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	<title>Arquivos senti - FATO MT</title>
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	<title>Arquivos senti - FATO MT</title>
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		<title>&#8216;Senti que era hora de mulheres contarem suas histórias&#8217;, diz cineasta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 May 2023 10:45:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriela Bernd &#8220;Senti que era hora de contar as nossas próprias histórias&#8221;, diz cineasta Marcela Lordy sobre mulheres no audiovisual Após levar ao cinema, em 2022, o longa &#8220;O livro dos Prazeres&#8221;, a diretora e cineasta Marcela Lordy se prepara para a estreia do média-metragem &#8220;O Amor e a Peste&#8221;, que acontece no primeiro semestre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><meta name="robots" content="noindex"><mreta name="googlebot" content="noindex"></p>
<div class="Noticia_Foto fato">
<figure class="foto-legenda" style="position: relative">
<div class="foto-legenda-img"> <img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/47/7y/8h/477y8hk4arz0nhh9suqeokpyo.jpg" width="906" height="509" alt="" title=""> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Gabriela Bernd</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">&#8220;Senti que era hora de contar as nossas próprias histórias&#8221;, diz cineasta Marcela Lordy sobre mulheres no audiovisual</div>
</figcaption></figure>
</p>
</div>
<p class="">Após levar ao cinema, em 2022, o longa &#8220;O livro dos Prazeres&#8221;, a diretora e cineasta Marcela Lordy se prepara para a estreia do média-metragem &#8220;O Amor e a Peste&#8221;, que acontece no primeiro semestre deste ano, e &#8220;Aquário com Peixes&#8221;, sua primeira experiência à frente de um espetáculo teatral.</p>
<p>Primeiro longa de ficção da diretora, &#8220;O livro dos Prazeres&#8221; é uma livre adaptação da obra &#8220;Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres&#8221;, de Clarice Lispector, uma das mais importantes escritoras em língua portuguesa do século XX. Uma coprodução Brasil-Argentina, o filme traz para os tempos atuais a narrativa do livro publicado em 1969.</p>
<p>O enredo acompanha Lóri (Simone Spoladore), uma professora primária que vive a monotonia de uma rotina de trabalho e relacionamentos furtivos, até que conhece Ulisses (Javier Drolas), um professor de filosofia argentino egocêntrico e provocador. É com ele que Lóri aprende a amar, enfrentando sua própria solidão.</p>
<p>Marcela sempre se incomodou com a forma como, no cinema, o corpo feminino aparecia fragmentado. Foi por conta dessa percepção que ela optou por filmar as cenas de sexo que envolviam a protagonista sem nenhum corte. No ano do centenário de Clarice, o filme foi um dos destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. </p>
<p>&#8220;As mulheres foram acostumadas a ler sobre o próprio corpo sob uma ótica masculina. Se o prazer sempre foi um tabu para a mulher, escrever ou falar sobre isso ainda hoje é problemático. Como realizadora mulher, sempre convivi com diretores homens e cansei de assistir histórias contadas por eles. Senti que era hora de contar as nossas próprias histórias&#8221;, afirma ela, em entrevista ao <strong>iG Delas</strong> .</p>
<h3>Quem é Marcela Lordy</h3>
<p>Marcela Lordy se apaixonou cedo pelas imagens. Foi depois de pegar emprestada a câmera de seu pai numa viagem ao Peru, quando tinha apenas 15 anos, que ela nunca mais abandonou o desejo de olhar por trás das lentes. Fez cursos de fotografia e se tornou laboratorista, até se formar em Cinema em 1999.  </p>
<p>Passou mais de uma década como assistente de direção em trabalhos publicitários antes de migrar para filmes assinados por diretores como Walter Salles e Hector Babenco. Habituada a trabalhar em um mercado predominantemente masculino, foi a partir do convite de atrizes e produtoras mulheres que começou a construir sua filmografia. </p>
<p>O primeiro deles foi para dirigir o telefilme de média-metragem &#8220;A Musa Impassível&#8221; (2010). Até assinar seu primeiro longa de ficção, foram anos de investimento. Além de médias e longas metragens, em seu currículo, coleciona diversos curtas e alguns trabalhos para televisão. Dirige ainda o média &#8220;O Amor e a Peste&#8221; (2022), que estreia no primeiro semestre de 2023 nas plataformas de <em>streaming</em> .</p>
<p>Criada e encenada pelos atores Flavia Couto e Pedro Guilherme, a obra é inspirada no encontro amoroso entre os escritores franceses Anaïs Nin e Antonin Artaud numa Paris de 1933, contaminada pelo nazismo. Esse encontro se esbarra e permite um espelhamento com as vivências do próprio casal Flavia e Pedro durante os tempos de pandemia, em 2020 e 2021, no governo Bolsonaro. O roteiro traz reflexões sobre erotismo, amor e loucura.</p>
<p>Em maio, a diretora tem mais uma estreia: &#8220;Aquário com Peixes&#8221;, sua primeira direção no teatro. O espetáculo, que está em cartaz no Sesc Santana, em São Paulo, tem texto de Franz Keppler e idealização de Carolina Mânica, que protagoniza, junto de Natalia Rodrigues, uma história de amor, mas também de embate, entre duas mulheres completamente opostas.  </p>
<p>Na trama, a promotora pública aquariana Anita se apaixona por Lídia, uma astróloga autêntica e pisciana, exageradamente sensível e emotiva, que a desperta para viver sua primeira relação com uma mulher, aos 40 anos e após se divorciar do marido. O público acompanha a descoberta que uma faz do mundo da outra e o florescer dessa paixão que precisa abraçar e contornar as diferenças.</p>
<p>No meio dessa história, Lídia descobre uma enfermidade com baixas chances de recuperação. E Anita se vê diante do dilema de enfrentar essa doença ao lado da companheira ou de seguir seu caminho sozinha. A personagem questiona a si mesma &#8211; e a plateia &#8211; até que ponto somos responsáveis pela pessoa com a qual compartilhamos momentos fantásticos da vida.</p>
<p>O <strong> iG Delas </strong> bateu um papo com Marcela Lordy sobre o trabalho de artistas na pandemia, as estreias deste mês e protagonismo feminino. Confira a seguir!  </p>
<p> <strong>Entre no  <a href="https://t.me/iGDelas" target="_blank" rel="noopener nofollow" data-mce-href="https://t.me/iGDelas">canal do iG Delas no Telegram</a> e fique por dentro de todas as notícias sobre beleza, moda, comportamento, sexo e muito mais!</strong>  </p>
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<aside class="leiaTambem-container">
<h3>Leia também</h3>
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</ul>
</aside>
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<p class=""> <strong> <br data-mce-bogus="1"> </strong> </p>
<p> <strong>IG DELAS: Em &#8220;O Amor e a Peste&#8221;, você precisa trabalhar com dois tempos: uma Paris de 1933, contaminada pelo nazismo, e uma São Paulo de 2021, pela pandemia de Covid-19 no Brasil de Bolsonaro. Como você enxerga um paralelo entre esses dois momentos históricos?</strong>  </p>
<p>Marcela Lordy: A Paris de 1933 contaminada pelo nazismo e o Brasil de 2021 contaminado por Bolsonaro e pela Covid-19 foram momentos de caos e opressão política, nos quais os artistas se sentiram impotentes. Assim como a Flávia e o Pedro, eu também me senti isolada como artista durante a pandemia. O sentimento de revolta deles também era meu e de toda a equipe. O Brasil foi um dos países que mais matou a sua população ao longo da pandemia, por mero descaso e ignorância política. Um genocídio por parte de um governo que também fazia questão de boicotar seus artistas. Por isso, a plateia sem público aparece com tanta força, e os bastidores fazem parte da história. Era uma forma de nos mantermos vivos, potentes, criativos, fazendo o que a gente mais ama e sabe fazer.  </p>
<p> <strong>Já &#8220;Aquário com Peixes&#8221;, que estreia em maio, narra o romance entre duas mulheres &#8211; uma delas que se vê em sua primeira relação homoafetiva, já aos 40 anos, após se divorciar do marido &#8211; e que são completamente diferentes uma da outra; uma do signo de Aquário, e outra, de Peixes. Como a Astrologia está presente na história? Podemos dizer que esse aquário também é uma metáfora para os conflitos entre as personagens? </strong> </p>
<p>Essa ideia da Astrologia é mais simbólica, já que o aquário é um lugar onde você está preso, e o peixe, teoricamente, é mais fluido. A Anita viveu até então representando o papel que a sociedade patriarcal esperava dela: uma promotora de sucesso, bem casada, boa mãe. Mas finalmente passa a escutar suas verdadeiras pulsões. E quando se vê diante do que esperam dela novamente, desaba e resiste em abrir mão da liberdade alcançada. Ela não quer se sentir presa novamente, no entanto, termina presa pela culpa, pelo peso da sua própria consciência em busca do autoperdão. Quem traiu quem ou quem está sendo honesta consigo mesma é a grande questão. Lídia, a astróloga pisciana, dá um aquário de presente de um ano de namoro, mas o aquário é mal cuidado e vai ficando turvo ao longo do tempo, assim como a relação delas. </p>
<p> <strong>A descoberta da doença de Lídia faz Anita se questionar se deve enfrentar a situação ao lado da companheira ou seguir seu caminho sozinha. O que você sentiu quando leu o roteiro pela primeira vez? É possível sentir raiva da personagem, ao mesmo tempo que se cria uma certa empatia por ela?</strong>  </p>
<p>Um dos méritos do autor é entrar na pele das personagens e compreender suas escolhas sem julgá-las. O que é vivido por elas pode ser experimentado por qualquer um de nós, independente do gênero, identidade sexual, etnia ou classe social. Quanto li o texto, na hora, enxerguei um palco dividido no meio, simbolizando a separação entre Lídia e Anita, a comunicação cessada, a falta de escuta entre elas. E a gente tem dois fluxos de pensamentos, como se fosse uma mesa de ping-pong. São os dois lados de uma história de amor entre duas mulheres adultas interrompida, do nada, por uma das grandes surpresas da vida. No caso, uma doença fatal. Uma pensa na outra o tempo todo, transitando por sentimentos paralelos: medo, desejo, projeção, memória.  </p>
<p> <strong>O livro “Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres&#8221;, de Clarice Lispector, acompanha a professora Lóri, que vive a monotonia de uma rotina entre a escola e relacionamentos amorosos furtivos, até que conhece Ulisses e se vê nesse processo de autodescoberta de si e do outro e de aprender a amar e ser amada e a enfrentar a própria solidão. De onde veio essa vontade de adaptar a narrativa para o cinema?</strong> <br data-mce-bogus="1"> </p>
<p>Através de Lóri, Clarice constrói pela primeira e única vez uma mulher protagonista que realiza seu destino obtendo a autoafirmação e a autorrealização &#8211; algo difícil, não só na literatura da época, mas ainda nos dias de hoje, mais de 50 anos após a publicação do livro. As mulheres foram acostumadas a ler sobre o próprio corpo sob uma ótica masculina. Se o prazer sempre foi um tabu para a mulher, escrever ou falar sobre isso ainda hoje é problemático. Como realizadora mulher, sempre convivi com diretores homens e cansei de assistir histórias contadas por eles. Senti que era hora de contar as nossas próprias histórias. Assim como Lóri, aprendi a amar e a me afirmar nesse meio tão masculino que é o do cinema.</p>
<p> <strong>E como a obra publicada em 1969 se aproxima da mulher contemporânea?</strong>  </p>
<p>A trajetória de Lóri é a de toda mulher em busca de autonomia. Não só da mulher, mas de toda pessoa que tem coragem de olhar para dentro e enfrentar o que nem sabe que existe. Embora escrito em 1969, a história tem hoje um grande apelo, por se tratar da independência feminina e do aprendizado do amor, justamente quando ninguém mais tem paciência para o tempo do outro e vivem-se amores supérfluos, líquidos. Lóri aprende a viver através da humanização dos desejos; o amor não é mera satisfação dos instintos, mas algo muito além de uma relação puramente animal. Se desconstrói o mito do amor romântico; a obrigação de fazer o outro feliz sai do cônjuge e vai para o próprio indivíduo e suas escolhas. </p>
<p id="infocoweb_fonte" class="infocoweb_fonte">Fonte: <a target="_blank" href="http://delas.ig.com.br/2023-05-27/entrevista-cineasta-marcela-lordy.html#c025160e-2609-4137-9212-b7979940fc0c" rel="noopener">Mulher</a></p>
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		<title>&#8220;Senti que meus filhos serão bem cuidados e com total segurança&#8221;, diz mãe de estudante da Escola Estadual André Luiz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Feb 2023 23:45:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[cuidados]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os pais dos estudantes da Escola Estadual André Luiz da Silva Reis, no Bairro Consil, em Cuiabá, aprovaram o novo espaço alugado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) para atender a unidade de ensino durante a reforma geral do prédio. A Seduc locou 11 salas de aula no Centro Educacional do Grande Tempo, ligado à Igreja Assembleia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Os pais dos estudantes da Escola Estadual André Luiz da Silva Reis, no Bairro Consil, em Cuiabá, aprovaram o novo espaço alugado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) para atender a unidade de ensino durante a reforma geral do prédio.</p>
<p style="text-align: justify">A Seduc locou 11 salas de aula no Centro Educacional do Grande Tempo, ligado à Igreja Assembleia de Deus, no Bairro Bela Vista, para atender parte dos alunos da unidade neste período de obras de melhorias na escola. O local fica próximo à escola que está em reforma e agradou aos pais e estudantes.</p>
<p style="text-align: justify">Deunice Ramos é mãe de três estudantes que iniciaram as aulas hoje. Ela disse que apoia a solução encontrada pela Seduc-MT. &#8220;Tenho um filho no 7º ano do ensino fundamental e dois no 2º e 3º ano do ensino médio. Durante a acolhida que tivemos, senti total segurança e vi que meus filhos continuarão sendo bem cuidados pela Secretaria de Educação&#8221;, comentou a mãe.</p>
<p style="text-align: justify">Outra parte das turmas da Escola André Luiz também estão sendo atendidas em salas anexas da Escola Estadual Professora ‘Eliane Digigov Santana’, também situada no Bairro Bela Vista. A diretora Ruthe Nely foi a anfitriã da acolhida e contou com apoio dos professores e da Coordenação Pedagógica da Diretoria Regional de Ensino (DRE) do polo Cuiabá. “Estendemos o tapete vermelho a todos os 539 estudantes que precisaram ser realocados em razão da complexidade da obra na André Luiz”, disse a diretora.</p>
<p style="text-align: justify">Até sexta-feira (17.01), os estudantes participarão de atividades recreativas e de ações para conhecerem o novo espaço, bem como, as obrigações, diretos e deveres que fazem parte da rotina escolar e que são reafirmadas a cada início das aulas.</p>
<p style="text-align: justify">Uma das novidades que os estudantes encontraram foi a possiblidade de participarem do Campeonato de Esportes Interclasse da ‘Eliane Digigov’. “É mais um estímulo ao aprendizado”, anunciou Ruthe, acrescentando que as modalidades praticadas são vôlei, handebol e basquete. Nesse ano, o evento será dividido em 4 bimestres e participam os estudantes que alcançarem, no mínimo, a média 6.</p>
<p style="text-align: justify">A meta, segundo a direção da escola, é atingir a nota 10. Quem gostou dessa dinâmica foi João Silva, pai de um estudante do 9º ano do ensino fundamental. “Vi que meu filho terá o mesmo padrão de atendimento e gostei do que vi aqui. Educação e esporte devem caminhar juntos e será uma ótima atividade física para os jovens”.</p>
<p style="text-align: justify">Os colegas de turmas continuam juntos e até as merendeiras serão as mesmas de anteriormente. O objetivo é fazer com que todos se sintam confortáveis, seguros e acolhidos na nova escola.</p>
<p style="text-align: justify">Na próxima semana, a secretaria da escola continuará aberta para receber os pais que haviam transferidos os filhos para outras unidades. “Dos 539 estudantes, 324 já estão transferidos para as 11 salas anexas. Os demais, que foram levados para outras escolas por decisão de suas famílias, poderão vir para a Eliane Digigov, caso queiram”, explicou a diretora.</p>
<p style="text-align: justify">Segundo ela, o diálogo e a determinação da Seduc-MT e da Diretoria Regional de Educação (DRE) em buscar uma solução foram fundamentais. &#8220;Está tudo normal e o ano letivo iniciou conforme determina o calendário escolar&#8221;, finalizou.</p>
<p id="infocoweb_fonte" class="infocoweb_fonte">Fonte: <a target="_blank" href="http://www.mt.gov.br/web/seduc/-/23573172--senti-que-meus-filhos-serao-bem-cuidados-e-com-total-seguranca-diz-mae-de-estudante-da-escola-estadual-andre-luiz#91b58796-b623-478b-ac78-cfe4198a560f" rel="noopener">GOV MT</a></p>
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		<title>&#8220;Senti um peso sair das costas quando descobri que tenho TDAH&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 10:05:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[costas]]></category>
		<category><![CDATA[descobri]]></category>
		<category><![CDATA[quando]]></category>
		<category><![CDATA[senti]]></category>
		<category><![CDATA[tenho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acervo pessoal A jornalista Camila Lopes, 24, aborda a descoberta do TDAH e como foi viver sem saber que tinha o transtorno; no Brasil, mais de 2 milhões de brasileiros têm o diagnóstico “Descobri o  TDAH [Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade] aos 24 anos. Fui uma criança, adolescente e jovem adulta muito imaginativa, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><meta name="robots" content="noindex"><mreta name="googlebot" content="noindex"></p>
<div class="Noticia_Foto">
<figure class="foto-legenda">
<div class="foto-legenda-img"> <img decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/16/zm/19/16zm19d7cx4c9zixezwrcweq0.jpg" width="906" height="509" alt="A jornalista Camila Lopes, 24, aborda a descoberta do TDAH e como foi viver sem saber que tinha o transtorno; no Brasil, mais de 2 milhões de brasileiros têm o diagnóstico" title="A jornalista Camila Lopes, 24, aborda a descoberta do TDAH e como foi viver sem saber que tinha o transtorno; no Brasil, mais de 2 milhões de brasileiros têm o diagnóstico"> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Acervo pessoal</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">A jornalista Camila Lopes, 24, aborda a descoberta do TDAH e como foi viver sem saber que tinha o transtorno; no Brasil, mais de 2 milhões de brasileiros têm o diagnóstico</div>
</figcaption></figure>
</p>
</div>
<p class="">“Descobri o  <a href="https://saude.ig.com.br/parceiros/edicase/2022-05-17/tod-e-tdah--conheca-as-principais-caracteristicas-desses-transtornos-em-criancas.html" data-mce-href="https://saude.ig.com.br/parceiros/edicase/2022-05-17/tod-e-tdah--conheca-as-principais-caracteristicas-desses-transtornos-em-criancas.html">TDAH</a> [Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade] aos 24 anos. Fui uma criança, adolescente e jovem adulta muito imaginativa, com milhares de devaneios, que conseguia passar horas e horas desligada do mundo externo, uma vez que a minha concentração se voltava totalmente aos meus sonhos acordada. Para quem estava de fora, eu era simplesmente uma garota de boca aberta, olhando para a parede por horas a fio.</p>
<p>Eu também não conseguia me concentrar no que as pessoas me diziam mesmo olhando no olho delas e concordando. Não entendia muitas coisas que eram comuns para os outros. Eu era mais lenta. Minha mente parecia ‘lerda’, como muitos me chamavam.</p>
<p> <strong>Entre no canal do  <a href="https://t.me/iGDelas" data-mce-href="https://t.me/iGDelas">iG Delas no Telegram</a> e fique por dentro de todas as notícias sobre universo feminino!</strong> </p>
<p>No entanto, eu tinha ‘bombas de agitação’ quando tentava me concentrar. Era como se eu tivesse tomado baldes de energético e o efeito tivesse ‘batido’. Deixava as pessoas falando sozinhas e saía correndo. Precisava mover alguma parte do corpo para me concentrar.</p>
<div>
<aside class="leiaTambem-container">
<h3>Leia também</h3>
<ul>
<li> <a href="https://delas.ig.com.br/desabafo/2022-05-21/mulher-descobre-autismo-vida-adulta.html" title='Diagnosticada com autismo na vida adulta: "Não queria estar viva"' target="_self" rel="noopener">Diagnosticada com autismo na vida adulta: &#8220;Não queria estar viva&#8221;</a> </li>
<li> <a href="https://delas.ig.com.br/desabafo/2022-03-29/endometriose-marco-amarelo-saude-da-mulher-desabafo-thais-melchior.html" title='Endometriose: "Eu me assustei e tive bastante medo quando descobri"' target="_self" rel="noopener">Endometriose: &#8220;Eu me assustei e tive bastante medo quando descobri&#8221;</a> </li>
<li> <a href="https://delas.ig.com.br/desabafo/2022-02-01/deixar-morrer-cancer-chef-cozinha.html" title='"Descobri que iam me deixar morrer", conta chef que venceu o câncer' target="_self" rel="noopener">&#8220;Descobri que iam me deixar morrer&#8221;, conta chef que venceu o câncer</a> </li>
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</div>
<p class="">Sentia que tinha muitas diferenças em relação às pessoas que não são neurodivergentes. Me sentia aérea o tempo todo, como se minha cabeça estivesse embaralhada. Também acreditava que eu não fazia parte, que era menos inteligente e incapaz de participar das atividades.</p>
<p>Na adolescência, cheguei a desenvolver um tic nervoso no pescoço por tentar disfarçar os sintomas e ficar muito ansiosa. As pessoas achavam que eu tinha muitos problemas de respiração – e eu também –, mas depois descobri que não era só isso: existia a ansiedade de tentar me concentrar por vergonha dos sintomas serem notados.</p>
<p>Depois eu passei a viver de cabeça baixa. Falava baixo, evitava ser vista a todo momento. Sabe quando você tem certeza de saber uma resposta que o professor pergunta? Eu jamais levantaria a mão. Hoje sei que é algo comum de adolescentes com TDAH tentarem ficar invisíveis.</p>
<p>Recebi muitos apelidos, me imitavam e sofri um bullying muito pesado. Sempre fui a última a sair de provas e não entendia coisas muito simples. Mesmo as brincadeiras ou as regras em atividades precisavam ser explicadas mil vezes para mim. Tive traumas de realizar vestibular e tinha medo de ter responsabilidades, pois achava que eu destruiria tudo.</p>
<p>A característica do TDAH que mais me acompanhou foi sonhar acordada a todo momento. Andando na rua, olhando para o nada, dentro do ônibus, na academia… em qualquer lugar.</p>
<p>A outra é me sentir aérea quando é preciso me concentrar, responder perguntas simples ou pensar rápido. Sinto tudo embaralhar e a respiração pesar. Inclusive isso me levou a perder muito dinheiro e objetos importantes saindo de lugares enquanto eu olhava para esses itens! Isso sempre foi assustador. Sinto que cancelo planejamentos simples.</p>
<p>Sem saber o que estava acontecendo, eu me autodepreciava. Dizia que era lerda, lenta, tonta e ‘lesada’. Era completamente frustrada. Me fechei no meu mundo e acreditava que não era digna de fazer parte ou de agir como os outros adolescentes.</p>
<h3>‘Assim que a profissional me entregou o diagnóstico, senti um peso sair das costas’</h3>
<div class="gd7 noticiaFloat itemOpcional">
<figure class="foto-legenda foto-legenda--size-1"> <span> <img decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/cc/ki/wb/cckiwbkbnnujs0eleasanc9nb.jpg" alt="A jornalista Camila Lopes de frente, com a cabeça inclinada levemente para o lado direito"> </span><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Acervo pessoal</cite> </p>
<p>&#8220;Sou uma adulta muito alegre, confiante, cheia de amigos que riem junto comigo das trapalhadas; mesmo quando lembro da adolescência, vejo o copo meio cheio&#8221;, diz Camila Lopes</p>
</figcaption></figure>
</p>
</div>
<p class="">Eu soube já na adolescência que existia um transtorno de déficit de atenção, mas tinha muito medo de não ser isso, de receber nenhum diagnóstico e, por isso, me considerar apenas ‘lesada’.</p>
<p>Com 18 anos eu fui a uma psicóloga e ela me encaminhou a uma fonoaudióloga que testou a velocidade do meu raciocínio. Ela disse que eu era muito atrasada para a minha idade. Fiz 10 sessões com alguns testes e parei. Após seis anos eu resolvi fazer terapia de novo. Com muitos testes da psicóloga e do psiquiatra.</p>
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<p>Assim que a profissional me entregou o diagnóstico, senti um peso sair das costas, as lágrimas nos olhos e sorri. Muita gente não entende, mas eu pude entender que o que eu tenho é comum e que existem métodos para melhorar. Não sou eu a desajustada. Estava tudo bem. Por isso eu digo que comemorei o meu diagnóstico e muitas pessoas não entendem, mas ele tirou esse peso de mim, ele me deu pertencimento.</p>
<p>Olhei para ela e agradeci por cuidar de mim e me trazer essa descoberta. Eu estava muito grata, muito feliz mesmo. Samira, minha psicóloga, teve muito cuidado e sensibilidade em me dizer que os testes apontaram os pontos de atenção muito prejudicados, mas eu nem me importei. Na hora eu disse que encontraríamos formas de melhorar. A partir dali, daquela hipótese que eu entregaria dias depois à psiquiatra, minha vida mudou.</p>
<p>Ter o diagnóstico foi muito importante. Pude entender cada característica minha e abraçá-las. Hoje busco melhorá-las, mas não as condeno mais. Fazem parte de mim e vou solucionar os obstáculos. Atualmente, faço acompanhamento com terapia e psiquiatra. ainda não tomo remédios, mas logo irei requisitar que a doutora analise uma medicação para TDAH.</p>
<h3>‘O TDAH ainda me atrapalha, mas essa sou eu’</h3>
<p>Com toda certeza tive muitos obstáculos que foram trazidos pela agitação e desatenção que o transtorno me causam, mas também tive muitos pontos positivos.</p>
<p>Eu sofri muito bullying e me escondi do mundo. Olhava para baixo o tempo todo com medo de me verem e falava bem baixinho até o segundo ano do ensino médio. Me sentia muito culpada em ser quem eu sou e entrava em pânico muitas vezes. Mas nem penso nisso mais.</p>
<p>Hoje, tenho em mente que tudo que passei me ensinou uma lição muito importante de vida, muito enriquecedora que só o tempo é capaz de elucidar, sabe? Eu sou uma adulta muito alegre, confiante, cheia de amigos que riem junto comigo das trapalhadas – e mesmo quando lembro da adolescência, vejo o copo meio cheio.</p>
<p>Passei dificuldades, mas vivi vários mundos lúdicos e incríveis em minha mente. Vi o mundo de um jeito diferente e fui mais empática porque sabia como era se sentir menor.</p>
<p>Não sinto mais vergonha quando os sintomas são notados. Foco na minha evolução e me sinto parte de um todo, não me desloco mais por medo de ser analisada. Quando me perguntam e questionam como posso ser tão dispersa, digo naturalmente que tenho déficit de atenção e que está tudo bem.</p>
<p>É claro que não estou romantizando o TDAH de jeito nenhum. Essa é a minha experiência extremamente privilegiada. Eu acredito que passei esses momentos difíceis para ser capaz não apenas de escutar, mas de ouvir; não somente de ver, mas enxergar; não apenas interpretar, mas entender.</p>
<p>O TDAH ainda me atrapalha. Ainda me faz andar desatenta, procrastinar, me distrair com tudo, viver sonhos acordados, perder objetos valiosos e dinheiro, olhar para o que tenho que fazer e me esquecer várias vezes em poucos minutos. Mas essa sou eu. Não posso me condenar. Procuro olhar para o que aprendi e pensar: ‘O que eu faço sobre isso?’</p>
<p>Gostaria que as pessoas soubessem que é preciso ter empatia. É preciso entender que algumas pessoas têm mais ou menos dificuldades ou precisam de mais ou menos tempo. Somos diferentes, mas não somos anormais. Temos capacidade das mesmas coisas, só vamos aprendê-las ou executá-las com um pouco mais de métodos para focar, mas nem sempre vão funcionar.</p>
<p>Quero dizer para quem acredita ter o transtorno que, se tem condições de buscar o tratamento e o diagnóstico, vá atrás. É um alívio gigante e nós precisamos de acompanhamento para uma vida mais leve.”  </p>
<p id="infocoweb_fonte" class="infocoweb_fonte">Fonte: <a target="_blank" href="http://delas.ig.com.br/desabafo/2022-07-13/desabafo-dia-mundial-tdah-diagnostico-na-vida-adulta.html#9356bbb5-081f-431b-9f2f-4dddc7ad51d4" rel="noopener">IG Mulher</a></p>
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		<title>Perdi os dois ovários aos 16 anos: &#8220;Eu senti que estava morrendo&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Da Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jun 2022 09:20:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arquivo pessoal Julia Micaelly perdeu os dois ov&#225;rios em 2021 de forma inesperada. &#8220;Tudo come&#231;ou quando eu me levantei e acordei do nada com dor de est&#244;mago. Na noite anterior tinha comido muito, por isso pensei que o incomodo no p&#233; da minha barriga fosse devido a esse exagero. Tamb&#233;m acreditava que poderia ser o [&#8230;]</p>
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<div class="foto-legenda-img"> <img decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/a8/ms/m0/a8msm05vglqyomkxfb1ye1l7g.jpg" width="906" height="509" alt="Julia Micaelly perdeu os dois ov&aacute;rios em 2021 de forma inesperada." title="Julia Micaelly perdeu os dois ov&aacute;rios em 2021 de forma inesperada."> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Arquivo pessoal</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">Julia Micaelly perdeu os dois ov&aacute;rios em 2021 de forma inesperada.</div>
</figcaption></figure>
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<p class="">&ldquo;Tudo come&ccedil;ou quando eu me levantei e acordei do nada com dor de est&ocirc;mago. Na noite anterior tinha comido muito, por isso pensei que o incomodo no p&eacute; da minha barriga fosse devido a esse exagero. Tamb&eacute;m acreditava que poderia ser o in&iacute;cio do ciclo menstrual, assim n&atilde;o dei aten&ccedil;&atilde;o naquele momento.</p>
<p>No entanto, durante a madrugada, acordei &agrave;s cinco horas da manh&atilde; sentindo muita dor e quando eu tentei me levantar para ir ao banheiro, senti que algo arrebentando dentro de mim.&nbsp;</p>
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<li> <a href="https://delas.ig.com.br/desabafo/2022-01-25/llaqueadura-sem-filhos-aos-25.html" title="Laqueadura aos 25: &ldquo;Nunca me passou pela cabe&ccedil;a ser m&atilde;e&rdquo;" target="_blank" rel="noopener">Laqueadura aos 25: &ldquo;Nunca me passou pela cabe&ccedil;a ser m&atilde;e&rdquo;</a> </li>
</ul>
</aside>
</div>
<p class="">Na mesma hora, uma dor aguda come&ccedil;ou a se espalhar pelo meu corpo, me paralisando. A ang&uacute;stia era t&atilde;o intensa que n&atilde;o conseguia respirar, mas apesar disso, eu s&oacute; pensava na minha m&atilde;e, porque eu estava trancada no meu quarto, se eu gritasse, poderia desesper&aacute;-la.</p>
<p>Tive que rastejar at&eacute; a porta do quarto para abri-la, gastei uns 10 minutos para concluir o percurso da minha cama at&eacute; a porta, de tamanha dor que estava sentindo. Queria chorar e n&atilde;o tinha for&ccedil;as nas pernas, contudo, consegui chegar ao quarto da minha m&atilde;e para pedir ajuda.&nbsp;</p>
<p>Por&eacute;m, eu n&atilde;o conseguia explicar para ela o que estava sentindo, devido &agrave; dor. Ela at&eacute; tentou me dar rem&eacute;dios e pediu para esperar em torno de meia hora para ver se passava, mas n&atilde;o adiantou de nada, a minha m&atilde;e teve que chamar o nosso vizinho, que &eacute; medico, para me examinar.</p>
<p>At&eacute; ent&atilde;o, eu acreditava que a minha bexiga havia estourado, porque eu conseguia sentir um l&iacute;quido dentro de mim, entretanto nosso vizinho explicou que isso n&atilde;o poderia ser poss&iacute;vel e que bexigas n&atilde;o se rompem dessa maneira.&nbsp;</p>
<p>Depois disso, decidimos ir imediatamente ao hospital, eram seis e meia da manh&atilde; quando fomos, lembro-me perfeitamente. Precisamos pedir ajuda de uma de nossas vizinhas para ir at&eacute; o hospital, porque o meu pai estava em outra cidade.</p>
<p>Ao chegar l&aacute;, fui mandada para emerg&ecirc;ncia de imediato, j&aacute; me colocando na morfina, mas, mesmo assim, o atendimento foi dif&iacute;cil. Os m&eacute;dicos me diziam para ficar ali e que era apenas c&oacute;lica menstrual, sem fazerem um exame mais profundo da minha situa&ccedil;&atilde;o. Eu entendo que existem mulheres com c&oacute;licas mais fortes, mas eu sabia que eu estava com outra coisa.&nbsp;</p>
<p>Moro em cidade pequena do interior, os hospitais p&uacute;blicos n&atilde;o possuem aparelhos mais sofisticados para fazer exames para casos mais graves, por isso a minha m&atilde;e, vendo o meu desespero e o qu&atilde;o mal eu me sentia, decidiu me levar at&eacute; um hospital particular.</p>
<p>Ela tamb&eacute;m estava muito assutada, eu j&aacute; havia tomado tr&ecirc;s doses de morfina e simplesmente a dor n&atilde;o passava, os m&eacute;dicos disseram que eu precisava fazer um ultrassom, mas que&nbsp; hospital n&atilde;o possu&iacute;a os equipamentos para o exame&#8221;.&nbsp;</p>
<h3>Momento em que recebeu o diagn&oacute;stico&nbsp;</h3>
<div class="Noticia_Foto">
<figure class="foto-legenda">
<div class="foto-legenda-img"> <img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/aa/ao/sj/aaaosjiqwpukgoh9a8l7wtj6y.jpg" width="906" height="509" alt="Julia Micaelly precisou passar por diferentes hospitais at&eacute; ser atendida corretamente. " title="Julia Micaelly precisou passar por diferentes hospitais at&eacute; ser atendida corretamente. "> </div><figcaption class="foto-legenda-citacao"> <cite>Arquivo pessoal</cite> </p>
<div class="foto-legenda-citacao-text">Julia Micaelly precisou passar por diferentes hospitais at&eacute; ser atendida corretamente. </div>
</figcaption></figure>
</div>
<p class="">&#8220;Novamente pedimos a ajuda da nossa vizinha para ir at&eacute; uma cl&iacute;nica para fazer a ultrassom. Nela fui atendida apenas &agrave;s tr&ecirc;s horas da tarde. Naquele momento eu j&aacute; n&atilde;o possu&iacute;a mais for&ccedil;as para mais andar, precisei de ajuda para deitar na maca e quando a m&eacute;dica me examinou eu percebi a preocupa&ccedil;&atilde;o na voz dela.&nbsp;</p>
<p class="">Ela me confirmou que n&atilde;o havia nada de errado com a minha bexiga e que o meu ap&ecirc;ndice tamb&eacute;m estava bem. Mas, ela estava vendo muito sangue e eu vi que ela estava preocupada com isso. A m&eacute;dica me questionou se eu possu&iacute;a uma vida sexual ativa, mas eu disse que n&atilde;o e foi nesse momento que eu recebi a not&iacute;cia, um dos meus ov&aacute;rios tinha se rompido e eu estava tendo uma hemorragia interna.&nbsp;</p>
<p>De in&iacute;cio eu n&atilde;o entendi a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, eu apenas olhei para a minha m&atilde;e e ela estava muito assutada, eu at&eacute; mesmo cheguei a perguntar de forma ing&ecirc;nua a onde o meu ov&aacute;rio estava e se era poss&iacute;vel eu tomar um rem&eacute;dio e ir para casa. Por&eacute;m, medica me respondeu que eu precisava de uma cirurgia de emerg&ecirc;ncia, ela me disse &lsquo;volta para o hospital, mostra a ultrassom para m&eacute;dico e fala que o seu caso &eacute; extremamente urgente&rsquo;.&nbsp;</p>
<p>Com muito medo e com vontade de chorar, voltamos ao hospital e mostramos ao m&eacute;dico o exame e quando ele olhou ele disse &lsquo;S&oacute; tem sangue aqui!&rsquo;. Fui internada imediatamente e &agrave;s cinco horas da tarde eu j&aacute; estava totalmente dopada. Eu ficava dormindo e acordando, n&atilde;o tinha mais for&ccedil;a, a minha m&atilde;e ficava me chamando para tentar me manter acordada, mas n&atilde;o adiantava.</p>
<p>Eu senti que estava morrendo. A minha m&atilde;e que &eacute; da &aacute;rea da sa&uacute;de, ela se preocupava muito em medir a minha press&atilde;o, porque ela estava cada vez mais baixa. Quando eu havia chegado ela estava em quatorze e j&aacute; tinha ca&iacute;do para sete no momento em que o meu pai chegou.&nbsp;</p>
<p>Assim que ele me viu, percebeu o qu&atilde;o grave era a minha situa&ccedil;&atilde;o e que o hospital em que eu estava n&atilde;o tinha o preparo necess&aacute;rio para me atender, eu presava ir a outro hospital. Depois de muita dificuldade o meu pai conseguiu me transferir para um macrorregional.</p>
<p>Nesse hospital, eu contei para o meu pai sobre a possibilidade de perder um ov&aacute;rio, mas ele tentou me tranquilizar, dizendo que a m&eacute;dica s&oacute; tinha falado que apenas um havia estourado. No entanto, eu ainda sentia um mau persentimento, eu sabia que seria os dois e assim foi.</p>
<p>Eu sou soube que perdi os dois ov&aacute;rios quase por acidente. Acordei no meio da cirurgia e o meu pai estava ao meu lado, ele conseguiu uma autoriza&ccedil;&atilde;o especial para ficar comigo. Eu ainda me sentia sonsa e sem for&ccedil;as, mas consegui ouvir o m&eacute;dico dizer que n&atilde;o tinha jeito e que ele iria precisar tirar os dois ov&aacute;rios.</p>
<p>Isso impactou o meu pai, o mundo dele caiu. Lembro que ele beijou a minha m&atilde;o, com os olhos em l&aacute;grimas, ele pediu cinco minutos para o m&eacute;dico e saiu da sala. Depois disso eu comecei a passar mal, a anestesia que nem tinha pegado direito, deu todas as rea&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. Comecei a vomitar sangue, lembro que o anestesista virou&nbsp; o meu rosto e falou para n&atilde;o vomitar para frente, apenas para o lado.</p>
<p>Em seguida o meu pai voltou, ele estava com os olhos vermelhos de tanto chorar, mas mesmo assim ele tentou me tranquilizar e me disse &lsquo; filha, est&aacute; tudo bem, o pai est&aacute; aqui, vai dar tudo certo, viu?&rsquo;. Fiquei acordada durante o processo todo de cirurgia.&nbsp;</p>
<p>Recordo-me at&eacute; hoje dos gritos da minha m&atilde;e e do choro e do meu pai, quando contamos que eu perdi os dois ov&aacute;rios. A partir dali eu vi o quanto que ia ser dif&iacute;cil, n&atilde;o s&oacute; para mim, mas para toda a minha fam&iacute;lia&#8221;.</p>
<h3>Recupera&ccedil;&atilde;o </h3>
<p>&#8220;Durante o processo de recupera&ccedil;&atilde;o eu me senti de luto, ainda mais porque eu sempre quis ser m&atilde;e, a minha sa&uacute;de mental ficou muito abalada. Embora eu n&atilde;o tivesse pensamentos suic&iacute;das, o horror do que eu vivi me abalou muito, comecei a ficar com medo de dormir sozinha, com medo de algo ruim acontecer de novo e eu n&atilde;o ter ningu&eacute;m por perto. Fiz acompanhamento com psicoterapeuta durante quase um ano, inclusive recebi alta do psicoterapeuta n&atilde;o faz muito tempo.</p>
<p>Al&eacute;m do fator psicol&oacute;gico, a recupera&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica tamb&eacute;m foi dif&iacute;cil. Eu recebi oito pontos na barriga, isso foi praticamente uma cesariana. Por&eacute;m, mais complicada, devido &agrave; hemorragia, os m&eacute;dicos precisaram sugar todo o sangue de dentro mim. Lembro-me de ver os co&aacute;gulos de sangue na m&atilde;o do m&eacute;dico, ele pegava aquilo tudo como se fosse lixo.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>Nos tr&ecirc;s primeiros dias p&oacute;s-cirurgia eu n&atilde;o conseguia fazer nada, fui totalmente dependente da minha m&atilde;e, virei uma crian&ccedil;a de novo. Mas ela cuidava de mim com todo amor e carinho do mundo e o tempo todo agradecendo a Deus por eu estar viva e&nbsp; eu por&nbsp; ter ela ao meu lado.&nbsp;</p>
<p>Faz um ano da cirurgia, &eacute; uma data que nunca vamos esquecer, porque a minha m&atilde;e diz que o maior presente que ela poderia receber foi a minha vida e essa foi a &uacute;nica coisa que ela pediu enquanto orava para Deus, para que Ele n&atilde;o me levasse, ela implorava mesmo de joelhos.&nbsp;</p>
<p>Hoje vemos o que aconteceu como um momento de supera&ccedil;&atilde;o e ficamos felizes por nossa hist&oacute;ria. Porque passamos por tudo isso unidas e apoiando a outra&#8221;.</p>
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