domingo, abril 19, 2026

Fazer igual jamais trará resultados diferentes

Werner Roger, colunista do iG
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Werner Roger, colunista do iG

Uma frase que costuma ser repetida com certa frequência – e mais ainda em tempos digitais – é uma definição que teria sido formulada por Albert Einstein. A frase não é dele (não há nenhum registro de que ele a tenha formulado), e mesmo do ponto de vista psiquiátrico, há sutilezas sobre sua precisão que deixaremos para os debates entre especialistas. Mas é boa demais e apresenta um ponto importante para considerarmos. A frase diz: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”

Se o que se quer é um resultado diferente daquele que todos obtêm quando fazem uso dos mesmos princípios e ferramentas, é preciso usar princípios e ferramentas diferentes. Quem realiza tudo das mesmas maneiras, sempre, não vai alcançar resultados diferentes. Essa reflexão ajudará nossos leitores a entender o título desta coluna, ao analisarmos um ano difícil para os índices de renda variável no Brasil.

O que observamos ao longo de 20022 é que a grande maioria dos FIAs (Fundos de Ações) apresentam resultados semelhantes entre si e em relação aos benchmarks – e quanto maior o prazo avaliado, mais semelhantes ficam. Ou seja: a diversificação entre gestores, fundos ou gestoras de fato é pouco efetiva. Isso acontece porque as gestões usam estratégias muito semelhantes – a clássica abordagem top-down, ou baseadas na macroeconomia, como filtro para selecionar setores e empresas. A taxa de juros, talvez o principal fator macroeconômico, será determinante na exposição em alguns setores.

Com isso, varejo, consumo, incorporadoras, tecnologia – além das small caps – são exemplos de setores que serão evitados pelos gestores que têm na taxa de juros seu critério determinante. Quanto maior a taxa de juros, menores os crescimentos esperados de PIB e das empresas relacionadas. Maior também é a taxa de desconto que é aplicada para calcular o valor presente das ações pelos analistas.

Ao observarmos setores ligados a commodities, entra no radar dos seguidores da estratégia top-down a China. Como se trata de um setor sensível ao aumento das taxas de juros globalmente, entra na conta além da economia chinesa a expectativa de recessão em diversas regiões e países, o que reduziria a taxa de crescimento global.

Porém, ao analisar dados da queda de setores específicos, nota-se que o desempenho dos índices está muito mais relacionado com as expectativas do que com o desempenho individual das próprias empresas que integram o segmento. A abordagem top-down considera principalmente setores e perspectivas – as empresas, nesta visão, são secundárias. Mas, como a maior parte do mercado usa essa abordagem, o comportamento dos preços das ações é fortemente influenciado pelo “efeito manada”.

Gestões de carteiras quase passivas geram pouco alfa (excesso de retorno sobre os índices) para os investidores. Isso faz crescer o interesse por ETFs e a representatividade destes na indústria de fundos: seu custo é baixo e a escolha é simples, dependente apenas do tipo de índice que o ETF está associado. Fundos que se posicionam próximos aos benchmarks e que limitam tracking errors (desvio de retorno em relação ao índice benchmark escolhido) terão desempenho similar e com pouco alfa.

Isso faz com que voltemos ao tema inicial. Em tempos de bonança e bolsa para cima, a gestão que pouco se desvia do índice pode atender investidores menos atentos. Nos momentos em que o cenário se torna mais desafiador, saber escolher de forma criteriosa empresas dentro de setores que vão além do óbvio é uma tarefa fundamental para alcançar retornos esperados. Afinal, gestores de fundos são remunerados para isso, e ‘Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes’.

Fonte: IG ECONOMIA

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