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	<title>Arquivos terreiros - FATO MT</title>
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	<title>Arquivos terreiros - FATO MT</title>
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		<title>Fé e resistência: macumbeiras lideram terreiros e lutas sociais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Feb 2022 19:20:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Aym&#234; Brito da Revista AzMina Reprodu&#231;&#227;o Azmina Reprodu&#231;&#227;o AzMina &#8220;Exu (&#8230;) exerce forte dom&#237;nio sobre as mulheres e as mo&#231;as&#8221;, dizia uma coluna de opini&#227;o no jornal O Estado de S&#227;o Paulo, em 1973. Escrito no per&#237;odo da Ditadura Militar no Brasil, o artigo demonizava as religi&#245;es de matriz africana e demonstrava preocupa&#231;&#227;o que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/REC-html40/loose.dtd"><br />
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<p> <strong>Por Aym&ecirc; Brito da Revista AzMina</strong> </p>
<div class="Noticia_Foto">
<figure class="foto-legenda">
<div class="foto-legenda-img"> <img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/aa/3p/1c/aa3p1cvfiqgfqn0jhm3g0m1on.jpg" width="906" height="509" alt="Reprodu&ccedil;&atilde;o AzMina" title="Reprodu&ccedil;&atilde;o AzMina"> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Reprodu&ccedil;&atilde;o Azmina</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">Reprodu&ccedil;&atilde;o AzMina</div>
</figcaption></figure>
</div>
<p class="">&ldquo;Exu (&#8230;) exerce forte dom&iacute;nio sobre as mulheres e as mo&ccedil;as&rdquo;, dizia uma coluna de opini&atilde;o no jornal O Estado de S&atilde;o Paulo, em 1973. Escrito no per&iacute;odo da Ditadura Militar no Brasil, o artigo demonizava as religi&otilde;es de matriz africana e demonstrava preocupa&ccedil;&atilde;o que as mulheres abandonassem o &ldquo;lar&rdquo; em troca da vida nos terreiros. Quase cinco d&eacute;cadas depois, o machismo e o racismo seguem presentes na vida das mulheres que escolhem fazer parte das religi&otilde;es afro-brasileiras, mas elas resistem.&nbsp; </p>
<div>
<aside class="leiaTambem-container">
<h3>Leia tamb&eacute;m</h3>
<ul>
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</ul>
</aside>
</div>
<p class="">N&atilde;o &eacute; comum v&ecirc;-las em cargos de lideran&ccedil;a em outras religi&otilde;es, como na Igreja Cat&oacute;lica com padres e papas homens. J&aacute; nos terreiros, as mulheres quase sempre s&atilde;o maioria, ocupando os postos mais altos. Quem frequenta os barrac&otilde;es (como tamb&eacute;m s&atilde;o chamados os terreiros) percebe isso. </p>
<p class="">Seja como mulheres de santo, senhoras do il&ecirc;, sacerdotisas ou herdeiras do ax&eacute;, elas conquistaram um protagonismo que n&atilde;o ficou restrito aos terreiros. Ax&eacute; Muntu! Essa &eacute; uma express&atilde;o criada pela intelectual L&eacute;lia Gonzalez &#8211; uma mistura das l&iacute;nguas Iorub&aacute; (ax&eacute;: poder, energia) com o dialeto Kimbundo (muntu: gente). A soci&oacute;loga e ativista usou muito de sua viv&ecirc;ncia como mulher do candombl&eacute; na produ&ccedil;&atilde;o intelectual que fez sobre a vida e posi&ccedil;&atilde;o das mulheres negras na sociedade brasileira.&nbsp; </p>
<p class="">Nesta reportagem trazemos as falas de M&atilde;e Du, Nailah, Kenya e Renata, que, assim como L&eacute;lia, mostram que a influ&ecirc;ncia dos povos de terreiros pode ser encontrada hoje no espa&ccedil;o acad&ecirc;mico, na milit&acirc;ncia, na pol&iacute;tica, na culin&aacute;ria e em v&aacute;rios outros campos da sociedade.&nbsp; </p>
<p class="">Num pa&iacute;s marcado por profundas desigualdades s&oacute;cio-raciais como o Brasil, os terreiros e as mulheres &agrave; frente deles &#8211; as macumbeiras &#8211; desempenham um papel social muito al&eacute;m da religi&atilde;o. Elas realizam uma verdadeira &ldquo;feiti&ccedil;aria&rdquo; ao conciliar a tradi&ccedil;&atilde;o de diferentes povos, resistir &agrave;s opress&otilde;es e ajudar a proporcionar um espa&ccedil;o de acolhimento a quem sempre foi exclu&iacute;do.&nbsp; </p>
<h3>Persegui&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura e &agrave;s mulheres</h3>
<p class="">A persegui&ccedil;&atilde;o aos terreiros e barrac&otilde;es, que j&aacute; dura mais de 500 anos, e as campanhas de difama&ccedil;&atilde;o na imprensa geraram uma falta de conhecimento generalizada. &ldquo;A umbanda, com seus suced&acirc;neos e religi&otilde;es assemelhadas, &eacute; entre n&oacute;s um subproduto da ignor&acirc;ncia associada &agrave; politicalha. Seu terreno de elei&ccedil;&atilde;o j&aacute; foi o quilombo e o mocambo. Modernamente &eacute; a favela e o escrit&oacute;rio eleitoral&rdquo; &#8211; dizia mais um trecho da coluna do jornal paulista, publicada logo ap&oacute;s uma festa em comemora&ccedil;&atilde;o ao Dia de Oxossi.&nbsp; </p>
<p>Notici&aacute;rios racistas como esse n&atilde;o eram (e n&atilde;o s&atilde;o) raros. Resqu&iacute;cios de uma sociedade que at&eacute; 1832 obrigava todos a se converterem &agrave; religi&atilde;o oficial do Estado &#8211; na &eacute;poca, a Crist&atilde;. Isso fez com que outras express&otilde;es religiosas fossem criminalizadas, sofrendo com opress&atilde;o policial e apreens&atilde;o de objetos sagrados &#8211; que at&eacute; hoje nunca foram devolvidos.&nbsp; </p>
<p>A cientista pol&iacute;tica e tamb&eacute;m praticante do Candombl&eacute;, Nailah Neves, &Igrave;y&agrave;w&oacute; ty &#7884;&#768;&#7779;un,&nbsp; afirma que essa persegui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m era resultado do fato de as mulheres serem maioria e liderarem as casas de ax&eacute;. &ldquo;Terreiros, quilombos e escolas de samba, que eram espa&ccedil;os de resist&ecirc;ncia e de valoriza&ccedil;&atilde;o da cultura negra matriarcal, eram um grande risco para o projeto eugenista e patriarcal do Estado brasileiro.&#8221;&nbsp; </p>
<p>Passados 34 anos da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal que, em seu artigo 5, passou a garantir a liberdade de cren&ccedil;a e prote&ccedil;ao aos locais de cultos religiosos diversos, a discrimina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o teve fim. Em 2021, um estudo da Comiss&atilde;o de Combate &agrave; Intoler&acirc;ncia Religiosa apontou que 91% dos ataques que ocorreram no estado do Rio de Janeiro eram contra as mesmas religi&otilde;es &#8211; as de tradi&ccedil;&atilde;o africana.&nbsp; </p>
<h3>Ensinamentos da pombagira</h3>
<div class="Noticia_Foto">
<figure class="foto-legenda">
<div class="foto-legenda-img"> <img decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/1f/km/v0/1fkmv0788j7f3m80mx4sualyf.jpg" width="906" height="509" alt="Kenya Odara (primeira na imagem), de 23 anos, &eacute; uma das co-fundadoras do coletivo de mulheres negras Siriricas Co e atualmente frequenta o terreiro de Candombl&eacute; &Agrave;se Efon Omibain&agrave;, composto apenas por mulheres. &ldquo;Quando estamos nos terreiros n&atilde;o nos preocupamos s&oacute; com a quest&atilde;o religiosa, somos mulheres negras, toda a nossa exist&ecirc;ncia &eacute; pol&iacute;tica.&rdquo;" title="Kenya Odara (primeira na imagem), de 23 anos, &eacute; uma das co-fundadoras do coletivo de mulheres negras Siriricas Co e atualmente frequenta o terreiro de Candombl&eacute; &Agrave;se Efon Omibain&agrave;, composto apenas por mulheres. &ldquo;Quando estamos nos terreiros n&atilde;o nos preocupamos s&oacute; com a quest&atilde;o religiosa, somos mulheres negras, toda a nossa exist&ecirc;ncia &eacute; pol&iacute;tica.&rdquo;"> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Divulga&ccedil;&atilde;o/ Arquivo Pessoal</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">Kenya Odara (primeira na imagem), de 23 anos, &eacute; uma das co-fundadoras do coletivo de mulheres negras Siriricas Co e atualmente frequenta o terreiro de Candombl&eacute; &Agrave;se Efon Omibain&agrave;, composto apenas por mulheres. &ldquo;Quando estamos nos terreiros n&atilde;o nos preocupamos s&oacute; com a quest&atilde;o religiosa, somos mulheres negras, toda a nossa exist&ecirc;ncia &eacute; pol&iacute;tica.&rdquo;</div>
</figcaption></figure>
</div>
<p class="">Embora as investidas contra os afro-religiosos n&atilde;o tenham sido poucas, os terreiros e as mulheres continuam passando de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o os preceitos e fundamentos do povo de ax&eacute;. Renata Pallottine, de 36 anos, &eacute; bisneta de Dona Maria, M&atilde;e de Santo, de uma casa de umbanda no interior de S&atilde;o Paulo, e cresceu aprendendo os valores civilizat&oacute;rios desta comunidade.&nbsp; </p>
<p>Advogada pelos direitos das mulheres e atuante no combate ao racismo religioso, Renata atualmente &eacute; respons&aacute;vel pela &aacute;rea jur&iacute;dica do coletivo Terreiro Resiste, movimento de defesa das comunidades tradicionais. Hoje, como uma das filhas de santo mais velhas de um terreiro na capital paulista, ela conta que foi essa viv&ecirc;ncia que contribuiu para o seu engajamento na luta:&nbsp; </p>
<p>&ldquo;Quem nasce umbandista j&aacute; aprende com a Pombagira que a desigualdade de g&ecirc;nero mata, aniquila e silencia, e que mulheres, sobretudo as racializadas, devem ocupar lugar de poder e decis&atilde;o dentro das nossas comunidades.&rdquo;&nbsp; </p>
<p>A Pombagira &eacute; uma das entidades cultuadas nessas religi&otilde;es, que representa as encruzilhadas e &eacute; conhecida por simbolizar uma figura feminina ligada ao prazer e &agrave; liberdade sexual. Renata explica que a figura da pombagira em muitos lugares &eacute; temida exatamente por romper com a l&oacute;gica patriarcal: &ldquo;mulher que poeticamente nos ensina a autonomia dos corpos femininos&rdquo;.&nbsp; </p>
<p>Renata tamb&eacute;m chama aten&ccedil;&atilde;o para a hist&oacute;ria dessas religi&otilde;es, que v&ecirc;m de uma cultura de valoriza&ccedil;&atilde;o de povos ancestrais socialmente exclu&iacute;dos, mas passou por um forte embranquecimento nos &uacute;ltimos anos. &ldquo;Em 1908, um homem branco, militar, esp&iacute;rita, de S&atilde;o Gon&ccedil;alo, teria fundado a religi&atilde;o s&oacute; porque deu nome &agrave;s pr&aacute;ticas que j&aacute; existiam nos morros cariocas. Como &eacute; poss&iacute;vel fundar algo que j&aacute; existe?&rdquo;, questionou a advogada.&nbsp; </p>
<h3>A fam&iacute;lia de santo</h3>
<p>Eu, rep&oacute;rter desta mat&eacute;ria, cresci ouvindo as hist&oacute;rias das macumbeiras, contadas por Elza Mendes, baiana de 72 anos, mulher negra e minha av&oacute;. Ela lida com a ignor&acirc;ncia das sociedade sobre sua cultura h&aacute; pelo menos 50 anos. &ldquo;Ningu&eacute;m v&ecirc; com bons olhos, ainda hoje as pessoas t&ecirc;m muito medo, acham que &eacute; magia&rdquo;, desabafa. Mas ressalta sempre o sentimento que h&aacute; no terreiro de pertencer a uma comunidade. &ldquo;Quando voc&ecirc; abra&ccedil;a um terreiro, voc&ecirc; come&ccedil;a a fazer parte de uma comunidade&rdquo;, diz ela.&nbsp; </p>
<p>Hoje candomblecista, Elza foi a primeira a se tornar uma Ia&ocirc; num dia de feitura, recebendo o t&iacute;tulo de dofona.&nbsp; </p>
<h3>Entenda:</h3>
<p> <strong>Iorub&aacute;:</strong> &eacute; um grupo &eacute;tnico-lingu&iacute;stico da &Aacute;frica Ocidental, principalmente na Nig&eacute;ria e no Congo. Varia conforme o local e &eacute; usada nos rituais de matrizes africanas.&nbsp; </p>
<p> <strong>Feitura no santo:</strong> &eacute; a inicia&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m no culto aos orix&aacute;s. Pode vir com novo nome e assume novas fun&ccedil;&otilde;es. O ritual varia segundo a religi&atilde;o e pode durar at&eacute; tr&ecirc;s meses.&nbsp; </p>
<p> <strong>Orix&aacute;s (em iorub&aacute;: &Ograve;r&igrave;&#7779;&agrave;):&nbsp;</strong> divindades representadas pela natureza, acredita-se que tenham existido anteriormente em Orum (c&eacute;u em iorub&aacute;).&nbsp; </p>
<div class="maislidas_container">
<h3>Leia Tamb&eacute;m</h3>
</div>
<p> <strong>Abor&oacute;s:</strong> orix&aacute;s de energia masculina. Podem ser incorporados por pessoas de todos os g&ecirc;neros. </p>
<p> <strong>Ayab&aacute;s:</strong> orix&aacute;s de energia feminina. Podem ser incorporados por pessoas de todos os g&ecirc;neros.&nbsp;  </p>
<p>Dona Elza conta que quando se come&ccedil;a a fazer parte de um terreiro voc&ecirc; se torna tamb&eacute;m integrante de uma fam&iacute;lia de santo. &ldquo;Tanto &eacute; que a gente diz irm&atilde;o, tio, filho de santo&rdquo;, comentou. Em muitos lugares os terreiros s&atilde;o conhecidos por serem receptivos a todo tipo de gente. &ldquo;Uma m&atilde;e de santo nunca deixa de acolher um filho, mesmo se n&atilde;o tiver onde morar, ser&aacute; bem recebido no terreiro.&rdquo;&nbsp;  </p>
<p>Esse acolhimento est&aacute; intimamente ligado &agrave; presen&ccedil;a das mulheres na religi&atilde;o e a pr&oacute;pria hist&oacute;ria dos negros no Brasil, conforme explica a pesquisadora Jacyara Silva, professora e coordenadora do n&uacute;cleo de estudos afro-brasileiros da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES). &ldquo;&Eacute; importante lembrar que as familias dos negros que chegavam ao Brasil eram separadas por estrat&eacute;gia de domina&ccedil;&atilde;o.&rdquo;&nbsp; </p>
<p>Ap&oacute;s o sequestro da popula&ccedil;&atilde;o negra do continente africano, a forma&ccedil;&atilde;o das &#8220;fam&iacute;lias de santo&#8221; foi o jeito encontrado para preservar a identidade cultural e reconstruir essa ideia de familia que havia sido destru&iacute;da na escravid&atilde;o. As grandes respons&aacute;veis por refazer esses la&ccedil;os familiares, dentro das religi&otilde;es afro-brasileiras, foram as mulheres negras, as Yalorix&aacute;s. Os barrac&otilde;es passaram a se tornar presentes na maior parte das regi&otilde;es perif&eacute;ricas do pa&iacute;s, acolhendo as pessoas que eram estigmatizadas pela sociedade, como m&atilde;es solo e o p&uacute;blico LGBTQIA+.&nbsp; </p>
<p>&ldquo;N&atilde;o quer dizer que n&atilde;o existam nos terreiros os mesmos problemas que existem fora deles&rdquo; explicou Jacyara. As religi&otilde;es de matriz africana est&atilde;o inseridas dentro de uma sociedade onde racismo, machismo e transfobia s&atilde;o estruturais. Por isso, o cotidiano dos terreiros n&atilde;o est&aacute; isento dessas quest&otilde;es. Mas, &ldquo;pode estar na estrutura mas n&atilde;o &eacute; institucionalizado&rdquo;, ponderou a pesquisadora. </p>
<h3>Debatendo fora dos terreiros</h3>
<p>Maria do Carmo, Om&oacute; de Omol&uacute; Iemanj&aacute; Oxal&aacute;, conhecida como M&atilde;e Du, &eacute; uma das mulheres &agrave; frente de um terreiro de Umbanda, na cidade de Vi&ccedil;osa, no interior de Minas Gerais. Apesar do grande respeito que conquistou entre os seus, teve que encarar o preconceito das m&atilde;es e professoras da escola em que a sua filha estudava. &ldquo;As pessoas ficaram meio cismadas&rdquo;, conta. </p>
<p>A for&ccedil;a de seguir por mais de 20 anos na defesa dos povos de terreiros vem da cren&ccedil;a de que o amanh&atilde; ser&aacute; melhor que o hoje. A trajet&oacute;ria dela no culto aos orix&aacute;s j&aacute; tem, na verdade, 50 anos. &#8220;Fui a primeira Ya&ocirc; daqui, andei pela cidade toda de branquinho&rdquo;. Atualmente M&atilde;e Du est&aacute; na Umbanda, mas foi iniciada dentro do Candombl&eacute;, onde teve que passar por diversos processos at&eacute; se tornar de fato uma Ia&ocirc; &#8211; filha de santo. Se tornar feita no santo &eacute; uma vit&oacute;ria para a maioria das mulheres de ax&eacute;, por ser um processo de v&aacute;rias etapas, que requer muito tempo de dedica&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica dentro do terreiro.&nbsp; </p>
<p>Ela tamb&eacute;m &eacute; l&iacute;der espiritualista e integra o Conselho Municipal de Promo&ccedil;&atilde;o da Igualdade Racial de Vi&ccedil;osa. Os cargos fora do terreiro s&atilde;o um marco e uma representa&ccedil;&atilde;o importante para quem &eacute; de religi&otilde;es de matriz africana, mas tamb&eacute;m s&atilde;o espa&ccedil;os arriscados. &ldquo;Defender aquilo que se &eacute;, hoje em dia, &eacute; perigoso, principalmente para n&oacute;s mulheres.&rdquo;&nbsp; </p>
<p class="">O preconceito acaba afastando outros praticantes dos encontros e debates religiosos, por preferirem se resguardar. Mas, M&atilde;e Du &#8211; que tem viajado nos &uacute;ltimos de anos para falar das religi&otilde;es de matriz africana nas universidades &#8211; sente que agora as pessoas come&ccedil;aram a querer entender mais sobre sua cultura.&nbsp; </p>
<div class="Noticia_Foto">
<figure class="foto-legenda">
<div class="foto-legenda-img">  <img decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/6z/mx/yo/6zmxyotbwuxregsjsaxedhnyh.jpg" width="906" height="509" alt="null" title="null"> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Reprodu&ccedil;&atilde;o Azmina</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">undefined</div>
</figcaption></figure>
</div>
<h3 class="">Hierarquia ancestral</h3>
<p>Em boa parte da tradi&ccedil;&atilde;o africana, a hierarquia n&atilde;o se baseia no g&ecirc;nero, mas sim na experi&ecirc;ncia e conhecimento. &ldquo;O matriarcalismo &eacute; natural de v&aacute;rios povos africanos, at&eacute; porque a hierarquia n&atilde;o &eacute; por g&ecirc;nero como os europeus impuseram, &eacute; por ancestralidade&rdquo;, explicou a candomblecista Nailah Neves. </p>
<p>As religi&otilde;es de matriz africana n&atilde;o dividem o mundo entre bem e mal, emo&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia, corpo e alma, homens e mulheres. Nailah argumenta que essa l&oacute;gica bin&aacute;ria foi imposta aos povos que estavam sendo colonizados, por influ&ecirc;ncia do eurocentrismo crist&atilde;o. Existe na Umbanda e no Candombl&eacute; uma outra forma de ver e se relacionar com o mundo. &ldquo;N&atilde;o s&atilde;o apenas religi&otilde;es, s&atilde;o povos e comunidades tradicionais assim como s&atilde;o os quilombos.&#8221; </p>
<p>As religi&otilde;es afro-brasileiras que conhecemos hoje s&atilde;o fruto das caracter&iacute;sticas de diversos povos africanos que se encontram no pa&iacute;s e, exatamente por isso, elas variam conforme a na&ccedil;&atilde;o ou tradi&ccedil;&atilde;o de origem, como acontece no caso do Candombl&eacute;, da Umbanda, do Batuque e do Xang&ocirc;. </p>
<p>Sem nenhum tipo de livro oficial, como a B&iacute;blia, os fundamentos s&atilde;o passados por gera&ccedil;&otilde;es via tradi&ccedil;&atilde;o oral, e nem sempre s&atilde;o os mesmos em todos os lugares. Os preceitos e costumes n&atilde;o est&atilde;o &ldquo;escritos em pedra&#8221;.&nbsp; </p>
<h3>A&Ccedil;&Otilde;ES E ESPA&Ccedil;OS OCUPADOS PELAS MULHERES DE AX&Eacute; NOS &Uacute;LTIMOS ANOS&nbsp;</h3>
<p>No Brasil, o Dia Nacional de Combate &agrave; Intoler&acirc;ncia Religiosa, 21 de janeiro, data que assegura a diversidade religiosa, foi criado em homenagem &agrave; uma l&iacute;der religiosa, a M&atilde;e Gilda. Em 1999, ela teve seu terreiro em Salvador invadido e depredado por fundamentalistas religiosos e acabou falecendo no ano seguinte.&nbsp; </p>
<p>Em 2021, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Mulheres de Ax&eacute; do Brasil (MAB) realizou uma campanha de combate a viol&ecirc;ncia menstrual. Elas distribu&iacute;ram mais de 23 mil pacotes de absorventes higi&ecirc;nicos para pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade econ&ocirc;mica e social. </p>
<p>O F&oacute;rum Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (FONSANPOTMA), presidido pela m&eacute;dica e l&iacute;der religiosa Kato Mulanji, &eacute; uma das organiza&ccedil;&otilde;es que luta para garantir soberania alimentar aos povos tradicionais.&nbsp; </p>
<p>Desde 2017, as mulheres de ax&eacute; conquistaram o reconhecimento da profiss&atilde;o de baiana de acaraj&eacute; e passaram a ter direitos aos benef&iacute;cios profissionais. Em 2005 elas j&aacute; tinham sido reconhecidas como Patrim&ocirc;nio Cultural Imaterial do Brasil.  </p>
<p>Pelo pa&iacute;s todo, terreiros s&atilde;o respons&aacute;veis por projetos de atendimento &agrave; comunidade, oficinas, distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos e a&ccedil;&otilde;es de combate a viol&ecirc;ncia. O Il&ecirc; Omolu Oxum, liderado pela ialorix&aacute; M&atilde;e Meninazinha de Oxum, em atividade na Baixada Fluminense desde 1968, &eacute; um dos que oferece orienta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia.&nbsp; </p>
<p> <a href="https://azmina.com.br/reportagens/fe-e-resistencia-macumbeiras-lideram-terreiros-e-lutas-sociais/" data-mce-href="https://azmina.com.br/reportagens/fe-e-resistencia-macumbeiras-lideram-terreiros-e-lutas-sociais/">https://azmina.com.br/reportagens/fe-e-resistencia-macumbeiras-lideram-terreiros-e-lutas-sociais/</a>         </p>
</div>
<div id="infocoweb_rodape" class="infocoweb_rodape">Fonte: <a target="_blank" href="http://delas.ig.com.br/2022-02-03/macumbeiras-lideram-terreiros-e-lutas-sociais.html#263" rel="noopener">IG Mulher</a></div>
</div>
<p><script src="https://gestor.infocoweb.com.br/analytics_content.js?a=263&amp;b=1031162&amp;c=6045945"></script></body></html></p>
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