Em uma caminhada de cerca de 20 minutos, visitantes podem percorrer um trecho da Mata Atlântica preservada, conhecer parte da história da recuperação ambiental da Floresta da Tijuca e descobrir uma paisagem que contrasta com a imagem mais conhecida da Rocinha.

A experiência acontece na Reserva Florestal Sítio dos Macacos, na Estrada da Gávea, acesso entre a comunidade e o Parque Nacional da Tijuca, e integra o roteiro do projeto Na Favela Turismo.
Poucos metros depois de deixar uma das vias mais movimentadas da comunidade, o cenário muda. O som do trânsito é substituído pelo canto de sabiás, sanhaços e bem-te-vis, enquanto nascentes de águas cristalinas acompanham o percurso em meio à vegetação da Mata Atlântica.
A trilha está inserida na Floresta da Tijuca, reconhecida como a maior floresta urbana replantada do mundo. O local guarda um capítulo importante da história ambiental brasileira.

Mirante da Vista Chinesa dentro da mata atlântica na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil
Em 1861, após o desmatamento das encostas para o cultivo do café comprometer o abastecimento de água da então capital do Império, Dom Pedro II determinou o início do reflorestamento da região. Sob a coordenação do Major Manuel Gomes Archer, milhares de árvores foram plantadas para recuperar as nascentes que abasteciam a cidade.
Mais de um século e meio depois, esse legado permanece vivo e pode ser percorrido pelos visitantes da reserva.
Muro de pedras
Ao longo do caminho, além da diversidade de árvores nativas e frutíferas — como jaqueiras, jabuticabeiras, mangueiras, bananeiras e pitangueiras —, um antigo muro de pedras preservado em meio à floresta chama atenção.
Tradicionalmente associado ao trabalho de 11 homens escravizados, o monumento integra a memória histórica do lugar e amplia o significado da visita para além do contato com a natureza.
A reserva também desenvolve ações voltadas à sustentabilidade, com produção de adubo orgânico a partir de resíduos vegetais e um viveiro de mudas de espécies ornamentais e nativas. O passeio termina em uma piscina natural alimentada por nascentes, um dos pontos mais procurados pelos visitantes.
FONTE
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-07/trilha-na-rocinha-mostra-mata-atlantica-e-recuperacao-florestal-no-rio

