sexta-feira, junho 12, 2026

Carta assinada por economistas cobra ‘razoabilidade’ do BC com Selic

Lula abre fogo contra Banco Central em primeiro embate contra autonomia do BC
Reprodução

Lula abre fogo contra Banco Central em primeiro embate contra autonomia do BC

Um grupo de economistas publicou uma carta conjunta na quinta-feira (9) cobrando “razoabilidade” do Banco Central para reduzir a taxa básica de juros, a Selic, que está no patamar de 13,75%, fazendo do Brasil o país com o mair juro real do mundo. 

A taxa tem sido alvo de embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. 

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“A taxa de juros no Brasil tem sido mantida exageradamente elevada pelo Banco Central e está hoje em níveis inaceitáveis. O discurso oficial em sua defesa não encontra nenhuma justificativa, seja no cenário internacional ou na teoria econômica, e o debate precisa ser arejado pela experiência internacional”, diz o manifesto.

O texto já soma 1.004 assinaturas até a manhã deste sábado (11) na plataforma Change.org. 

Encabeçam este Manifesto os economistas:

Luis Carlos Bresser-Pereira, Leda Paulani, Monica de Bolle, Luis Gonzaga de Mello Belluzzo, Luciano Galvão Coutinho, Nelson Marconi, Antonio Correa de Lacerda, Clélio Campolina, Paulo Nogueira Batista Jr., Lena Lavinas.

O documento não cita nominalmente Campos Neto, mas critica a manutenção da Selic na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Segundo o texto, a alta taxa leva a um “estrangulamento das atividades produtivas e criadoras”. 

“Nenhum dos países dotados de recursos e economias estruturadas possui uma taxa de juros sequer próxima da que prevalece no Brasil e que o Banco Central pretende manter por longo período”, diz o manifesto. “E todos esses países reconheceram o caráter excepcionalíssimo do surto inflacionário recente, explicado pela pandemia e pelo conflito bélico [na Ucrânia], não por excesso de demanda”, completa.

O grupo de economistas pede que o BC se oriente não só pela meta de inflação, mas também vise extinguir a pobreza e reduzir desigualdades, além de cumprir metas de sustentabilidade e preservação da natureza.

A lei que define as atribuições do Banco Central diz que a instituição tem como objetivo fundamental a estabilidade de preços, mas também precisa “zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”. 

Um dos argumentos mobilizados é que um cenário de desemprego e recessão econômica pode dar “substrato para a emergência do fascismo, do militarismo, da xenofobia e do ataque a minorias” no país.

“Uma governança econômica que seja capaz de debelar o atual estado de estagnação e crise não é somente importante para a melhora das condições de vida da população, mas é também essencial para que retomemos uma trajetória de construção democrática”, afirma o texto.

“Os economistas signatários deste manifesto declaram publicamente o apoio a uma política que seja capaz de reduzir substancialmente a taxa de juros, propiciando as condições para a retomada do desenvolvimento com estabilidade sustentável”, finaliza. 

Fonte: IG ECONOMIA

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