segunda-feira, setembro 28, 2026

Deflação terá efeito eleitoral pequeno para Bolsonaro, diz economista

Redução dos preços de combustíveis pode não ter tempo suficiente para influenciar eleitor
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Redução dos preços de combustíveis pode não ter tempo suficiente para influenciar eleitor

Economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale diz que  dois meses de deflação a pouco mais de dois meses das eleições, como estima o mercado, talvez não seja suficiente para reverter o quadro de inflação forte que o país, principalmente os mais pobres, estão enfrentando.

Essa deflação terá efeito eleitoral?

Tem um efeito importante ter dois meses como julho e agosto, muito próximos da eleição, com deflação, e uma inflação que estava em dois dígitos, e agora em julho provavelmente já vai para um patamar abaixo de 10%. Começamos a ver o preço de combustível cair não só por causa do ICMS, mas pelos preços de petróleo mais acomodados agora. Os preços de alimentos tendem a ter cenário mais positivo no segundo semestre.

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Mas fica a dúvida se, de fato, um efeito de deflação de dois meses vai reverter todo esse cenário muito negativo de inflação que tivemos ao longo de dois anos.

A população, apesar de a inflação estar menor, ainda tem perda real de renda muito grande. Ainda está sofrendo as consequências dessa inflação muito intensa nesses dois anos. Precisamos acompanhar especialmente a população mais pobre, que é sensível à questão de emprego e inflação, isso pode reverberar de alguma forma. Precisaria ter uma mudança econômica muito mais drástica e durante um tempo maior para conseguir ter um efeito prático de mudança de voto. 

Por quê?

A taxa de desemprego, apesar de menor, ainda está elevada, a inflação vai desacelerar, mas ainda é alta. Ajuda um pouco, mas os números dos últimos dois anos são muito ruins para o governo.

E a queda da inflação está mais concentrada nos combustíveis…

A alimentação tende a desacelerar, mas só mais para frente, talvez depois da eleição. Tem o efeito de energia e algum de combustível que pode ajudar, mas isso é mais para a classe média. E a classe média tem um grau de formação para perceber que essa é uma jogada eleitoreira. 

Como fica a inflação e o crescimento no ano que vem?

Você tira inflação esse ano, mas coloca no ano que vem. Esse ano, a inflação deve ficar em torno de 8%, um pouco menos, mas ano que vem a inflação subiu para 5,4%. Crescimento é a mesma coisa. Os juros elevados agora para conter a inflação, com cenário internacional complicado, farão o crescimento ser de 0,5%.

Fonte: IG ECONOMIA

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