terça-feira, abril 28, 2026

Preocupação com continuidade de concessão da BR-163 norteia debate na CI


Preocupados com a continuidade do processo de concessão da BR-163, no trecho de mil quilômetros entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), senadores da Comissão de Infraestrutura debateram o tema nesta sexta-feira (20) em audiência pública.

O requerimento foi apresentado pelo senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que presidiu a audiência, e subscrito pelo senador Zequinha Marinho (PL-PA).

Izalci esclareceu que a concessão da BR-163 foi suspensa em junho de 2021, após uma decisão da Vara Federal Cível e Criminal de Altamira (PA). A paralisação atendeu um pedido do Ministério Público Federal (MPF), que acusa o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de descumprir uma decisão liminar de 2020. Contudo, a Advocacia-Geral da União conseguiu reverter a decisão.

No último dia 1º de abril, foi assinado o contrato com a concessionária Via Brasil, que assumiu os trabalhos no trecho licitado desde 4 de maio. A concessão prevê 10 anos de atuação da empresa.  

— Precisamos resolver a situação, lá na ponta as pessoas estão sofrendo. A concessionária já iniciou os trabalhos. Com a suspensão, quem perde é a população — afirmou Izalci.

Para Zequinha Marinho, “é importante levarmos em consideração que o país precisa avançar”.

— Essa rodovia está sendo operada e esses empreendimentos precisam avançar. Vai haver apenas a mudança do operador, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes para uma concessionária.

Zequinha salientou que a rodovia não está dentro das terras indígenas, mas próxima à região, e que a BR é antiga e já foi pavimentada, precisando ser recuperada quanto antes para o melhor escoamento da produção local.

A senadora Soraya Thronicke (União-MS) demonstrou preocupação com a falta de cumprimento dos contratos por parte de concessionárias ao longo da BR-163. Ela citou o caso da CCR Via, em Mato Grosso do Sul, que deveria ter feito a duplicação de vários trechos no estado, em boa parte não realizados.

— Quando é que nós teremos concretamente o que merecemos e pagamos? — questionou.

Compensações

Uma das questões levantadas debruça-se sobre o Plano Básico Ambiental Indígena (PBAI), estabelecido para reduzir os impactos da obra sobre áreas de três povos indígenas atingidos pelo asfaltamento da rodovia. De acordo com o MPF, o plano não foi apresentado no prazo estipulado.

Diretor de Planejamento e Pesquisa do Dnit, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello afirmou que o plano vem sendo cumprido, mas há uma longa discussão com as terras indígenas e que, sem consenso, a questão acabou sendo judicializada.

Segundo Mello, a rodovia foi encaminhada para concessão e a concessionária dará continuidade ao PBAI.

— No Dnit, estamos abertos ao diálogo. Esperamos que esse processo não tenha uma descontinuidade. (…) É muito temerário termos essa suspensão da concessão porque o Dnit não tem recursos para assumir os reparos e melhoramentos necessários.

Procurador-chefe da Procuradoria do Dnit, Gustavo Trivelato enfatizou que a concessão não está suspensa, até que haja a decisão de trânsito final do processo. Ele também reafirmou que estão sendo cumpridas obrigações por parte do órgão, como a questão dos ramais rodoviários.

Curto, o contrato da BR-163 terá bons resultados, na opinião do superintendente de Infraestrutura da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Roger da Silva Pêgas.

— Esse é um modelo de contrato que a agência vem construindo desde 2019 e que tem se mostrado bem-sucedido.

Empresa concessionária

O diretor-presidente da empresa Via Brasil, Fernando Fujisawa, pediu apoio para a continuidade da concessão.

— A empresa ganhou a concessão comprovando toda sua capacidade técnica e financeira e por isso assinou o contrato, que está vigente desde 1º de abril.

O diretor da Via Brasil disse ainda que já há 600 colaboradores em atividade na rodovia, em ações como pavimentação, limpeza, pintura e outras.

— Para o processo da licença no trecho do Pará, já alinhamos com o Dnit e vamos assumir a compensação ambiental devida e até então não cumprida — afirmou Fujisawa.

Passivo

Ao defender o retorno da concessão ao Dnit, o assessor da presidência da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer), Francisco Lima Guimarães, lembrou que há um passivo há ser honrado.

— Vemos com muita preocupação uma atividade que é de exclusividade da Federação ser, de alguma forma, repassada para um ente não público. A empresa foi a única participante, em uma licitação que poderia até ter sido internacional. Não ficou muito claro que somente a Via Brasil poderia ter essa capacidade de assumir a concessão.

A coordenadora-geral de Licenciamento da Funai, Carla Fonseca, afirmou que a concessão em si não interfere nos impactos já ocorridos, mas que é preciso solucionar compensações que ficaram para trás.

Advogado do Instituto Kabu — organização indígena que reúne 12 aldeias indígenas do sul do Pará —, Melilo Diniz também pontuou que há “muitos problemas do passado”. Ele afirmou que a narrativa otimista dos órgãos governamentais não corresponde à percepção que as lideranças indígenas têm.

— Entendemos a limitação de orçamento, mas não tem acontecido diálogo de boa-fé, e isso quer dizer resolver o problema. A BR-163 tem um grande problema, que está na ação judicial: a falta de licença de operação. Sem o diálogo, sem a participação dos povos indígenas, não teremos qualquer tipo de solução.

Vice-presidente da Fundação Amazônica de Migração e Meio Ambiente (Finama), Marcelo Norkey Duarte Pereira afirmou que as populações tradicionais têm sofrido pela criação das unidades de conservação e que nunca foi pago qualquer tipo de indenização a essas comunidades.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Alunos de projeto social do CBMMT conquistam nove medalhas em campeonato estadual de Jiu-Jitsu

Alunos do projeto social Bom-Jitsu, iniciativa do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (CBMMT), conquistaram nove medalhas no Campeonato Mato-grossense 2026 de Jiu-Jitsu (GI),...

Arena Pantanal recebe segunda rodada do FIFA Series de futebol feminino nesta terça-feira (14)

A Arena Pantanal, em Cuiabá, recebe, nesta terça-feira (14.4), a segunda rodada do FIFA Series, com confrontos do futebol feminino internacional. A programação começa...

Sine Estadual oferta mais de 2.537 vagas de trabalho nesta semana

O Sistema Nacional de Emprego (Sine-MT), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), está ofertando 2.537 vagas de emprego...

Sejus articula ações com instituições para ampliar vagas e fortalecer sistema prisional em Mato Grosso

A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) sediou, nesta segunda-feira (13.4), uma reunião institucional com representantes do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e...