportagem, mas n&atilde;o recebeu nenhum retorno. </p>
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</ul>
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<h3 class="">Especialistas criticam a aplica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas do YouTube  </h3>
<p>Para Joachim Allgaier, as diretrizes do YouTube sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas n&atilde;o s&atilde;o suficientes para classificar os conte&uacute;dos que cont&ecirc;m informa&ccedil;&otilde;es enganosas sobre o tema. &#8220;O que eu aprendi lendo sobre o assunto &eacute; que, para a plataforma, desinforma&ccedil;&atilde;o sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; basicamente se voc&ecirc; falar que o aquecimento global &eacute; uma farsa e n&atilde;o est&aacute; acontecendo. Por&eacute;m, eles [os negacionistas] usam estrat&eacute;gias diferentes para diminuir a credibilidade dos cientistas clim&aacute;ticos, como dizer que eles s&atilde;o corruptos e outras coisas. Isso n&atilde;o vai ser considerado desinforma&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica do ponto de vista do YouTube e ainda vai poder ser monetizado&#8221;. </p>
<p>Ao anunciar suas pol&iacute;ticas em outubro de 2021, a rede explicou que examinaria &#8220;cuidadosamente o contexto em que as reivindica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o feitas, diferenciando entre o conte&uacute;do que faz uma afirma&ccedil;&atilde;o falsa como fato e o conte&uacute;do que relata ou discute essa afirma&ccedil;&atilde;o&#8221;, mas n&atilde;o deu mais informa&ccedil;&otilde;es acerca dos crit&eacute;rios utilizados para a an&aacute;lise nem divulgou dados sobre o que j&aacute; foi feito.&nbsp; </p>
<p>O levantamento da P&uacute;blica indicou que nem mesmo em v&iacute;deos com t&iacute;tulos negacionistas a rede aplica suas pol&iacute;ticas. Alguns dos conte&uacute;dos monetizados encontrados pela reportagem afirmam em seus t&iacute;tulos que o aquecimento global &eacute; uma &#8220;farsa&#8221; ou &#8220;mito geopol&iacute;tico&#8221;, al&eacute;m de adjetivar o discurso ambientalista como &#8220;hist&eacute;rico&#8221;, &#8220;catastr&oacute;fico&#8221; ou afirmar que sua &uacute;nica inten&ccedil;&atilde;o &eacute; &#8220;provocar medo&#8221;. Ainda assim, geram dinheiro para os canais e a plataforma.&nbsp; </p>
<p>Allgaier considera que a falta de transpar&ecirc;ncia tamb&eacute;m representa um problema. &#8220;N&atilde;o existe transpar&ecirc;ncia sobre o que est&aacute; realmente acontecendo no YouTube e como o algoritmo funciona. &Eacute; uma f&oacute;rmula secreta&#8221;, explica. &#8220;Mais do que desmonetizar, o YouTube precisa ser transparente quanto aos algoritmos de recomenda&ccedil;&atilde;o e precisa revisar a forma como esse algoritmo funciona, o que &eacute; basicamente reformar toda a forma como a rede funciona&#8217;, concorda Meghie Rodrigues. &#8220;A desinforma&ccedil;&atilde;o caminha em uma velocidade muito mais r&aacute;pida do que as a&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o feitas para conter o espalhamento dela&#8221;, aponta ela. </p>
<p>Rieder, entretanto, acha dif&iacute;cil que a rede mexa no seu lucro: &#8220;Hoje h&aacute; uma grande audi&ecirc;ncia que quer ver esse tipo de conte&uacute;do [negacionismo clim&aacute;tico] no YouTube, e, se h&aacute; pessoas que v&atilde;o procurar esses v&iacute;deos, &eacute; dif&iacute;cil imaginar que o YouTube vai mudar completamente a l&oacute;gica da recomenda&ccedil;&atilde;o numa dire&ccedil;&atilde;o de sugerir v&iacute;deos pouco populares&#8221;. </p>
<p>O pesquisador&nbsp;evidencia tamb&eacute;m a diferen&ccedil;a na aplica&ccedil;&atilde;o das diretrizes da plataforma nos diferentes pa&iacute;ses do mundo. &#8220;L&iacute;nguas como o portugu&ecirc;s s&atilde;o l&iacute;nguas importantes [para a rede], mas acho que o foco comercial do YouTube fica sempre, principalmente, nos Estados Unidos&#8221;, onde tamb&eacute;m existem &#8220;muitos v&iacute;deos que conseguem passar por esses filtros&#8221;. </p>
<h3>Metodologia</h3>
<p>Para colher as informa&ccedil;&otilde;es que baseiam esta reportagem, foi usada a ferramenta YouTube Data Tools, criada pela Iniciativa de M&eacute;todos Digitais da Universidade de Amsterd&atilde;, que extrai dados diretamente da plataforma. A reportagem buscou por &#8220;aquecimento global&#8221; no m&oacute;dulo Video Network para obter acesso aos v&iacute;deos diretamente relacionados a essa busca em portugu&ecirc;s, publicados no Brasil, e em profundidade 1. O resultado foi uma planilha com 1.622 entradas. Para obter amostra analis&aacute;vel, a reportagem selecionou todos os v&iacute;deos em que o termo &#8220;aquecimento global&#8221; aparecia no t&iacute;tulo, o que gerou uma amostra de 121 v&iacute;deos, que foram organizados de acordo com o n&uacute;mero de visualiza&ccedil;&otilde;es.&nbsp; </p>
<p>Nos v&iacute;deos analisados est&atilde;o presentes os 50 v&iacute;deos que comp&otilde;em a resposta inicial da plataforma &agrave; busca pelo termo, ou seja, os 50 se referem &agrave;s indica&ccedil;&otilde;es da rede a partir da busca na barra de pesquisa. Os outros 71 v&iacute;deos foram colhidos pela ferramenta utilizada a partir das recomenda&ccedil;&otilde;es da API do YouTube em associa&ccedil;&atilde;o sucessiva aos 50 primeiros. O YouTube possui v&aacute;rios mecanismos para fazer suas recomenda&ccedil;&otilde;es; nesse caso, se trata dos v&iacute;deos conectados pela plataforma como relacionados.&nbsp; </p>
<p>A P&uacute;blica analisou o conte&uacute;do dos v&iacute;deos e classificou-os segundo seu alinhamento com o consenso cient&iacute;fico sobre o aquecimento global, de acordo com o sexto relat&oacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o do Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC). Al&eacute;m de v&iacute;deos que negam o aquecimento global, foram considerados como contr&aacute;rios ao consenso oficial v&iacute;deos que simulassem a exist&ecirc;ncia de um debate na comunidade cient&iacute;fica sobre a possibilidade do ser humano afetar o clima, j&aacute; que esse fato j&aacute; &eacute; consensual entre os cientistas da &aacute;rea. A reportagem classificou os conte&uacute;dos entre monetizados e n&atilde;o monetizados e identificou se os v&iacute;deos foram oficialmente apontados pelo YouTube como sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas a partir da exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o do painel de contexto. </p>
<p>As buscas foram feitas na aba an&ocirc;nima em 10 de mar&ccedil;o de 2022, em IP localizado em Bras&iacute;lia, no Distrito Federal. Como o YouTube utiliza tamb&eacute;m par&acirc;metros como data e localidade para recomendar v&iacute;deos, os resultados representam com mais especificidade as recomenda&ccedil;&otilde;es para usu&aacute;rios que estivessem naquela data e localidade. A aba an&ocirc;nima foi utilizada para diminuir o grau de personaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados.&nbsp; </p>
<p>A reportagem &#8220;YouTube de Bolsonaro leva a canais investigados no STF por desinforma&ccedil;&atilde;o e atos antidemocr&aacute;ticos&#8221;, publicada pela P&uacute;blica em janeiro de 2021, utilizou metodologia semelhante.&nbsp; </p>
<p> <em>*Colaborou: Raphaela Ribeiro</em>  </p>
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<div id="infocoweb_rodape" class="infocoweb_rodape">Fonte: <a target="_blank" href="http://tecnologia.ig.com.br/2022-03-29/youtube-ganha-dinheiro-negacionismo-climatico.html#263" rel="noopener">IG TECNOLOGIA</a></div>
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		<title>Má gestão da água agrava escassez e desequilíbrio climático, alertam especialistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Mar 2022 17:20:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política Nacional]]></category>
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<p>Em alus&atilde;o ao Dia Mundial da &Aacute;gua, a Comiss&atilde;o de Meio Ambiente (CMA) debateu em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica nesta quarta-feira (23) como melhor gerir a &aacute;gua, especialmente em um cen&aacute;rio que pode ser de escassez cr&ocirc;nica no mundo nos pr&oacute;ximos anos.</p>
<p>O presidente da comiss&atilde;o, senador Jaques Wagner (PT-BA), alertou que o Brasil, por ter as maiores reservas h&iacute;dricas do planeta, parece ainda n&atilde;o ter a dimens&atilde;o da relev&acirc;ncia geopol&iacute;tica que o acesso ao recurso tem e ter&aacute; no futuro, diante de um quadro de agravamento das condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas advindas das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</p>
<p>&mdash; O painel da ONU sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, em ingl&ecirc;s], alerta que esses fen&ocirc;menos t&ecirc;m reduzido a seguran&ccedil;a h&iacute;drica e alimentar de popula&ccedil;&otilde;es no mundo todo. Hoje, metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial sofre de grave escassez de &aacute;gua por ao menos uma parte do ano, devido a fatores clim&aacute;ticos e n&atilde;o clim&aacute;ticos. A inseguran&ccedil;a alimentar aguda e ocorr&ecirc;ncias de inunda&ccedil;&otilde;es e secas aumentaram na &Aacute;frica e nas Am&eacute;ricas Central e do Sul &mdash; destaca Wagner.</p>
<p>O parlamentar chamou aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que a contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua no Brasil dificulta o acesso.</p>
<p>&mdash; Entre setembro de 2020 e mar&ccedil;o de 2021, o volume de &aacute;gua que chegou &agrave;s hidrel&eacute;tricas foi o menor em 91 anos. A Fiocruz e a Universidade Federal do Oeste do Paran&aacute; [Unioeste] ainda provaram, com base em dados da Bacia do Tapaj&oacute;s, que 75% da popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o t&ecirc;m taxas de contaminantes acima do recomendado pela OMS [Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de], devido ao garimpo ilegal. Outras pesquisas revelam que 763 cidades, entre 2018 e 2020, apontaram que a &aacute;gua sa&iacute;da da torneira nestas cidades apresentavam subst&acirc;ncias qu&iacute;micas e radioativas acima dos limites recomendados pela OMS &mdash; apontou.</p>
<p>Devido a este quadro preocupante tamb&eacute;m no Brasil, Jaques Wagner defende, entre outras a&ccedil;&otilde;es, que a educa&ccedil;&atilde;o ambiental seja transformada em mat&eacute;ria espec&iacute;fica em todo o ensino brasileiro.</p>
<p>&mdash; A educa&ccedil;&atilde;o ambiental devia ser curricular. A maior parte da popula&ccedil;&atilde;o brasileira ainda n&atilde;o tem no&ccedil;&atilde;o das consequ&ecirc;ncias do aquecimento global e seus impactos, inclusive no potencial risco do surgimento de novas pandemias. Setenta por cento das pandemias adv&eacute;m de zoonoses, da quebra do equil&iacute;brio da natureza &mdash; concluiu o senador, exemplificando com o pr&oacute;prio caso da covid-19.</p>
<p><strong>Novas pandemias</strong></p>
<p>O te&oacute;logo e escritor Leonardo Boff, que tem d&eacute;cadas de atua&ccedil;&atilde;o ambientalista, tamb&eacute;m participou da audi&ecirc;ncia. Com base em dados cient&iacute;ficos, ele alertou que o planeta pode sofrer pandemias ainda piores que a covid-19 devido a desequil&iacute;brios clim&aacute;ticos.</p>
<p>&mdash; G<span>randes cientistas como David Quammen, que previu o ebola e o coronav&iacute;rus, afirma claramente que se n&atilde;o mudarmos nossa rela&ccedil;&atilde;o com a Terra at&eacute; 2030, vir&aacute; uma gama de v&iacute;rus letais e eventualmente vir&aacute; &#8220;</span><i>the next big one</i><span>&#8220;, o grande, aquele que n&atilde;o poderemos combater e a que n&atilde;o seremos imunes. N&atilde;o haver&aacute; vacinas, antibi&oacute;ticos e poder&aacute; haver uma dizima&ccedil;&atilde;o da ra&ccedil;a humana. Poderemos criar o&aacute;sis de salva&ccedil;&atilde;o, mas grande parte da humanidade pode desaparecer &mdash; advertiu.</span></p>
<p><span>Para Boff, o grande dilema da humanidade, especialmente do Brasil, &eacute; se ela ir&aacute; tratar a &aacute;gua como um bem social ou uma mercadoria.</span></p>
<p><span>&mdash; A &aacute;gua &eacute; fonte de vida ou lucros? &Eacute; mercadoria ou um bem natural, insubstitu&iacute;vel? A &aacute;gua deve ser privatizada? O Brasil tem sido alvo das maiores empresas privadas desse setor, inclusive dos fundos ligados a George Soros, &agrave; Coca Cola e a grandes empresas norte-americanas, alem&atilde;s e francesas.</span></p>
<p><span>O te&oacute;logo ainda apontou que outro problema do Brasil &eacute; o alto desperd&iacute;cio.</span></p>
<p><span>&mdash;&nbsp;<span>O Brasil &eacute; a pot&ecirc;ncia das &aacute;guas. Treze por cento de toda a &aacute;gua pot&aacute;vel do mundo est&aacute; no nosso pa&iacute;s. Mas aqui &eacute; tamb&eacute;m desigualmente distribu&iacute;da: 70% na Amaz&ocirc;nia, 15% no Centro-Oeste, 6% no Sul e Sudeste e 3% no Nordeste. Mas 40% da &aacute;gua tratada no Brasil &eacute; desperdi&ccedil;ada &mdash; ressaltou.</span></span></p>
<p><strong>Agravamento</strong></p>
<p>O diretor-interino da Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas (ANA), Rogerio Menescal, garantiu que a ANA atua com base em quadros de agravamento das condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas para os pr&oacute;ximos anos.</p>
<p>&mdash; Nosso planejamento nesta &aacute;rea &eacute; baseado no IPCC, levando em conta o aumento em inunda&ccedil;&otilde;es e secas. Nossos cen&aacute;rios indicam a diminui&ccedil;&atilde;o de disponibilidade h&iacute;drica nas regi&otilde;es Nordeste e Norte, e aumento de inunda&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o Sul. Ou seja, o pa&iacute;s precisa trabalhar com cen&aacute;rios de adapta&ccedil;&atilde;o a esees quadros &mdash; avisou.&nbsp; &nbsp;&nbsp;</p>
<p>J&aacute; a representante da Articula&ccedil;&atilde;o do Semi&aacute;rido (ASA), Valqu&iacute;ria Smith, foi outra para quem o modelo econ&ocirc;mico dominante no planeta tem dificultado o acesso regular de bilh&otilde;es de pessoas &agrave; agua da forma como poderia ser. Segundo ela, este quadro no Brasil tem sido agravado por uma descaso &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ligadas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nos &uacute;ltimos anos. Dentre as consequ&ecirc;ncias deste descaso, Valqu&iacute;ria destacou os processos de desertifica&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es do Semi&aacute;rido.</p>
<p class="text-muted"><small>Ag&ecirc;ncia Senado (Reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada mediante cita&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Senado)</small></p>
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<div id="infocoweb_rodape" class="infocoweb_rodape">Fonte: <a target="_blank" href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/03/23/ma-gestao-da-agua-agrava-escassez-e-desequilibrio-climatico-alertam-especialistas#263" rel="noopener">Ag&ecirc;ncia Senado</a></div>
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