segunda-feira, outubro 26, 2026

Estudo da USP detecta compostos que impedem a replicação da covid

USP identifica compostos que impedem a replicação do coronavírus
Reprodução/Pixabay

USP identifica compostos que impedem a replicação do coronavírus

Uma pesquisa realizada no laboratório Unit for Drug Discovery do ICB-USP (Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo ) detectou 3 possíveis compostos que inibem a replicação da Covid-19 . O estudo, publicado na revista Communications Biology, foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade de Hamburgo e do Deutsches Elektronen-Synchrotron, ambos da Alemanha.

Selecionados em uma triagem com 500 fármacos, os compostos de origem natural tiveram sucesso em inibir a proteína PLpro – uma das enzimas responsáveis pela proliferação do vírus Sars-CoV-2. Todos os 3 compostos são derivados do fenol e classificados como polifenóis, uma classe de compostos bioativos presentes em plantas.

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De acordo com a pesquisa, os compostos inibem de 50% a 70% a ação dessa enzima. Os testes foram feitos em células Vero (linhagem oriunda de rim de macaco) e comparados com um grupo de células que não recebeu os compostos. A linhagem Vero tem similaridades com a célula humana e é muito usada como modelo experimental nesse tipo de estudo.

“Ao inserirmos os compostos nas células infectadas, constatamos que eles impediram a replicação do coronavírus ao atingir a PLpro, que tem a capacidade de inativar as células do sistema imunológico, podendo levar a casos graves da doença. Como um percentual considerável dos vírus não conseguiu se replicar, as partículas virais infecciosas foram eliminadas”,  explica Edmarcia Elisa de Souza, pós-doutoranda do ICB-USP.

“Vale ressaltar que os compostos não apresentaram toxicidade. Ou seja, não houve dano à integridade das células, principalmente nas concentrações baixas em que os compostos apresentaram atividade antiviral”, afirma.

Nova alternativa de tratamento

A descoberta dos compostos é muito relevante, porque se trata de uma alternativa ao que vem sendo feito na ciência no âmbito dos tratamentos.

“Saber que é possível inibir a replicação do Sars-CoV-2 por meio dessa proteína é uma grande descoberta, pois a maioria dos estudos para tratamentos da covid-19 tem como alvo as proteínas spike e 3CL. Conseguimos mostrar que existem mais opções, caso esses estudos não avancem”, diz Edmarcia.

O próximo passo é fazer testes em modelos animais para avaliar melhor a eficácia dos 3 compostos. Caso sejam bem-sucedidos, será possível avançar para os testes clínicos. “Os compostos foram isolados da natureza, não há nenhum registro sobre a utilização deles a não ser em pesquisas primárias e a eficácia verificada abre a possibilidade para novas terapias”, afirma.

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Fonte: IG SAÚDE

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