quinta-feira, outubro 22, 2026

Covid: tudo o que já se sabe sobre a XE, a nova subvariante da Ômicron


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Covid-19: tudo o que a ciência já sabe sobre a XE, a nova subvariante da Ômicron
Reprodução: ACidade ON

Covid-19: tudo o que a ciência já sabe sobre a XE, a nova subvariante da Ômicron

Além da Deltacron – que mistura as variantes Delta e Ômicron do vírus causador da Covid-19 –, uma nova recombinação genética tem chamado a atenção das autoridades de saúde.

Resultado de uma mistura entre as sublinhagens BA.1 e BA.2 da Ômicron, predominantes hoje no mundo, a subvariante que ficou conhecida como XE aparenta ser mais transmissível, mas ainda não é encarada como de preocupação pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, os dados iniciais não indicaram aumento na gravidade da infecção.

“Nenhuma das recombinantes em observação atualmente é considerada ainda uma variante de preocupação. Elas estão sendo monitoradas e já estão circulando há alguns meses. Mesmo que elas tenham alguma peculiaridade, se elas não conseguirem se sobrepor à BA.2, elas vão acabar desaparecendo. Mas esses dados precisam ser observados”, explica o geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika, de Curitiba.

Veja abaixo tudo que se sabe sobre a XE até o momento:

O que é uma recombinação?

Uma variante de recombinação surge quando uma mesma pessoa é infectada simultaneamente por duas cepas diferentes, ou duas sublinhagens da mesma variante, que misturam seu material genético dentro do organismo do paciente. É um processo comum entre os vírus, que já aconteceu outras vezes durante a pandemia.

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“As variantes recombinantes não são uma ocorrência incomum, principalmente quando existem várias variantes em circulação, e várias foram identificadas ao longo da pandemia até o momento”, disse a consultora médica chefe da Agência de Segurança de Saúde do país (UKHSA), Susan Hopkins, em comunicado.

Quando a XE foi descoberta?

A combinação entre as sublinhagens BA.1, conhecida como a Ômicron original, e a BA.2 resultou na chamada subvariante XE, detectada pela primeira vez no dia 19 de janeiro deste ano no Reino Unido.

De acordo com a última atualização da autoridade de saúde do país, até então foram detectados 637 casos da nova subvariante. O Reino Unido é um dos lugares que lideram o processo de monitoramento genético do Sars-CoV-2 no mundo.

A XE é mais transmissível?

De acordo com a última atualização do boletim epidemiológico da OMS, dados iniciais indicam que a XE seria cerca de 10% mais transmissível que a BA.2 – que por sua vez é mais transmissível que sua antecessora, a BA.1, segundo estudo dinamarquês. No entanto, a organização destaca que mais estudos são necessários para comprovar qualquer diferença significativa. 

As vacinas funcionam contra a XE?

Ainda não há dados sobre a efetividade das vacinas atuais na proteção contra a subvariante XE. No entanto, a OMS destaca que a nova sublinhagem é parte da Ômicron e, até que novas mudanças relevantes sejam descobertas, a tendência é que se comporte como ela. Com isso, a expectativa é de que, assim como é o caso para a BA.1 e a BA.2, o esquema vacinal, especialmente com as três doses, seja eficaz na prevenção de desfechos graves da Covid-19.

A XE é mais grave?

Assim como a resistência às vacinas, ainda não há informações sobre a severidade da subvariante XE. Porém, estudos mostram que a Ômicron é menos agressiva que as variantes anteriores do vírus causador da Covid-19 por ser mais infecciosa na parte superior do sistema respiratório e, assim, causar menos danos aos pulmões. Como a BA.2 apresenta uma infecção similar à BA.1, a expectativa é de que o quadro provocado pela XE seja também semelhante ao de suas antecessoras, explica o geneticista Salmo Raskin.

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Há motivo para preocupação?

Não há ainda informações suficientes para acreditar que a XE resistirá à proteção conferida pelas vacinas e provocará uma nova onda de Covid-19. Segundo o relatório da OMS, a “XE pertence à variante Omicron até que diferenças significativas na transmissão e nas características da doença, incluindo gravidade, possam ser relatadas”.

Susan Hopkins, da agência de saúde britânica, ressalta ainda que a transmissibilidade maior que se supõe da XE não quer dizer necessariamente que ela vá se tornar predominante no mundo, como foi o caso com a BA.1.

“Este recombinante em particular, XE, mostrou uma taxa de crescimento variável, mas ainda não podemos confirmar se ele tem uma verdadeira vantagem de crescimento”, disse a médica, em comunicado.

‘Deltacron’: o que se sabe sobre as recombinações XF e XD

Além da XE, a agência de saúde do Reino Unido monitora outras duas recombinações: a XF e a XD, ambas da Delta (AY.4) com a sublinhagem inicial da Ômicron, a BA.1, que ficaram conhecidas como Deltacron.

No Reino Unido, foram encontrados até então 38 casos da XF, porém nenhum desde meados de fevereiro, o que indica que não há transmissão comunitária. Já a XD foi identificada em 49 casos, mas nenhum no Reino Unido e a sua maioria na França, também há mais de um mês.

O geneticista Salmo Raskin explica que havia uma preocupação em relação a um aumento na transmissibilidade, gravidade ou escape às vacinas pela recombinante da Ômicron com a Delta, o que não tem acontecido na vida real.

“Isso não parece estar acontecendo. E como a XD tem a região do receptor da proteína Spike exatamente igual à da Ômicron BA.1, a XD parece se comportar de maneira bem parecida com a Ômicron. Isso porque essa região do genoma do vírus é a mais importante no que se refere à capacidade de infecção e de escape das defesas”, explica o especialista.

Um estudo de pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, ainda em processo de revisão por pares para publicação, foi o responsável por identificar a semelhança do receptor da proteína Spike. O trabalho também analisou ambas as variantes (XD e Ômicron BA.1) e constatou que não há diferenças significativas na resistência às vacinas.

“Em conjunto, esses resultados indicam que a XD exibe propriedades de escape imune semelhantes às de BA.1”, escreveram os pesquisadores.

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Fonte: IG SAÚDE

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