terça-feira, abril 21, 2026

STF vê PEC das Bondades como afronta, mas admite ser difícil reverter

STF acredita que votação expressiva no Senado prejudica avaliação da PEC das Bondades no judiciário
STF / Divulgação

STF acredita que votação expressiva no Senado prejudica avaliação da PEC das Bondades no judiciário

Aprovada pelo Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui um estado de emergência no Brasil até o fim do ano para abrir espaço para gastos bilionários do governo a três meses da eleição é vista por uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como uma afronta à legislação eleitoral e regras fiscais. Os magistrados, no entanto, ponderam que a expressiva votação a favor da proposta pelos senadores dá amparo à medida, o que deve ser levado em conta caso eventualmente a Corte seja instada a se manifestar sobre o tema.

Nesta quinta-feira, o senado aprovou, por 72 votos a 1, a chamada PEC Eleitoral. A medida vai permitir o aumento do valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, além de criar um vale de R$ 1.000 para caminhoneiros e de R$ 200 para taxistas.

Um ministro do STF ouvido em caráter reservado disse considerar que o assunto “não é nada óbvio”, pois embora haja restrições legais para a criação de benefícios sociais tão perto de uma eleição, é preciso considerar que aumentou a quantidade de pessoas passando fome no país.

Outro magistrado, que também falou sob a condição de anonimato, lembra que diante do delicado momento econômico vivido pelo país, a própria oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PL) votou a favor da PEC.

Para esse grupo de ministros, a votação quase unânime, com a contrariedade apenas do senador José Serra (PSDB-SP), cria um peso para qualquer decisão que seja tomada pelo Supremo no caso de a medida vir a ser judicializada.

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Nesta sexta-feira, em comunicado divulgado à imprensa, o partido Novo disse que iria ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF caso a PEC passe também na Câmara. De acordo com a nota, Eduardo Ribeiro, presidente da legenda, já acionou o partido para elaborar a ação.

“Nosso jurídico já está trabalhando na tese, mas é impressionante a velocidade com que o Congresso faz remendos casuísticos, e ao mesmo tempo é de uma letargia também impressionante quando se trata das reformas estruturais”, diz o texto.

A aprovação dessa PEC, segundo juristas, abre um precedente perigoso e irreversível, pois pode permitir que qualquer pretexto seja utilizado tanto para driblar a lei eleitoral como para afrontar a Constituição, criando um “vale-tudo eleitoral. O drible na lei eleitoral pode comprometer a isonomia da disputa neste e em outros pleitos, alertam os especialistas.

No primeiro turno, a PEC foi aprovada por 72 votos a favor e 1 contrário. No segundo turno, por 67 votos a favor e 1 contrário. Apesar de a proposta ser considerada um “cheque em branco” para o presidente Jair Bolsonaro, que está em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, a oposição votou a favor. Senadores até tentaram tirar o estado de emergência da PEC, mas votaram a favor assim mesmo.

Fonte: IG ECONOMIA

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