quarta-feira, setembro 23, 2026

Facebook é acusado de manipular legisladores australianos; entenda


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Facebook é acusado na Austrália e nos EUA
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Facebook é acusado na Austrália e nos EUA

O Facebook é acusado de propositalmente causar danos colaterais ao  banir notícias na Austrália no ano passado para conseguir manipular os legisladores locais. Denúncias apresentadas à Comissão de Concorrência e Consumidores da Austrália e ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, obtidas pelo jornal The Wall Street Journal, acusam a empresa de ter se envolvido em “uma conspiração criminosa para obter uma coisa de valor, ou seja, tratamento regulatório favorável”.

Em fevereiro do ano passado, tramitava na Austrália um lei que exigiria que plataformas digitais, como Google e Facebook, pagassem para veículos de mídia toda vez que veiculassem seus conteúdos. Na ocasião, o Facebook pressionou os legisladores bloqueando todas as páginas de notícias da rede social no país. Com isso, a empresa negociou com a Austrália, que aprovou uma lei mais branda.

Para ganhar esse poder de barganha, porém, o Facebook teria banido notícias de forma desordenada, atingindo também órgãos governamentais australianos. Na época em que o país passava por incêndios e lançava a vacina contra a Covid-19, entidades como bombeiros locais e secretarias de saúde foram proibidas de publicar na rede social.

Na época, o Facebook reconheceu que bloqueou 17 mil páginas de forma equivocada e alegou que isso aconteceu devido a um erro para que o algoritmo definisse o que são páginas de notícias.

Agora, as denúncias obtidas pelo The Wall Street Journal mostram que a empresa estava ciente desses efeitos colaterais, mas optou por mantê-los. “Ficou claro que não estávamos cumprindo a lei, mas atacando instituições cívicas e serviços de emergência na Austrália”, disse um denunciante.

Os documentos vazados pelo jornal mostram que o Facebook definiu como página de notícia qualquer página cujos conteúdos fossem majoritariamente (60%) noticiosos. Os documentos mostram, ainda, que o Facebook planejava excluir domínios governamentais e educacionais da lista, mas não o fez.

Mesmo com os problemas, conversas internas mostram que os funcionários do alto escalão do Facebook comemoraram a ação. O CEO Mark Zuckerberg teria elogiado a equipe por “executar rapidamente e adotar uma abordagem baseada em princípios”.

Ao The Wall Street Journal, Gina Murphy, porta-voz do Facebook, disse que “os documentos em questão mostram claramente que pretendíamos isentar as páginas do governo australiano de restrições em um esforço para minimizar o impacto dessa legislação equivocada e prejudicial. Quando não conseguimos fazê-lo como pretendido devido a um erro técnico, pedimos desculpas e trabalhamos para corrigi-lo. Qualquer sugestão em contrário é categoricamente e obviamente falsa”.

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