A raiva é uma das doenças mais letais para animais e seres humanos. Causada por um vírus que atinge o sistema nervoso central, ela é considerada praticamente 100% fatal após o aparecimento dos sintomas. Apesar da gravidade, ela pode ser evitada com uma medida simples e acessível.
Em entrevista ao
, a médica-veterinária Kamila Lara explicou que, embora os casos em animais domésticos sejam raros, eles podem acontecer. Ela reforça que a prevenção e o cuidado de manter a vacinação em dia continuam sendo a principal arma contra a raiva.
Gazeta Digital – O que é a raiva, como o vírus age no organismo dos animais e por que a doença é considerada tão grave?
Kamila Lara – A raiva é uma doença viral que pode acometer todos os mamíferos. A transmissão acontece, principalmente, pela mordida de um animal infectado, já que o vírus está presente na saliva. Após entrar no organismo, ele se multiplica no local da mordida e migra pelos nervos até atingir o sistema nervoso central, onde provoca uma inflamação grave. Em seguida, alcança as glândulas salivares, facilitando a transmissão para outros animais. É uma doença extremamente preocupante porque, após o aparecimento dos sinais clínicos, é praticamente 100% fatal, tanto em cães e gatos quanto em seres humanos.
Muitas pessoas acreditam que apenas os morcegos transmitem a raiva. Na verdade, eles são os principais reservatórios do vírus no Brasil, mas outros animais silvestres, como raposas, cachorros-do-mato e macacos, também podem ser infectados e transmitir a doença.
Gazeta Digital – Quais são os primeiros sinais clínicos da raiva em cães e gatos? Como diferenciar esses sintomas de outras doenças neurológicas?
Kamila Lara – No início, os sinais costumam ser inespecíficos e variam de um animal para outro. É comum observar alterações de comportamento, como agitação, isolamento ou agressividade excessiva. Além disso, o animal pode apresentar alteração do nível de consciência, ficando desorientado, menos responsivo aos estímulos ou, em alguns casos, excessivamente excitado.
Com a evolução da doença, podem surgir dificuldade para engolir, salivação intensa, dificuldade para andar, paralisia e até convulsões. O grande desafio é que esses sinais também podem estar presentes em outras doenças neurológicas. Por isso, o diagnóstico não é feito apenas pelos sintomas. É fundamental avaliar o histórico do animal, investigando se houve contato com morcegos ou outros animais silvestres e se a vacinação antirrábica está em dia.
Gazeta Digital – Como é feito o diagnóstico da raiva em animais? É possível confirmar a doença ainda com o animal vivo?
Kamila Lara – O diagnóstico definitivo da raiva é realizado, na maioria dos casos, após a morte do animal, por meio da análise do tecido do sistema nervoso central. Durante a vida, conseguimos levantar uma suspeita com base nos sinais clínicos, no histórico de exposição e em exames como a RT-PCR, que pode ser realizada em amostras de saliva e, em alguns casos, de líquor.
No entanto, esses testes têm limitações, e um resultado negativo não exclui a doença. Por isso, diante de qualquer suspeita, o animal deve ser manejado como um caso suspeito, com notificação imediata aos órgãos de vigilância em saúde.
Gazeta Digital – A raiva tem tratamento ou cura? O que deve ser feito quando um animal é diagnosticado ou apresenta forte suspeita da doença?
Kamila Lara – Não existe tratamento eficaz para a raiva em animais. Após o início dos sinais clínicos, a doença é considerada praticamente fatal. Como a raiva é uma zoonose de notificação obrigatória e um importante problema de saúde pública, toda suspeita deve ser comunicada imediatamente aos órgãos competentes.
Além disso, qualquer pessoa que tenha sido mordida, arranhada ou que tenha tido contato da saliva de um animal suspeito com mucosas ou feridas deve procurar atendimento médico imediatamente para avaliação da necessidade da profilaxia pós-exposição.

