domingo, abril 19, 2026

Grãos acumulam alta de 25% em 12 meses e milho some das festas juninas

Alta de preço faz milho verde sumir das festas juninas e deixa pamonha e outros pratos mais caros
Reprodução

Alta de preço faz milho verde sumir das festas juninas e deixa pamonha e outros pratos mais caros

Acabou não só o milho e a pipoca, como diz o ditado, mas também o curau e até a pamonha. A alta no preço do milho, uma das grandes estrelas das festas juninas (e julinas e agostinas), tem impactado os festejos, deixando barraquinhas mais vazias e tornando “salgados” alguns dos doces mais tradicionais dessa época do ano.

Na inflação geral , que bateu 11,89% em junho – décimo mês com o índice com dois dígitos – foram justamente os alimentos e a alimentação fora de casa que mais pesaram. Nesse mês, o preço do grão até teve uma redução tímida, de 0,55%, mas a alta acumulada nos últimos 12 meses já é de 25,46%.

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, não analisa o preço do milho in natura, versão mais utilizada nos quitutes juninos. Mas a carestia do grão seco já é um sinal de que o ingrediente está mais caro. É o que explica o economista André Braz, coordenador da pesquisa de preços da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“Esse grão já vem subindo há um tempo em função da guerra entre Rússia e Ucrânia, não porque a Ucrânia produz milho, e sim porque o conflito cria muitas instabilidades no preço das commodities, como o milho e também a soja e o trigo”, afirma.

Mas não são apenas fatores externos que explicam o motivo de o milho ter ficado mais caro. Fenômenos climáticos, como a falta de chuvas, também impactam no preço. E outro ingrediente presente em muitas das receitas juninas também faz parte dessa conta: o leite, cujo litro chegou a ser encontrado por mais de R$ 10 em mercados do Rio:

“A safra do milho não foi comprometida, mas a procura aumentou, e com isso, o preço sobe. O milho é amplamente usado como alimentação dos animais, principalmente nessa época, em que o tempo está mais seco. Sem pastagem, o grão é mais usado na ração, o que impacta também o preço do leite, e também na oferta para o varejo, que diminui”, explica Braz.

Produção de pamonhas dobra de preço

Na Igreja do Divino Espírito Santo, no Estácio, a organização da tradicional festa junina, sempre no mês de agosto, vive um impasse: é que a alta nos custos pode acabar inviabilizando as pamonhas, carro-chefe da Barraca do Milho, que todos os anos vende também curau e bolo aos frequentadores, além das espigas cozidas.

O empresário Lucas Miranda faz parte do grupo que organiza a quermesse. Ele conta que em 2019, ano em que a última festa aconteceu, foram comprados quatro sacos de milho e 24 litros de leite para produzir cerca de 150 pamonhas, além de cozinhar 100 espigas. O custo, que na época saiu por cerca de R$ 320, agora pode passar dos R$ 650.

“Esse ano está tendo uma discussão enorme se vamos fazer pamonha ou não porque na receita leva muito milho e muito leite, que também está absurdo de caro. Até é viável fazer, mas a questão é que o preço que seria repassado para o público ficaria muito salgado. Costumávamos vender a pamonha a R$ 5, pelo cálculo que fizemos, teríamos que colocar a partir de R$ 15 para cobrir todo o gasto”, diz.

Para quem vive exclusivamente do milho, o preço tem exigido mudanças no orçamento. Trabalhando na Feira de São Cristóvão há 32 anos, a empreendedora Sandra do Nascimento, 48, toca uma barraca especializada em milho, vendendo papa, pamonha, espigas cozidas e assadas e até suco. Com medo de aumentar o preço dos produtos, e acabar perdendo clientes, a saída encontrada por ela foi tirar da margem de lucro metade da alta dos custos.

“Nessa época do ano, o milho fica mais caro, mas esse ano está pior. Até maio, pagava de R$ 20 a 25 na saca, e hoje já está saindo por R$ 50. E além de estar mais cara, a saca está menor. Costumava comprar o pacote com 45 ou 50 espigas, hoje só vem 35, no máximo 40 unidades”, conta Sandra: “Tive que ter um jogo de cintura muito grande. As pessoas estão com pouco dinheiro, não podemos fazer o repasse total. Tive que fazer quase meio a meio, e assumir metade da alta tirando do meu lucro. Foi o jeito que deu para equilibrar.”

Fonte: IG ECONOMIA

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